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Moeda(s) ao ar!
Editorial Portugal 2 min. 28.02.2021

Moeda(s) ao ar!

Pormenor da ponte 25 de Abril em Lisboa.

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Pormenor da ponte 25 de Abril em Lisboa.
Foto: Lusa
Editorial Portugal 2 min. 28.02.2021

Moeda(s) ao ar!

Sérgio FERREIRA BORGES
Sérgio FERREIRA BORGES
Carlos Moedas pode obter uma votação superior a 31%. Um resultado que não chega para ganhar, porque os socialistas obtiveram 42%.

Carlos Moedas aceitou o desafio de se candidatar à Câmara de Lisboa e Rui Rio suspirou de alívio. As contas são fáceis de fazer e permitem pensar numa vitória.

Em 2017, a candidata social-democrata foi Teresa Leal Coelho e, como se previa, não foi além de uns modestos 11,22%, uma cifra que chegou a humilhar o então líder, Pedro Passos Coelho. Mas atenção, o CDS, com Assunção Cristas a liderar a candidatura, obteve uns surpreendentes 20,59%.

Em 2021, tudo o indica, os dois partidos vão concorrer coligados. E assim sendo, basta somar os dois resultados de 2017, para se perceber que Carlos Moedas pode obter uma votação superior a 31%. Um resultado que não chega para ganhar, porque os socialistas obtiveram 42%.

Mas a tendência dos socialistas é de queda, já que, em 2017, ficaram aquém da tão desejada maioria absoluta, alcançada nas eleições de 2013, por António Costa. E é nessa tendência que Carlos Moedas acredita, para poder superar Fernando Medina.

Em 2017, o eleitorado ainda sofria os efeitos da troika e da política de austeridade, executada pelo PSD. Havia, por essa razão, a tentação de penalizar o partido. Hoje, a situação é diferente, embora o PS continue a liderar todas as sondagens, para umas eventuais eleições legislativas. Mas, até ao Outono, tudo se pode alterar. É quase certo que a pandemia vai agravar a crise económica e o PS pode vir a sofrer, com os estados de alma que isso provocará no eleitorado. Além disso, no PS existe a consciência de que Fernando Medina não é um candidato com carisma e, por isso, não cria empatia com o eleitorado, tão necessária para vencer umas eleições locais.

Carlos Moedas parte para esta corrida, na disposição de explorar as fraquezas do adversário. Mas nem ele próprio sabe se tem mais carisma que Medina, porque nunca se sujeitou a qualquer escrutínio. Será uma estreia absoluta, um salto no escuro, com resultados imprevisíveis.

Certo é que, assim que o desconfinamento abra algumas brechas, Moedas vai para a rua, para se dar a conhecer e para tentar cativar simpatias que tanta falta lhe fazem. E ao seu lado vai ter grandes figuras do partido.

Com o tempo, vai-se perceber que tipo de ambições tem Carlos Moedas. Deixar a administração da Fundação Gulbenkian, onde era apontado como futuro presidente, para se candidatar à presidência da Câmara de Lisboa, num quadro particularmente hostil, é qualquer coisa difícil de explicar.

Alguns dos seus próximos dizem que ele está sobretudo interessado em derrotar o Chega e o seu líder, André Ventura. Sente o perigo que a extrema-direita representa para o PSD e quer assumir essa batalha. Carlos Moedas pretende derrotar Fernando Medina e André Ventura, num mesmo combate.

Mas também lhe são atribuídas aspirações, dentro do PSD. Isto quer dizer que a Câmara de Lisboa será apenas uma escala, numa viagem mais longa que terminará na chefia do governo. A confirmar-se este desejo, isso significa que Pedro Passos Coelho estará completamente desinteressado de um eventual regresso à liderança do partido e à chefia do executivo. Ambos são amigos e nenhum seria capaz de trair o outro.

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