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Observatório: Emigração portuguesa vai continuar a aumentar mesmo depois da crise
Portugal 3 min. 26.10.2015

Observatório: Emigração portuguesa vai continuar a aumentar mesmo depois da crise

Observatório: Emigração portuguesa vai continuar a aumentar mesmo depois da crise

Foto: Shutterstock / Sabina Palanca
Portugal 3 min. 26.10.2015

Observatório: Emigração portuguesa vai continuar a aumentar mesmo depois da crise

A emigração portuguesa vai continuar a aumentar a um ritmo muito elevado mesmo depois da crise, segundo investigadores do Observatório da Emigração.

A emigração portuguesa vai continuar a aumentar a um ritmo muito elevado mesmo depois da crise, segundo investigadores do Observatório da Emigração.

"O grande impulso que a emigração teve nesta segunda fase da crise, desde 2010, provavelmente criou condições para que continue em níveis muito elevados mesmo passada a crise, mesmo que não tão elevados como hoje", referiu Rui Pena Pires, coordenador científico do Observatório da Emigração e investigador do Centro de Investigação e Estudos de Sociologia.

As oportunidades de circulação, de informação sobre oferta de carreiras e as ofertas profissionais no exterior deverão continuar a ser superiores às existentes em Portugal, e a existência de núcleos de portugueses fora do país que podem apoiar novos emigrantes vão tornar menos arriscado o projecto migratório, assinalou o investigador em declarações à Lusa.

O único factor que poderá alterar esta tendência consiste no potencial impacto no mercado de trabalho do contínuo afluxo de imigrantes e refugiados à Europa.

"Mesmo num momento em que o contraste entre as oportunidades de trabalho no exterior e em Portugal sejam menores, se por outro lado houver menos custos na emigração, se for mais fácil emigrar, é provável que o fluxo se mantenha alto", referiu o investigador, durante a conferência internacional "Regresso ao futuro: a nova emigração e a relação com a sociedade portuguesa", que decorreu na Fundação Calouste Gulbenkian.  

Maioria da emigração continua a não ser qualificada

O investigador assinalou também que, mesmo actualmente, a maioria da emigração portuguesa para a Europa continua a não ser qualificada, à excepção de alguns destinos, caso do Reino Unido e países nórdicos.

"Pelo facto de a emigração estar a aumentar mais para esses destinos, a emigração qualificada tem crescido mais que a outra emigração, mas mesmo assim e em termos absolutos a emigração não qualificada é maior, com destino ao Luxemburgo, França, Suíça".

A maioria destes emigrantes procura sectores que também estão em crise em Portugal, como a restauração ou a construção civil. E as pessoas que ficaram desempregadas nestas áreas profissionais, e que de seguida perdem o subsídio de desemprego, têm tendência a emigrar.

"Como têm emigrado muitos dos portugueses muito pouco qualificados que estavam na construção civil em Espanha e que não puderam regressar a Portugal, porque a construção civil também estava em crise, não havia oportunidade em Portugal e por isso foram para outros países, em particular França", precisou.

Os dados do Observatório concluem que actualmente 85% da emigração portuguesa tem como destino a Europa. As únicas excepções são Angola e Moçambique, para onde também se verifica um fluxo significativo, apesar de para estes dois países "haver menos emigração que para a Bélgica ou Holanda".

Mais de 100 mil saídas por ano

O mais recente aumento da vaga de emigração está registado a partir de 2002, e aumenta em paralelo com a subida da taxa de desemprego. "Quando o crescimento da economia baixa a emigração cresce, depois é interrompida entre 2008 e 2010, a primeira fase da crise. Como a crise foi global não havia oportunidades cá, mas também não havia noutros sítios. E depois volta a crescer a partir de 2010 com o resultado combinado da crise e das políticas de austeridade, que criam pouco emprego", assinalou.

A emigração dentro da Europa voltou a crescer, e Portugal tem fornecido significativa contribuição.

"Os dados que temos recebido permitem perceber que é uma emigração que neste momento está mais ou menos estabilizada, na ordem das 110 mil pessoas a sair por ano, o que são valores muito elevados", registou o investigador.

Em 2013 e 2014 terão emigrado de Portugal cerca de 110 mil pessoas, mas 2015 já registou um ligeiro decréscimo, "porque entretanto as pessoas que tinham mais dificuldades em Portugal também já estão quase todas fora, o que baixa naturalmente as saídas". Mas o número de portugueses que optem por sair do país "vai continuar a aumentar muito, é sempre a somar", prognostica.

Para Rui Pena Pires, Portugal é hoje e de novo um país de emigrantes. "Não só estão a sair muito mais portugueses como não estão praticamente a entrar imigrantes em Portugal".

(Lusa)


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