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O elefante abandonou a loja de cristais
Opinião Portugal 2 min. 13.12.2021
Demissão de Cabrita

O elefante abandonou a loja de cristais

O ex-ministro da Administração Interna portuguesa, Eduardo Cabrita, discursa durante a cerimónia do 13º aniversário da Unidade de Controlo Costeiro da GNR em Setúbal, em outubro de 2021.
Demissão de Cabrita

O elefante abandonou a loja de cristais

O ex-ministro da Administração Interna portuguesa, Eduardo Cabrita, discursa durante a cerimónia do 13º aniversário da Unidade de Controlo Costeiro da GNR em Setúbal, em outubro de 2021.
Foto: Rui Minderico/Lusa
Opinião Portugal 2 min. 13.12.2021
Demissão de Cabrita

O elefante abandonou a loja de cristais

Sérgio FERREIRA BORGES
Sérgio FERREIRA BORGES
O ministro da Administração Interna revelou-se sempre incapaz de resolver os casos que lhe foram surgindo.

Foi incapaz de se segurar mais umas semanas, até ao início da nova legislatura. Eduardo Cabrita, com palavras embaraçadas e de cabeça baixa, deixou finalmente o Governo.

O ministro da Administração Interna revelou-se sempre incapaz de resolver os casos que lhe foram surgindo. Foi nomeado para substituir Constança Urbano de Sousa que teve uma prestação baixa, na condução da luta contra os incêndios de Pedrogão. E começou da pior maneira. Alimentou uma polémica estéril com o presidente da Liga dos Bombeiros, quando tudo recomendava o silêncio, perante um homem prolixo que nunca poupa nas palavras, apesar de raramente ter razão.

E quando o fogo cruzado de palavras estava no auge, o Ministério apareceu a distribuir umas golas que deviam proteger os cidadãos, contra a inalação de fumos. Vai-se a ver, as golas eram inflamáveis e em vez de reduzirem os riscos, aumentavam-nos, podendo alimentar combustões perigosas, ou mesmo letais. Eduardo Cabrita não assumiu o erro, mais tarde reconhecido, com a demissão de um secretário de Estado.


Portugal. Ministro Eduardo Cabrita demitiu-se
Ministro da Administração Interna pediu a exoneração do cargo ao Primeiro-Ministro, António Costa, no dia em que o motorista do carro em que seguia foi acusado de homicídio por negligência.

Ainda este escândalo fumegava e já Cabrita estava envolvido noutro. Um cidadão ucraniano foi morto no Aeroporto de Lisboa, por agentes do SEF, aparentemente, por desobedecer às ordens daquela força policial, quando pretendia entrar ilegalmente em Portugal.  

A força usada por três agentes foi desproporcional à perigosidade de Ihor Homeniuk que não resistiu a tanta violência. O ministro mandou abrir um inquérito, mas muito depois dos acontecimentos e, sobretudo, muito depois de iniciada a polémica. Agiu tarde demais.  

O ministro mandou abrir um inquérito, (…) muito depois de iniciada a polémica. Agiu tarde demais.

 Logo a seguir, ordenou a requisição civil de um aldeamento turístico na região de Odemira, para alojar emigrantes. Fez isto sem consultar previamente os proprietários.


Eduardo Cabrita demitiu-se esta sexta-feira do cargo de ministro da Administração Interna, seis meses depois do acidente mortal provocado pelo carro em que seguia.
Cabrita, um mandato de polémicas. Das golas antifumo, ao caso Ihor e aos festejos do Sporting
E ainda o surto de covid-19 entre trabalhadores migrantes em Odemira ou a ameaça da Altice em desligar o sistema de comunicações SIRESP. A demissão de Cabrita surgiu agora, no dia em que o MP acusou de homicídio por negligência o motorista do carro onde seguia o ministro. Sai para não "penalizar" o Governo.

Vieram depois os festejos da vitória do Sporting na liga de futebol. A PSP elaborou um plano de contingência que submeteu ao ministro. Mas ele desprezou-o, autorizando os festejos, sem levar em linha de conta as recomendações da polícia. Resultado: aumentaram as infecções, por coronavírus.

A 18 de Junho, Cabrita regressava a Lisboa, pela A6 e o seu carro, em claro desrespeito pelos limites de velocidade, atropelou mortalmente um trabalhador que se ocupava das obras de manutenção que ali decorriam. O ministro escusou-se a fazer comentários, permitindo que se levantasse uma espessa onda de suspeição.

Com o motorista já constituído arguido, veio dizer que era apenas um passageiro. Não caiu o Carmo, nem a Trindade. Mas caiu ele. Finalmente, o elefante abandonou, pelo seu pé, a loja de cristais.

(Este autor escreve de acordo com o antigo Acordo Ortográfico.)

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