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O trambolhão de Rio e Cristas
Editorial Portugal 4 min. 29.07.2019

O trambolhão de Rio e Cristas

O trambolhão de Rio e Cristas

Foto: LUSA
Editorial Portugal 4 min. 29.07.2019

O trambolhão de Rio e Cristas

Sérgio Ferreira Borges
Sérgio Ferreira Borges
Rui Rio já não acredita na regeneração do partido e na sua própria reabilitação, como líder.

Parece que a única coisa que está em causa, nas eleições de outubro, é saber se o PS ganha com maioria absoluta. Tudo o resto parece decidido, incluindo a derrota da direita que pode ser histórica.

Comentadores de direita, como é o caso de José Miguel Júdice, têm por certa a derrota dos dois partidos de direita, nas eleições de outubro. E por números que – admitem – venham a ser históricos. Por exemplo, o PSD pode ficar com metade da votação do PS.

O CDS também está em queda, como a popularidade da sua líder, dizem as sondagens. E, a acreditar nas medições de opinião, o PAN estará mesmo a “roer os calcanhares” aos centristas.

Falta falar do Aliança, de Pedro Santana Lopes. Em algumas sondagens, nem sequer aparece. Está em “zero técnico”, o que significa que as pesquisas ainda não conseguiram contactar um único português disposto a votar no partido. Mas há sondagens que lhe atribuem uma quota inferior a dois por cento.

A pior situação é a do PSD e de Rui Rio. Quanto mais as sondagens o castigam, mais isolado ele fica. E, segundo a última edição do Expresso, dois dos seus vice-presidentes recusam integrar as listas de candidatos. São eles David Justino e Nuno Morais Sarmento. Não são os únicos. Anteriormente, já Castro Almeida se tinha demitido da vice-presidência do partido em manifesto desacordo com o estilo e a substância da liderança de Rui Rio.

Tudo isto parece ser consequência dos efeitos de choque, provocados pela derrota nas eleições europeias. Rui Rio não soube, ou não foi capaz de reagir a esse desaire e começou a ficar sem generais, para a batalha de outubro. Todos estes desertores já pensam mais no futuro do PSD pós-Rio, do que nas eleições legislativas.

Mas há mais causas, para esta hecatombe. Rui Rio quis limpar o grupo parlamentar de todos os deputados que lhe eram hostis, substituindo-os por gente da sua confiança. Por essa razão, na formação de listas de candidatos operou uma verdadeira revolução que está a ser contestada em muitos círculos. É uma contestação que não atinge só os cabeças de lista, mas todos os lugares elegíveis.

O processo está tão complicado que absorve por completo o líder que fica sem tempo para fazer oposição e estancar a trânsfuga de votos do PSD para o PS.

Continua a combater as sondagens, dizendo que sempre lhe foram desfavoráveis, mesmo quando se candidatou à Câmara do Porto. Mas, para seu azar, as sondagens nacionais são sempre muito mais fiáveis, que as sondagens locais.

Rui Rio já não acredita na regeneração do partido e na sua própria reabilitação como líder. Só um milagre pode fazer reverter a situação. Ou então, um golpe de oportunidade, um acontecimento que ajude a descredibilizar o Governo. A desgraça dos fogos está de volta e autarcas do PSD estão a responsabilizar o executivo de António Costa, mas os efeitos devem ser nulos, como foram em 2017.

Com o PSD em crise, seria natural que o CDS conseguisse retirar dividendos e crescesse, eleitoralmente. Mas não, pelo contrário está a acompanhá-lo nas perdas de eleitorado.

O efeito Assunção Cristas desfez-se. Os mais de 20 por cento que a líder centrista alcançou nas últimas eleições autárquicas, em Lisboa, pareciam um bom augúrio que afinal não se concretizou. Em 2017, de certa maneira, Assunção Cristas ainda era uma novidade que, por essa exclusiva razão, seduziu muito eleitorado. Ultrapassou o PSD, para depois entrar em queda vertiginosa.

No parlamento, aproveitou os debates quinzenais para se afirmar como a verdadeira líder da direita. Confrontou constantemente António Costa e isso, em vez de a projectar, provocou-lhe um desgaste imenso que agora é visível, nas intenções de voto.

Alguns dirigentes do CDS dizem que ela pensa sobreviver na liderança, se conseguir sete por cento nas eleições. Para disfarçar a previsível derrota, Cristas estaria agora na disposição de fazer um acordo com o PSD, para que ambos concorressem em listas conjuntas. Mas ela própria, até há pouco tempo, enjeitou essa possibilidade. Por isso, os seus adversários internos vêem nisto apenas um expediente para salvar a própria pele.

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