Escolha as suas informações

Nova bronca no Novo Banco
Opinião Portugal 2 min. 10.05.2021

Nova bronca no Novo Banco

Nova bronca no Novo Banco

Foto: AFP
Opinião Portugal 2 min. 10.05.2021

Nova bronca no Novo Banco

Sérgio FERREIRA BORGES
Sérgio FERREIRA BORGES
Este comportamento demonstra um insaciável apetite pelo dinheiro dos outros e, sobretudo, pelo dinheiro público.

A administração do quase falido Novo Banco exige para si prémios de gestão, no montante de 1,866 milhões de euros, num ano em que a instituição soma prejuízos de 1329 milhões. Faltam aqui duas coisas: dinheiro e, sobretudo, vergonha.

Está definitivamente instalado o sistema da cleptocracia, que permite aos gestores portugueses exigirem prémios faraónicos, quer as instituições que dirigem tenham bons, ou maus resultados.

Em tempos, denunciei aqui casos de gestores que, no primeiro ano de gestão, apresentavam resultados muito mais negativos, do que realmente eram. Isto tinha um objectivo capcioso. No ano seguinte, os resultados melhoravam e, à custa disso, eles exigiam prémios de gestão porque, como argumentavam, os resultados, apesar de negativos, tinham melhorado qualquer coisa.

Mas agora, já dispensam este expediente. Sejam quais forem os resultados, os gestores acham-se no direito de serem premiados. É a isto que eu chamo de cleptocracia.

Este comportamento demonstra um insaciável apetite pelo dinheiro dos outros e, sobretudo, pelo dinheiro público. Neste caso, assim é, porque tem sido o Estado, através do Fundo de Resolução, a recapitalizar o Novo Banco e a tapar os seus enormes buracos. Apesar de 75 por cento do banco pertencerem a um obscuro fundo, de nome Lone Star. 

Contudo, no contrato de venda do banco, celebrado entre o Fundo de Resolução e o Lone Star, a 31 de Março de 2017, há um clausulado que obriga a primeira daquelas entidades a acorrer às aflições financeiras do banco. E, evocando este preceito contratual, António Ramalho, o presidente do banco, tem pedido, ou exigido, dinheiro ao Estado português, sem pejo, de qualquer espécie.

Com actuações deste tipo, António Ramalho provoca estragos reputacionais irreversíveis no banco.

Na última semana, quando surgiu a notícia desta desvergonha, o Presidente da República pediu "bom senso", à administração do banco. Era o mínimo que Marcelo Rebelo de Sousa podia fazer. Mas talvez já não vá a tempo de evitar o pior.

Com actuações deste tipo, António Ramalho provoca estragos reputacionais irreversíveis no banco. O mercado tem a sua confiança abalada e dificilmente a vai recuperar, pelo que, o futuro do Novo Banco nunca será melhor que este obscuro presente. Nenhum português confia o seu dinheiro ao Novo Banco.

António Ramalho é o arquétipo do que há de mais egoísta, na sociedade portuguesa. Exige para si aquilo que faz falta aos outros. Está mais preocupado com o seu próprio dinheiro, do que com o futuro da instituição a que preside. Ele vai sair do banco rico, e o banco vai sair dele pobre e falido.

(Este autor escreve de acordo com o antigo Acordo Ortográfico.)


Siga-nos no Facebook, Twitter e receba as nossas newsletters diárias.


Notícias relacionadas