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O fantasma de Costa nas eleições do PSD
Opinião Portugal 2 min. 15.11.2021
Política portuguesa

O fantasma de Costa nas eleições do PSD

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O fantasma de Costa nas eleições do PSD

Foto: Hugo Delgado/Lusa
Opinião Portugal 2 min. 15.11.2021
Política portuguesa

O fantasma de Costa nas eleições do PSD

Sérgio FERREIRA BORGES
Sérgio FERREIRA BORGES
Nas eleições de 27 de Novembro (...) que se vai decidir é o futuro dos dois candidatos à liderança.

Nas eleições directas de 27 de Novembro, não está em causa o futuro do PSD, muito menos o futuro de Portugal. O que se vai decidir é o futuro dos dois candidatos à liderança.

Se Rui Rio perder, é certo que regressa ao Porto, provavelmente, para se confinar à sua residência, onde escreverá as suas memórias, se tiver vontade e engenho para isso.

Se Paulo Rangel perder, vai "andar por aí", ao bom estilo Santana Lopes, à espera de uma segunda oportunidade que, na sua análise, pode ser rápida. Basta que Rui Rio perca as legislativas de 30 de Janeiro, contra António Costa. Rangel acha que tem duas possibilidades de chegar à liderança, ou a 27 de Novembro, ou na sequência dos resultados de 30 de Janeiro. Com esta última possibilidade sujeita a eleições internas, naturalmente.

António Costa vai-se rindo, convencido que vencerá as eleições legislativas, seja qual for o adversário que as directas do PSD lhe ditem. Rio seria o adversário mais conveniente, porque deixaria em aberto a possibilidade de formação de um bloco central, não através de uma improvável coligação de governo, mas antes, de uma versão minimalista de um acordo de convergência parlamentar. Esta possibilidade, mesmo não passando disso mesmo, aumentaria as probabilidades de negociação do PS, com os partidos à sua esquerda, porque haveria sempre a hipótese de os socialistas se voltarem para a direita.

(...) com Paulo Rangel na liderança do PSD, esse acordo ao centro do espectro político é quase impossível.

E é por aqui que Paulo Rangel tem atacado, acusando Rio de ser apenas um candidato a subalterno de António Costa. Portanto, um candidato que não acredita na sua própria vitória. Rio tem reagido, refutando liminarmente qualquer coligação com o PS. 

No outro cenário, com Paulo Rangel na liderança do PSD, esse acordo ao centro do espectro político é quase impossível, porque ele próprio já o abjurou. Não quer acordos com o PS à esquerda, nem à direita com o Chega.

Rangel acha que tem sempre uma segunda oportunidade. Se perder as directas do dia 27, fica com lugar marcado para se recandidatar, numa próxima oportunidade. Se perder as legislativas de 30 de Janeiro, acha que ninguém vai contestar a sua liderança, por ser ainda curta. Portanto, o PSD vai dar-lhe uma nova possibilidade de se candidatar a primeiro-ministro.

É um erro crasso. Caso Paulo Rangel perca as legislativas do dia 30 de Janeiro, a sua cabeça será imediatamente pedida, por outras figuras do partido que sonham com a cadeira da liderança. Ninguém vai ter a paciência de esperar mais uma legislatura, pelo regresso ao poder.

(Este autor escreve de acordo com o antigo Acordo Ortográfico.)

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