Escolha as suas informações

Morreu e não deu por nada!
Opinião Portugal 2 min. 24.05.2021

Morreu e não deu por nada!

Santana Lopes fundou o partido Aliança em 2018, cuja liderança viria a abandonar algum tempo depois.

Morreu e não deu por nada!

Santana Lopes fundou o partido Aliança em 2018, cuja liderança viria a abandonar algum tempo depois.
Foto: Lusa
Opinião Portugal 2 min. 24.05.2021

Morreu e não deu por nada!

Sérgio FERREIRA BORGES
Sérgio FERREIRA BORGES
(…) o partido vetou-o (Santana Lopes) e, depois, desprezou-o, com toda a inclemência que existe na política.

Pedro Santana Lopes ainda não percebeu que a sua carreira política acabou e que não será mais uma derrota que o ressuscitará. Por isso, está a regar o corpo com gasolina, para se candidatar à presidência da Câmara da Figueira da Foz.

Em política, há imprevistos, mas não há milagres. Santana Lopes vai pelos seus próprios meios concorrer à Câmara de Figueira da Foz, única hipótese que lhe resta para alimentar esperanças, num milagre. O seu grande sonho seria a conquista da presidência do PSD e, a partir daí, chefiar de novo o governo de Portugal. Mas isso falhou, o partido vetou-o e, depois, desprezou-o, com toda a inclemência que existe na política.

Ele quis ripostar, formando um partido que não passou de um nado-morto, teve uma efémera existência que passou despercebida à maioria dos portugueses. E o presidente-fundador foi o primeiro a abandonar o Aliança. Saiu pela porta dos fundos, aproveitando um momento em que todas as luzes estavam apagadas.

Sem grande vergonha, tentou a reaproximação ao PSD que abandonara pouco tempo antes. Rui Rio ainda lhe deu conversa, para lhe sondar os desejos. E Santana ofereceu-se para ser candidato a uma câmara municipal, nas eleições do próximo Outono. A de Lisboa vinha mesmo a calhar, satisfazia-lhe as vontades.

A conversa com Santana Lopes foi-se esgotando, mesmo quando ele se propôs regressar à Figueira da Foz.

Rio foi cauteloso e os órgãos lisboetas do PSD também. Santana seria derrota certa e o partido tinha de tentar o contrário, uma vitória que ajude a salvar o líder. Coimbra foi o destino seguinte. Percebia-se já o isolamento em que ele se encontrava. Aqui, já nem sequer tinha interlocutores, para um pé-de-orelha sobre o assunto.

A conversa com Santana Lopes foi-se esgotando, mesmo quando ele se propôs regressar à Figueira da Foz. Ninguém lhe deu troco e ele decidiu avançar apoiado num pequeno grupo de apaniguados que se reclamam de independentes.

Toda gente recordou de imediato as dívidas que Santana Lopes fez, quando foi presidente da Câmara, entre 1998 e 2001. À chegada, encontrou um passivo inferior a 10 milhões de euros. Quando de lá saiu, o passivo tinha aumentado para quase 42 milhões. Fazendo contas, percebe-se que a campanha eleitoral para a Câmara de Lisboa que Santana desenvolveu, enquanto foi presidente da Figueira da Foz, custou aos contribuintes qualquer coisa à volta dos 32 milhões de euros.

A maioria das obras que fez, mais espectaculares que uteis, estão hoje a apodrecer, algumas mesmo sem funcionamento que se veja. E se percorrermos as freguesias do interior, percebe-se que Santana Lopes nunca andou por lá.

Gasolina no corpo já ele tem. Só falta alguém para acender o isqueiro. 

(Este autor escreve de acordo com o antigo Acordo Ortográfico.)


Siga-nos no Facebook, Twitter e receba as nossas newsletters diárias.