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O sindicalista que nunca foi motorista e que anda de Maserati

O sindicalista que nunca foi motorista e que anda de Maserati

Foto: LUSA
Portugal 3 min. 19.04.2019

O sindicalista que nunca foi motorista e que anda de Maserati

Chegou de Maserati preto a Aveiras, onde se concentravam centenas de camionistas em greve. Pedro Pardal Henriques apresenta-se como advogado mas, simultaneamente, vice-presidente do Sindicato Nacional de Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP) quando não conduz qualquer transporte pesado. Deixou uma imagem duvidosa quando trabalhou em França.

 Nos estatutos do SNMMP pode ler-se que só pode pertencer aos órgãos do sindicato quem for sócio efetivo, “pessoas singulares que exerçam a atividade de motorista de matérias perigosas”. Ou quem for sócio aliado. Esta última opção abrange “aqueles que desenvolvam atividades de interesse ou interligadas com os objetivos e fins da associação”. Estes e outros dados constam de um perfil do sindicalista feito pelas jornalistas Catarina Carvalho e Fernanda Câncio no Diário de Notícias.  

"Trabalho com tudo o que está ligado aos negócios." Esta citação é a uma das primeiras referências que aparece a quem faz uma busca sobre Pedro Pardal Henriques. Disse-o enquanto "português de valor de 2018", um prémio da Lusopress, um projeto de media sediado em Paris e dirigido aos emigrantes portugueses. No pequeno perfil publicado a propósito daquele prémio, é descrito como tendo nascido em 1978, em Alpiarça, "ligado desde sempre à comunidade portuguesa, principalmente à que vive em França", e que "vive entre Portugal e França." Revelou que saiu de Portugal aos 18 anos e foi para os EUA, onde trabalhou numa rádio e numa estação de televisão. Voltou e abriu uma empresa ligada à medicina ocupacional, no Porto. Em 2015 acabou o curso de Direito na Universidade Lusófona do Porto, mas só em 2017 se inscreveu na Ordem dos Advogados. Nenhuma referência a camiões cisterna ou à atividade sindical.

Apresenta-se como fundador da International Lawers Associated, um escritório de advogados sediado em Lisboa, nas Avenidas Novas. Segundo o site "os escritórios de Pedro Pardal Henriques são caracterizados pelo seu forte vínculo internacional, que se manifesta pela sua presença física nos principais polos de investimento em Portugal". Mas o número indicado no site da sociedade de Pedro Pardal Henriques (e mesmo na página da Ordem dos Advogados) é o mesmo do sindicato que apoia os motoristas de matérias perigosas. Para falar com o sindicato, é necessário ligar para o escritório de advogados e, aí sim, poderá pedir para falar com o vice-presidente do SNMMP. Quando se liga para o número do sindicato, quem atende responde "Sociedade de Advogados". Depois, explica que é o "apoio jurídico" do sindicato e encaminha a chamada para o Dr. Pedro Henriques, revela o Diário de Notícias.

Percurso negativo em França

De acordo com o mesmo jornal, os que o conhecem de França ficaram surpreendidos com as recentes aparições televisivas. Terá sido na comunidade portuguesa da Côte d"Azur que Pardal Henriques deixou má memória. Pardal Henriques ter-se-á aproximado, enquanto advogado, da sucursal da Câmara de Comércio e Indústria Franco Portuguesa na região de Provence-Alpes-Côte d'Azur, uma entidade reconhecida pela Rede das Câmaras de Comércio para ajudar portugueses a investir em França.

O advogado acabou por entrar nos órgãos dirigentes e isso significava que quando era preciso algum trabalho de advocacia, os seus préstimos eram os usados. Depois dessa aproximação, garante um dos membros da Câmara de Comércio, "utilizou isto tudo, para se aproximar das autoridades, dos artistas, dos empresários importantes".

Foi então que começaram os problemas. Como advogado, terá falhado compromissos, jurídicos e de negócios. Não terá feito serviços para os quais foi pago. É conhecido o caso de um trabalho de contabilidade e fiscalidade para uma empresa de construção que se queria instalar em Portugal. "Não fez nada", conta o queixoso, que teve de contratar outra empresa, depois de ter pago a Pardal Henriques uma avença mensal.

"Ele foi mau para Portugal, prejudicou a nossa imagem, que é uma imagem bonita aqui, é um problema para o país e o país não precisa de problemas", afirmou um membro da comunidade portuguesa ao DN.

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