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O crime do fogo posto em Portugal
Opinião Portugal 2 min. 18.07.2022
Incêndios

O crime do fogo posto em Portugal

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O crime do fogo posto em Portugal

Foto: Rosa Veiga/Europa Press/dpa
Opinião Portugal 2 min. 18.07.2022
Incêndios

O crime do fogo posto em Portugal

Sérgio FERREIRA BORGES
Sérgio FERREIRA BORGES
E assim, sem surpresa, quarta-feira amanheceu com o sacrilégio das fogueiras e notícias que se foram agravando ao longo do dia.

É tão previsível como os santos populares, os festejos dos padroeiros das nossas aldeias, os banhos de mar que nos refrescam, ou a Volta a Portugal em bicicleta. Falo dos fogos florestais que nos massacram em cada Verão.

As temperaturas registadas na última semana atingiram valores recorde e, com isso, já se adivinhava que as matas portuguesas fossem fustigadas pelos incêndios, cuja origem ainda ninguém conseguiu explicar de forma convincente. Também são poucos os que procuram explicações, de tão habituados que estão a esta desgraça.

De véspera, ouvindo o Presidente da República e o primeiro-ministro sabia-se que o flagelo era previsível. Mas nada se fez para lhe reduzir os efeitos, para além de pedir todas as precauções às pessoas, sobretudo, às que habitam as zonas mais problemáticas, junto das florestas.

E assim, sem surpresa, quarta-feira amanheceu com o sacrilégio das fogueiras e notícias que se foram agravando ao longo do dia. Tudo igual, como em anos anteriores.

(...) a bondade do sistema judicial é imensa e não ajuda a resolver o problema.

O fenómeno dura desde 1975. Nessa altura, os poderes instituídos imputavam todas as culpas aos fumadores que, segundo as acusações, atiravam para o mato os restos mortais dos cigarros, ainda incandescentes. Esta desculpa, sem grande credibilidade, durou muito tempo.

A partir do momento em que se tornou insustentável, vieram outras razões, como os interesses egoístas da construção civil e de alguns proprietários florestais que queriam urbanizar terrenos pertencentes à reserva ecológica.

Seguiram-se outros interesses, como os dos madeireiros que compravam a madeira queimada a preços da uva diurética, para depois a revenderem a preços de luxo.

Avulsamente, comprovaram-se algumas destas razões, mas nunca em número capaz de justificar as proporções do fenómeno e as imensas áreas ardidas.

Aparentemente, tudo não passa de um simples caso de polícia. Atente-se nestes números retirados da imprensa. A Polícia Judiciária tem uma lista de suspeitos, com 700 nomes. Nas cadeias portuguesas existem 52 reclusos, a cumprir penas por fogo posto. Há mais 183 condenados que gozam de liberdade condicional, ou pena suspensa. Finalmente, há o registo de 21 criaturas condenadas, mas que andam por aí, com pulseira electrónica. 

Como por aqui se vê, a bondade do sistema judicial é imensa e não ajuda a resolver o problema.

É urgente agravar as molduras penais para o crime do fogo posto. Já não se aceita o estafado argumento de que a cadeia não resolve a questão. Talvez não. E eu acrescento que também não contribui para a reabilitação do cidadão. Mas enquanto está detido, suspende a sua actividade criminosa. E isso é indispensável.

(Autor escreve de acordo com a antiga ortografia.)

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