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Opção do Reino Unido é decisão "não fundamentada nem suportada pelos factos"
Portugal 3 min. 24.07.2020 Do nosso arquivo online

Opção do Reino Unido é decisão "não fundamentada nem suportada pelos factos"

Opção do Reino Unido é decisão "não fundamentada nem suportada pelos factos"

Foto: AFP
Portugal 3 min. 24.07.2020 Do nosso arquivo online

Opção do Reino Unido é decisão "não fundamentada nem suportada pelos factos"

Ana TOMÁS
Ana TOMÁS
País voltou a deixar Portugal de fora da lista de países isentos de quarentena. Governo português já respondeu.

O Reino Unido actualizou esta sexta-feira, 24 de julho, a lista de países abrangidos pelo chamado "corredor aéreo", mas Portugal continuou a ficar de fora.

Apesar de ontem o jornal The Times ter avançado que o país seria incluído na próxima revisão da lista, o anúncio do governo de Boris Johnson acaba por desmenti-lo e os cidadãos que viajarem para Portugal terão de continuar a ter de fazer quarentena no regresso a solo britânico, pelo menos até à próxima revisão.

Esta decisão recente não agradou ao governo português, que já tinha criticado a posição britânica anteriormente.

Numa mensagem na página oficial do Twitter, o Ministério dos Negócios Estrangeiros classificou-a de "decisão não fundamentada".


Portugal continua de fora do corredor aéreo britânico
O governo britânico alterou a lista dos corredores aéreos, mas manteve Portugal de fora. A quarentena continua portanto obrigatória.

"O MNE lamenta que Portugal não tenha sido acrescentado à lista de países em relação aos quais o Reino Unido não exige quarentena. É uma decisão não fundamentada nem suportada pelos factos", refere o post.

A mensagem foi reforçada pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, no Parlamento, à margem do debate do Estado da Nação.

Em declarações aos jornalistas, Augusto Santos Silva repetiu os argumentos: "o governo, naturalmente, lamenta a decisão, que não está fundamentada nos factos e nos dados que são conhecidos e públicos e aguardará que as autoridades britânicas evoluam”, afirmou.

O chefe da diplomacia portuguesa adiantou que cumpriu o combinado com o homólogo britânico, nomeadamente o respeito de cinco critérios em que a situação epidemiológica portuguesa é “muito positiva”: capacidade de testagem, taxa de letalidade, índice de reprodução, capacidade de resposta do sistema de saúde e número de casos por 100 mil habitantes.

“As autoridades britânicas tiveram a cortesia de nos informar ontem [quinta-feira] da decisão, mas não foram capazes de explicar os fundamentos científicos e técnicos da decisão tomada”, afirmou.

Os critérios adotados por alguns países europeus para criarem barreiras a outros estados, em função da sua situação epidemiológica, têm sido objeto de críticas pelas nações visadas, como Portugal e o Luxemburgo, que contrapõem com outros indicadores de controlo da pandemia, nomeadamente o número de testes realizados por habitante.

Também no meio científico as opções tomadas pelos governos não parecem revelar nem total transparência, nem fundamentação.


Entrevista com investigador. Fronteiras da covid-19 "têm mais a ver com interpretações políticas dos factos científicos"
Portugal e o Luxemburgo têm sido considerados zonas de risco pelos seus pares e têm visto serem-lhes colocadas restrições e condições a quem a partir deles viaje.

"Podemos olhar para vários indicadores científicos, a questão é quais é que nós escolhemos e porquê. Começa a ser cada vez mais consensual e comum, mesmo entre a comunidade científica europeia, que estes critérios são muito pouco transparentes e que as decisões dos países são difíceis de compreender", como explicou, em entrevista ao Contacto, esta semana, Tiago Correia, investigador e professor de Saúde Pública Internacional e Bioestatística do Instituto de Higiene e Medicina Tropical, da Universidade Nova de Lisboa.

E para o especialista o Reino Unido é um exemplo disso mesmo, uma vez que, diz, "não usa apenas o número de casos, pondera o número de casos com a taxa de letalidade, a resposta dos serviços de saúde e a disseminação dos surtos". "Se olharmos para esse indicador e as restrições que foram colocadas, por exemplo, a Portugal ainda são mais estranhas de justificar. Os indicadores podem ser científicos, a sua escolha é uma escolha política e nem sempre é clara", remata.

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