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Nove em cada 10 portugueses só sai de casa em situação de "absoluta necessidade"
Portugal 2 min. 26.03.2020

Nove em cada 10 portugueses só sai de casa em situação de "absoluta necessidade"

Nove em cada 10 portugueses só sai de casa em situação de "absoluta necessidade"

Foto: AFP
Portugal 2 min. 26.03.2020

Nove em cada 10 portugueses só sai de casa em situação de "absoluta necessidade"

Lusa
Lusa
Cerca de 83% confessam que já se sentiram tristes ou ansiosos devido ao isolamento social necessário para combater a pandemia de covid-19.

Nove em cada dez inquiridos num estudo divulgado hoje dizem só sair de casa quando é absolutamente necessário e 83% confessam que já se sentiram tristes ou ansiosos devido ao isolamento social necessário para combater a pandemia de covid-19.

O Barómetro Covid-19, uma parceria Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP)/Expresso, é um projeto de investigação que acompanha a evolução da pandemia em Portugal e cujos primeiros resultados foram divulgados hoje.

Para isso, foi lançado no dia 21 de março um questionário online para avaliar semanalmente, a perceção dos cidadãos quanto ao risco, capacidade de resposta das autoridades e dos serviços de saúde, cumprimento das medidas decretadas e impactos no quotidiano individual.

Os resultados da “Semana 1 do inquérito”, que decorreu entre 21 e 26 de março e que contou com 100.000 respostas, revelam que cerca de 92% das pessoas dizem estar em casa e só saírem em caso de “absoluta necessidade”, com as as mulheres (65%) e os inquiridos maiores de 65 anos (97,7%) em destaque.

A maior parte dos participantes no inquérito (51,7%) afirmou estar “confiante” ou “muito confiante” na capacidade de resposta dos serviços de saúde, com os maiores de 65 anos a liderar este resultado (73,5%), refere a ENSP em comunicado.

Cerca de 83% confessam que já se sentiram “em baixo, agitados, ansiosos ou tristes devido às medidas de distanciamento físico”, sendo que mais de 26% reportou sentir-se desta forma diariamente ou quase todos os dias, com destaque para as mulheres (67,5%).

Ao analisar os dados por faixas etárias, observa-se uma diferença entre as pessoas acima dos 65 anos, que referem nunca experienciar estes sentimentos, e os mais novos, entre os 16 e os 25 anos, que confessam ter estes sentimentos todos os dias.

Os dados indicam também que cerca de 40% dos inquiridos dizem ter receio que exista uma interrupção do fornecimento de bens de primeira necessidade devido à situação atual, numa proporção semelhante entre homens e mulheres e uma distribuição equilibrada entre grupos etários.

No que se refere ao receio de perder o rendimento devido à situação atual relacionada com a covid-19, 60% dos participantes confessaram estar receosos com esta situação. Apenas o grupo etário acima dos 65 anos reporta menos preocupação.

No total, responderam 63.129 mulheres (64.1%) e 35.285 homens (35.8%). Grande parte da amostra (48.767) situou-se no intervalo entre 26 e 45 anos, seguidos de 36.560 com idades entre os 36 e os 65 anos, 7.706 entre 16 e 25 anos e 5.473 com mais de 65 anos.

O objetivo do projeto é “seguir a opinião destas pessoas semanalmente, para perceber a evolução à medida que a epidemia decorre, para perceber o seu impacto nas perceções das pessoas”.

A Escola Nacional de Saúde Pública, que apela para a participação de todos no preenchimento do questionário, ressalva que “estes resultados dizem respeito a um questionário que está a ser aplicado online, pelo que existe a possibilidade de não alcançar todas as frações da população”.

“Estes resultados dizem respeito às primeiras respostas de um estudo que se encontra a decorrer, pelo que os resultados ainda devem ser interpretados com a cautela necessária”, sublinha, adiantando que “refletem apenas as respostas dos participantes, não devendo ser generalizados à população portuguesa”.

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