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Museu da Resistência e da Liberdade projetado para Peniche
Portugal 3 min. 25.04.2019

Museu da Resistência e da Liberdade projetado para Peniche

Museu da Resistência e da Liberdade projetado para Peniche

Foto: F Nando/CC by -SA 3.0
Portugal 3 min. 25.04.2019

Museu da Resistência e da Liberdade projetado para Peniche

Exposição "Por teu Livre Pensamento" abre hoje como uma amostra do que vai ser o futuro museu.

O primeiro-ministro e a ministra da Cultura inauguram esta quinta-feira, na Fortaleza de Peniche, a exposição "Por teu livre pensamento", uma amostra do que vai ser o futuro Museu Nacional da Resistência e da Liberdade que aí vai surgir.

A instalação do museu era aguardada há 43 anos pelos antigos presos que por lá passaram ao longo de quase meio século da ditadura em Portugal. A Fortaleza de Peniche “é praticamente o único símbolo da resistência ao fascismo”, disse Domingos Abrantes, o preso político que mais anos esteve encarcerado, à agência Lusa.

O histórico comunista, membro do comité central do PCP e Conselheiro de Estado, recordou uma resolução do Conselho de Ministros de 1976, em que o Governo da altura decidia que nesse espaço seria erguido um museu nacional. “Passaram 43 anos e não podemos deixar de nos interrogar porque é que não temos o museu. Não foi por acaso e foi deliberado”, lançou Domingos Abrantes.

Depois de vários projetos, após pressão da Assembleia da República na sequência de manifestações contra a inclusão do monumento na lista do património a concessionar pelo Estado para fins turísticos, em abril de 2017, o Governo optou por investir 3,5 milhões de euros na instalação do Museu Nacional da Resistência e da Liberdade.

“Ainda não temos o museu, mas agora o processo é irreversível”, concluiu o antigo preso, satisfeito com o desfecho “feliz” da luta entre 2016 e 2017 para travar que aquelas paredes e edifícios prisionais, pejados de memórias vivas de presos e respetivas famílias que por lá passaram, fossem demolidos ou utilizados para dar lugar a um hotel de luxo. “De todos os símbolos do fascismo só restava este, e este esteve também ameaçado de desaparecer e o facto de estar de pé é uma conquista”, sublinhou o resistente antifascista.

“Hoje é uma grande alegria chegar aqui, 45 anos depois, e ver os edifícios a serem pintados e a ser recuperados para serem parte integrante do futuro museu”, afirmou José Pedro Soares, outro dos antigos presos que ainda se encontram vivos. De lágrimas nos olhos, para este antigo preso político “é muito importante perpetuar para o futuro e sobretudo para as novas gerações o que foi o fascismo e a luta pela liberdade e haver esse testemunho para memória futura”.

Ambos consideraram que as palavras “resistência” e “liberdade” não podem estar dissociadas, pois o 25 de Abril de 1974, conhecido também como a Revolução dos Cravos, “não teria existido sem os 48 anos de resistência”.

Dos cerca de 2.400 presos que estiveram em Peniche e que, no próximo dia 25 de abril, vão ver erguido um memorial com todos os seus nomes gravados, restam cerca de 50 sobreviventes. Neste sentido, defenderam a necessidade de um museu para preservar a memória desse período da História de Portugal e recordá-lo às novas gerações.

O futuro Museu Nacional da Resistência e Liberdade vai ter um quadro de 40 funcionários, disse ontem, em Peniche, a ministra da Cultura, Graça Fonseca.

“Este museu vai ter um quadro previsto de 40 funcionários e a Direção-Geral do Património Cultural já iniciou, há algumas semanas, um processo de entrevista de trabalhadores para ir preenchendo os lugares previstos”, afirmou.

A fortaleza, classificada como Monumento Nacional desde 1938, foi uma das prisões políticas da ditadura fascista de onde se conseguiu evadir o histórico secretário-geral do PCP, Álvaro Cunhal, entre outros, em 1960, protagonizando um dos episódios mais marcantes do combate ao regime ditatorial.

Com Lusa

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