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O pequeno fruto da humanidade

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O pequeno fruto da humanidade

O pequeno fruto da humanidade
Alentejo

O pequeno fruto da humanidade


por Luís Pedro Cabral/ 16.10.2021

A Escola Básica Engenheiro Manuel Rafael Amaroda Costa é uma das mais multiculturais do mundo. Foto: Valter Vinagre

A escola básica de São Teotónio, no Alentejo, é uma das mais multiculturais do mundo, onde convivem alunos de mais de 20 nacionalidades. Um realidade que decorre da imensa estufa em que Odemira se transformou e da necessidade de mão-de-obra imigrante para um dos negócios mais rentáveis que se colhe em Portugal: os frutos vermelhos. Um dia, a escola percebeu que só havia uma maneira de inverter o abandono escolar: inventar um novo sistema de ensino, adaptado à sua diversidade. Nesta escola pública, igual a nenhuma outra, nasceu um exemplo de sociedade.

A freguesia de São Teotónio é a maior do concelho de Odemira, que é o maior concelho de Portugal. É tão grande, que vai do interior serrano até ao mar. Mas nem a litoralidade do sudoeste alentejano parecia capaz de reverter o triste fado da sua interioridade. Fez isto um pequeno fruto, com o tamanho de um polegar.

Aqui, quando a vista é suficientemente alta, apenas se alcança o imenso mar branco das estufas, que no horizonte já se une com o Atlântico. Corre no subsolo uma estranha fórmula química, que à superfície fez de um deserto de homens uma multinacional da Humanidade, nascida da necessidade e da velha ilusão de uma terra prometida. Vieram das guerras, das perseguições, da pobreza, da iniquidade que o mundo gera em tantas geografias do nada, para este recanto litoral do Alentejo, que só se desvenda na plenitude depois de ultrapassada a grande muralha da língua. 

Aqui, a sua diversidade desenraizada desenvolveu uma espécie de unidade multicultural, ainda à procura de traço. Vieram os homens, depois as mulheres e os filhos e os filhos que aqui já nasceram. Nada que o ADN português não saiba reconhecer. Mesmo que se confundam com a paisagem, mesmo que às vezes pareçam invisíveis, aqui ficaram e aqui estão. E, lentamente, daqui eles já são.

Criámos um novo sistema de educação, adaptado à diversidade do nosso núcleo escolar.

Rui Coelho, director do agrupamento de escolas de São Teotónio.

Neste território, debaixo de uma imensa camada de plástico, mais e menos precários, em situação de legalidade ou o seu contrário, em casinhas rurais que parecem ter vindo de um postal da ditadura, em casebres quase à beira da estrada, alojados aos magotes em pensões de meia-estrela ou em contentores que se escondem por entre as estufas, coexistem muitos milhares de pessoas, de mais de meia-centena de nacionalidades. Oficialmente, em 2020 viviam no concelho de Odemira 9615 cidadãos estrangeiros. Números que, como todos sabemos e em Odemira também, estão muito longe de espelhar a realidade social, que ficou a nu numa dessas fases agudas da pandemia, quando se decretou a cerca sanitária a este concelho. 

Mais que uma realidade, ficou a descoberto um problema social, daqueles que se encontram à vista de todos e ninguém vê, como se fosse irreal, como num passe de magia hortofrutícola, que se alimenta do ouro da região: a água, por enquanto abundante, do Perímetro de Rega do Mira. O facto de se encontrar igualmente no perímetro do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, para todos os efeitos protegido, não parece ter muito peso nesta equação expansionista, que disparou nos números da imigração, assim como na balança de exportações.

Foto: Valter Vinagre

Os lucros previstos para este ano, embora comprometidos pelas consequências da pandemia, apontavam para um número recorde de 1800 milhões de euros para as multinacionais que ocupam actualmente mais três mil hectares destas explorações, que a curto prazo prevêem um crescimento para mais de quatro mil hectares de território. Em duas décadas, Odemira transformou-se na maior área produtiva de frutos vermelhos do continente europeu, onde os solos são arenosos, os custos são baixos, a produção é para lá de intensiva, a água parece inesgotável e o sol brilha todo o ano. 

Lá fora, já lhe chamam a Califórnia da Europa. Para traduzir em miúdos: entre 2015 e 2020, a população estrangeira em Odemira cresceu 143 por cento, só para exponenciar os números que já eram altos, desde que dispararam as explorações de frutos vermelhos e de legumes e afins neste concelho, que a partir da viragem do milénio inverteu o seu ciclo desertificador.


UE está a trabalhar com Estados-Membros medidas de apoio de saúde mental para os jovens
Segundo o relatório "Situação Mundial da Infância 2021”, com dados pré-pandemia de 2019, 20,8% de crianças e jovens com idades entre os 10 e os 19 anos sofram de distúrbios mentais, como depressão, ansiedade, transtorno bipolar, distúrbios alimentares, algum tipo de autismo, distúrbios comportamentais, défice de atenção, esquizofrenia, entre outros.

Se Odemira fosse um daqueles cenários apocalípticos em que a realidade se torna num filme de ficção, é como se o seu território tivesse sido dominado por uma elite de framboesas, que lideram um exército de amoras e de mirtilo, secundados por uma legião de morangos e uma rectaguarda de produtos hortícolas, na frente de uma revolução agrária com as sementes de multinacionais, a precisar de proletariado como de pão para a boca. Comadres e compadres na reforma e as gerações perdidas para a diáspora e para o turismo sazonal não constituiam exactamente a imensa mão-de-obra que os pequenos frutos exigem. Pela sua delicadeza, este tipo de cultura não dispensa a mão humana. Trabalho duro, intensivo como a sua produção. A escassa mão-de-obra local e a pouca aptência para este tipo de trabalho, determinou um surto migratório nunca antes visto neste concelho.

Enquanto as estufas foram pintando o seu imenso território, uma realidade nasceu noutra. Nesta verdadeira sociedade de nações que alimentam um negócio multimilionário, é sempre infinitamente maior o que não se vê do que aquilo que está á vista. Toda a diversidade que brotou no concelho de Odemira trouxe com ela inevitáveis problemas sociais e de integração, que durante muito tempo se mantiveram na clandestinidade.

A Câmara Municipal de Odemira, hesitante entre os frutos do desenvolvimento da região, as consequências ambientais que resultam das culturas intensivas, a contaminação dos solos e as alterações profundas no seu tecido social, lidou com este assunto de luvas brancas. Mesmo optando claramente por uma política de não-colisão com os interesses económicos no território, também não lhe foi possível fazer vista grossa à questão social que tem dentro das estufas, em todo o esplendor das suas ambiguidades. Os números oficiais dizem uma coisa, a realidade demonstra outra. Enquanto os recursos forem duradouros, este problema não vai a lado nenhum. 

E não vale a pena achar que o enorme massa migrante que se encontra no concelho se encontra com os documentos em dia e os respectivos descontos para a Segurança Social. Isso não é mais do que uma utopia, que facilmente se desmonta cruzando simples factos: por cada 100 hectares de exploração de frutos vermelhos, são necessários nunca menos que mil trabalhadores. A área de explorações já passa actualmente dos 3 mil hectares. Como disse um dia alguém: "é fazer as contas".

Alguns dos milhares e milhares de trabalhadores que vêm trabalhar para as estufas são sazonais, mas a sua maior parte vem para ficar. Muitos destes encontram-se em situação de ilegalidade e de extrema precariedade, vivendo no limiar da pobreza, em estado de fragilidade social, em que o acesso ao básico dos básicos, a saúde, a educação, a habitação, não passam de um “el dorado” inverossímil, tão opaco quanto o tecto de uma estufa. Ou de um contentor. Apesar de a CM de Odemira não assumir oficialmente o que não é oficial, também não deixa de reconhecer a existência desse gigantesco fosso social, onde vive uma imensa maioria invisível. Oficiosamente, eles existem. E a CM de Odemira já lhe consignou políticas de integração. 

O concelho tornou-se membro da Rede dos Municípios Amigos do Imigrante e da Diversidade, criou uma Comissão Municipal do Imigrante e elaborou um Plano Municipal para a Integração dos Imigrantes, trabalhando com organismos locais, como é bom exemplo o Espaço ST, em São Teotónio, local de acolhimento, apoio e integração da comunidade imigrante. Suficiente? Todos, incluindo a CM de Odemira, reconhecem que não. Apesar de tudo, nestas duas décadas, muitas coisas mudaram, sendo que outras ficaram na mesma. Ainda a perceber quais os despojos sociais que emanam desta longa pandemia, a crise acordou velhos extremismos. Aquele Alentejo, que com o tempo aprendeu a aceitar e a integrar toda a diversidade que ali chegou, começa agora a pensar se não lhes estão a tirar o emprego. O absurdo é sempre possível. Sentem-se os perigos. Os imigrantes sentem-no. Assim como se sentem de lá.

É na freguesia de São Teotónio que se encontra a maior população migrante de Odemira, distrito de Beja. A Escola Básica Engenheiro Manuel Rafael Amaro da Costa é uma tradução fiel do que é hoje este território. Esta escola é uma das mais multiculturais do mundo, onde convivem quase três dezenas de nacionalidades. Cada uma das suas realidades, formam a realidade desta escola, que teve de tornar-se diferente para se tornar igual. Para combater o flagelo do abandono escolar, esta escola criou um sistema de ensino próprio, sem igual noutra escola pública europeia. Há quem diga até que é única no mundo. Não tivesse o mundo dentro desta.

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A semente da educação
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Muitas das crianças que compõem a população escolar da Escola Básica Engenheiro Manuel Rafael Amaro da Costa, que tem pouco mais de 300 alunos, são provenientes de realidades de pobreza, de países em conflito, de cenários vazios de esperança, onde o ensino não é uma prioridade e a aprendizagem se faz na escola da sobrevivência. Neste estabelecimento de ensino de São Teotónio, os alunos portugueses ainda se encontram em maioria, ainda que escassa. É um mero dado estatístico, pois este facto interessa pouco a alunos e professores. A diversidade, é uma disciplina que todos partilham, ao contrário das outras, que são adaptadas às características e à proveniência de cada um dos alunos. Muitos deles, com idades compreendidas entre os 7 e os 10 anos, nunca tinham frequentado uma escola. Por óbvio, a grande maioria dos alunos estrangeiros também não dominava a língua portuguesa, embora actualmente muitos deles já sejam naturais intérpretes.

Não podíamos continuar a assistir a este aumento do abandono escolar.

Rui Coelho, director do agrupamento de escolas de São Teotónio.

Lá vêm eles, com as suas mochilas do spiderman e da NBA, da Ladybug e dos Avengers, compradas na loja do chinês, os turbantes, um imperativo, quando se trata de sikhs, os seus ganchinhos de cabelo, uma adereço útil, quando se trata de meninas, os telemóveis no bolso de trás das calças com capas da coloridas, os ténis de uma marca branca, os artefactos da moda, a t-shirt com a cara da Dua Lipa – já agora, de origem albanesa -, os olhares hipnóticos num ecrã de telemóvel, os headphones no sítio e o sorriso dentro de uma máscara, ainda protocolar nos tempos que correm, mais ainda quando se encontra bem fresca a memória da terrível cerca sanitária, que os deixou a eles, às suas famílias e as explorações à sua sorte. Lá vêm eles, não conseguindo suster o passo sem correr, como se tivessem molas dentro do corpo, os seus olhares trocistas e curiosos, contrariando a timidez com a energia cúmplice de grupo. Lá vêm eles, o futuro, seja qual for a geografia que este reserve. Ali, eles são habitantes do planeta escola. 

Não deixam de ser búlgaros, nepaleses, indianos, bangladeshi, paquistaneses, tailandeses, romenos, alemães, russos, moldavos, holandeses, franceses, ingleses, ucranianos, azeris, angolanos, cabo-verdianos, guineenses, brasileiros, chineses, indonésios, vietnamitas, de onde quer que sejam. São tão portugueses como um português é francês, alemão, inglês, belga, luxemburguês. Ali, é como se todas as fronteiras desaparecessem e aquele universo fosse só deles, como crianças no seu devido lugar. Ali, é como se a origem fosse um pormenor do destino e a sociedade, por momentos, fosse como devia. Crianças são crianças, no Alentejo ou em qualquer parte do mundo. Deparam-se com as mesmas dificuldades de qualquer imigrante fora do seu país. As crianças, talvez por instinto, rapidamente ultrapassam as barreiras da língua, as diferenças culturais e religiosas e todo o menu enraizado de preconceitos com a linguagem universalista das crianças. Algo maravilhoso, quando se assiste de perto, como numa visão esotérica de um futuro melhor, que foi exactamente o que as juntou num pedaço de Alentejo com vista para o mar, caso as estufas deixassem. 

Nesta escola, não há toques de entrada e de saída. As aulas, os níveis de escolaridade, os agrupamentos etários, a avaliação, o método e o sistema de ensino não têm qualquer semelhança com outra escola pública nacional. Se muitos dos alunos que aqui se encontram nunca tinha estado numa escola, nenhum dos seus professores tinha estado numa escola como esta, onde se encontram os estilhaços mais frágeis de uma explosão demográfica. Aquilo que a Câmara Municipal de Odemira identifica formalmente como a quarta vaga migratória, sem dúvida a maior de todas para este território, que nos anos 60, como em tantos outros distritos, concelhos, freguesias do chamado interior de Portugal, viu a sua juventude fugir da guerra e da pobreza, partindo a salto por essas fronteiras que o mundo tem.

À bolina da grande ilusão de desenvolvimento e prosperidade irreversível de um Portugal comunitário, foi a partir do ano 2000 que o concelho de Odemira começou a ser invadido pelas multinacionais dos frutos vermelhos e das explorações hortícolas, em busca do seu pedaço de Califórnia alentejana. As comunidades búlgara, brasileira e dos países africanos de expressão portuguesa, estes últimos tendo vindo estudar para Odemira, foi sendo ultrapassado pelas comunidades nepalesas e indianas, hoje em maioria, acompanhando o ritmo imparável do crescimento territorial das estufas. Este crescimento trouxe ao longo destas mais de duas décadas uma outra multinacional de gente. Os números, necessariamente informais, apontam para que se encontrem actualmente no concelho de Odemira mais de 50 mil imigrantes em situação de precariedade legal, já para não falar das questões laborais, muitos à mercê de outro tipo de explorações. Oficialmente, porém, existem apenas seis inquéritos a decorrer no concelho de Odemira pelos crimes de tráfico de pessoas, auxílio à imigração ilegal e angariação de mão-de-obra ilegal. Também neste aspecto tudo indica que os números e a realidade são coisas distintas.

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Sociedade das nações
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Só passado mais de uma década do início da tal vaga migratória (esta) se começaram a tornar evidentes as consequências no sistema de ensino. Os níveis de abandono escolar fizeram soar todos os alarmes. “Em 2011, as taxas de abandono escolar em São Teotónio já passavam dos 30 por cento e as taxas de reprovação começavam já a atingir médias de mais de 40 por cento dos nossos alunos. Não podíamos continuar a assistir a este aumento exponencial do abandono escolar. Não eram sinais. Eram evidências, com sequelas gravíssimas para o futuro”, recorda Rui Coelho, director do agrupamento de escolas de São Teotónio. Por junto, a gravidade dos números não reflectiam apenas um problema escolar, mas um denso problema social, que cedo ou tarde cairia nos braços desta freguesia, que é sempre um fiel barómetro do maior concelho de Portugal e, à sua maneira específica, de Portugal.

O número de estrangeiros é tão elevado que os alunos portugueses têm aulas à parte.

Rui Coelho, director do agrupamento de escolas de São Teotónio.

A solução afigurava-se bastante complexa, ainda assim, a única que parecia possível face às particularidades de um problema feito de tantos. "A solução foi criar de raiz as bases de um novo sistema de educação, adaptado à diversidade do nosso núcleo escolar. Decidimos avançar para um contrato de autonomia. Neste, o Ministério da Educação permite-nos alterar os currículos dos meninos. E foi assim que conseguimos 'prender' estes alunos à escola. Eles frequentavam as aulas de Português, mas não frequentavam, por exemplo, as de História, de Ciência ou de Geografia, porque na prática não estavam lá a fazer nada. Era o mesmo que colocar uma criança portuguesa assistir a uma aula de História em mandarim", refere, com moderada ironia, pois não deixava de ser uma metáfora quase perfeita de uma realidade inversamente desigual. Era uma dor de alma, mas era assim, antes desta escola se transformar no exemplo que é: "Havia sempre por aí grupos de miúdos abandonados pelos corredores. Não podíamos ficar à espera que as crianças aprendessem por si, não é verdade?" Digamos que em alguns sítios seria.

Todas as "normais" disciplinas curriculares, que para muitos dos alunos eram como ciências ocultas, foram transformadas numa só disciplina, criada de propósito para eles, baptizada apropriadamente de Glossário, que também descreve o método na perfeição. Esta disciplina, integra um pouco de todas, mas a sua espinha dorsal é o ensino do português. "É claro que isto envolve um imenso trabalho dos professores e das direcções das escolas. Basta olhar para os horários para perceber". Os horários são em si uma verdadeira disciplina de ginástica pedagógica. São como várias escolas a funcionar numa só. "O número de alunos estrangeiros é tão elevado, que são os alunos portugueses que têm aulas à parte, sendo que todos partilham as disciplinas universais, como a Ginástica, a Educação Visual e a Música. Os horários são praticamente individuais para os alunos de língua não-materna", explica Rui Coelho. 

A disciplina Glossário funciona como uma base de dados, que cada um dos alunos pode aceder facilmente no Moodle (plataforma de ensino online), sendo o seu fio condutor, não apenas a aprendizagem da língua, como também da cultura portuguesa. "Há três níveis: A1, que é a iniciação. A2, nível médio. E B1, mais avançado, em que o nível de entendimento e expressão do português já permite que os alunos possam frequentar as outras aulas", ensina-nos o director. "É muito complicado, mas todo este projecto está a resultar numa experiência muito enriquecedora para todos, alunos, professores e órgãos de gestão". Um projecto, que já consolidou, com resultados mais do que evidentes, embora a pandemia, a adopção obrigatória das aulas online e dos exorcismos da tele-escola mais não fizessem do que evidenciar as assimetrias. "Torna-se difícil os alunos concentrarem-se nas aulas e no estudo a viver em casas sabe Deus com que condições". 

À parte disto, que não é pouco, as taxas de abandono escolar em São Teotónio estão hoje acima dos níveis nacionais, que em 2016 era de 14 por cento”. Este método não é perfeito, pois isso é algo que não existe quando o tema é Educação. No entanto, o trabalho desenvolvido na escola de São Teotónio já conquistou faz mais de cinco anos o Selo de Escola Intercultural, da Direcção-Geral de Educação. Um orgulho, que dissemina nesta escola como a mais importante das disciplinas. É algo que passa de aluno para aluno, de geração para geração, instalando-se lentamente na consciência colectiva como um fio de sol que atravessa o plástico de uma estufa. E talvez o melhor sinal seja também o crescimento do número de alunos no ensino nocturno.

No seu sistema de ensino, diferente de tudo o que existe no ensino público, esta escola encontrou uma forma de criar no seu interior uma sociedade melhor. Talvez seja esta a lição mais importante das lições que eles dão em vez de receber. Talvez porque sejam eles as sementes do futuro, sendo apenas o fruto das suas circunstâncias.

(Autor escreve de acordo com o antigo Acordo Ortográfico.)

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