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Opinião. A TAP aterrou
Editorial Portugal 2 min. 07.05.2020 Do nosso arquivo online

Opinião. A TAP aterrou

Opinião. A TAP aterrou

Foto: Ricardo Raminhos
Editorial Portugal 2 min. 07.05.2020 Do nosso arquivo online

Opinião. A TAP aterrou

Sérgio FERREIRA BORGES
Sérgio FERREIRA BORGES
Foi um golpe de oportunidade que não convenceu ninguém, sobretudo, não convenceu o ministro das Infra-estruturas.

Com um descaramento inaudito, a administração da TAP tentou passar por entre os pingos da chuva do coronavírus e sacar mais 350 milhões de euros ao Estado, para tapar buracos de uma gestão ruinosa.

Foi a 20 de março, quando o governo já anunciava medidas de apoio às empresas, sobretudo para elevar os seus níveis de tesouraria, que a TAP enviou ao executivo um documento solicitando a ajuda financeira. Pedia explicitamente 350 milhões, para retomar a atividade. Mas lendo o documento com atenção, percebe-se que a companhia precisava de outro tanto, para saldar compromissos imediatos. Estes segundos 350 milhões seriam obtidos por empréstimo, na banca internacional, avalizado pelo Estado. Isto quer dizer que, se a TAP não pagasse, seria o dinheiro de todos nós a suprir a dívida.

Foi um golpe de oportunidade que não convenceu ninguém, sobretudo, não convenceu o ministro das Infra-estruturas, Pedro Nuno Santos. Há muito que a administração estava debaixo de olho. Em 2018, Antonoaldo Neves, o presidente executivo, tinha prometido o regresso da TAP aos lucros. Mas em vez disso, fechou o ano com um prejuízo de 118 milhões de euros. E, em 2019, a TAP voltou a apresentar prejuízos de quase 106 milhões. Com estes resultados, o gestor brasileiro confirmava a sua incapacidade para gerir uma empresa daquela dimensão. E agora, a administração aproveitou a crise da pandemia para pedir mais dinheiro.


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 Apesar destes resultados, distribuiu bónus por alguns quadros da empresa, sem explicitar os critérios da escolha. Alguns dos beneficiados tinham pouco mais de um ano de empresa, tempo insuficiente para demonstrarem qualquer mérito especial, que justificasse tamanha recompensa.

O Estado tem uma participação accionista de 50 por cento, mas isso não lhe confere qualquer representação na administração. O restante capital está distribuído pela Atlantic Gateway - que junta os empresários Humberto Pedrosa e David Neeleman - com 45 por cento e os restantes 5 por cento pertencem aos trabalhadores. Mas a capacidade decisória está cometida à Atlantic Gateway, com os resultados que estão à vista. A dívida acumulada ascende já a 850 milhões de euros.


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O governo coloca agora duas hipóteses, para que a TAP volte a voar. Na primeira, os privados, para manterem a capacidade de decisão, têm de entrar com o capital considerado indispensável. A segunda possibilidade, que ainda não foi formulada nestes termos, é a nacionalização da companhia. Em qualquer delas, o afastamento de Antonoaldo Neves é uma premissa de que o governo não abre mão.

Como os privados não parecem dispostos a meter mais dinheiro, resta a privatização, como única possibilidade razoável.

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