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O PS ganhou, mas Costa perdeu
Opinião Portugal 2 min. 28.09.2021
Autárquicas

O PS ganhou, mas Costa perdeu

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O PS ganhou, mas Costa perdeu

Foto: AFP
Opinião Portugal 2 min. 28.09.2021
Autárquicas

O PS ganhou, mas Costa perdeu

Sérgio FERREIRA BORGES
Sérgio FERREIRA BORGES
O resultado final das autárquicas pode sintetizar-se num aparente jogo de palavras. O PS ganhou, perdendo e o PSD perdeu, ganhando.

O eleitorado castigou severamente o líder socialista e Primeiro-Ministro, nas eleições autárquicas de domingo. António Costa é o grande derrotado, apesar da incontestável vitória do Partido Socialista.

O resultado final das autárquicas pode sintetizar-se num aparente jogo de palavras. O PS ganhou, perdendo e o PSD perdeu, ganhando. Veremos agora se António Costa sabe retirar consequências da sua desastrosa campanha eleitoral, que aqui denunciei, há uma semana. Centrou a sua estratégia na bazuca europeia, tentando aliciar o eleitorado a votar nas candidaturas socialistas, para encurtar caminhos entre as necessidades locais e os dinheiros vindos da europa.

Foi um acto de delinquência ética que o eleitorado puniu e de que António Costa terá de se retractar, para salvar o lugar do Primeiro-Ministro. Se o não fizer, as críticas não se vão calar e, em qualquer momento, o mar pode ficar mais alto que a terra.

A grande derrota do Partido Socialista aconteceu em Lisboa, com a queda de Fernando Medina, que muitos desejavam de forma mais ou menos surda e muda. Até dentro do PS havia gente que escondia mal a sua antipatia por Medina, sempre considerado como uma invenção de António Costa. E se os sonhos de Medina passavam por uma futura candidatura à liderança do PS, a partir de domingo ficou claro que essa hipótese nunca passará disso mesmo  -  um sonho.

Onde há um derrotado, há também um vencedor. E, em Lisboa, esse vencedor foi Carlos Moedas que lutou em condições difíceis, contrariou todas as sondagens e venceu as eleições, ainda que, por uma escassa diferença.

Mas esta vitória de Moedas serve também para oxigenar a vida de Rui Rio, como líder do PSD. Ele tinha definido, como resultado positivo, qualquer coisa que fosse melhor do que o ocorrido em 2017. E isso aconteceu. Além de ter ganho a câmara da capital, ganhou outras relevantes autarquias, quase todas conquistadas ao PS. Por isso, tem todas as condições para se manter. Resta saber se esta meia-vitória é suficiente para neutralizar os seus adversários internos. Tenho como certo que, a partir de agora, Rio vai engrossar a voz, na oposição a Costa.

Estas eleições marcaram também o regresso de Pedro Santana Lopes. Reconquistou a Câmara da Figueira da Foz, depois de alguns desaires, noutras batalhas. E impôs duas derrotas. Uma ao PS que perdeu a presidência da autarquia. Outra ao PSD, que se ficou abaixo dos 11 por cento. Mas o único vereador laranja eleito pode ser fundamental, para desfazer o empate entre Santana Lopes e o PS, já que ambos têm quatro mandatos.

 

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