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Ministério do Ambiente não proíbe método de apanha da azeitona que mata milhares de aves
Portugal 2 min. 10.07.2020

Ministério do Ambiente não proíbe método de apanha da azeitona que mata milhares de aves

Ministério do Ambiente não proíbe método de apanha da azeitona que mata milhares de aves

Foto: Wikipedia
Portugal 2 min. 10.07.2020

Ministério do Ambiente não proíbe método de apanha da azeitona que mata milhares de aves

Estudo confirma que este método "provoca de forma significativa a mortalidade de aves". Ambientalistas portugueses querem ver proibida esta prática que mata milhares de aves todos os anos.

Um estudo desenvolvido em Portugal pelo Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária (INIAV) a pedido do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) confirma aquilo que era já evidente. "A apanha mecânica noturna em olivais superintensivos provoca de forma significativa a mortalidade de aves" e "as medidas de mitigação testadas" revelaram-se "ineficazes”, referem os investigadores.

Entretanto, ambientalistas da Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA) querem ver esta prática proibida, mas o ICNF diz apenas que a confederações do sector suspenderam a prática e que vai reforçar a fiscalização, de acordo com o Expresso.

De acordo com a autoridade nacional em conservação da natureza, o estudo (feito durante a campanha de 2019/2020) indica também que "as medidas de mitigação testadas, como o espantamento, se revelaram ineficazes”. Com base nestes dados, o ICNF diz que “a continuidade” desta prática “será alvo de ação sancionatória nos termos da lei”, mas nada adianta sobre a sua proibição efetiva, acrescenta o mesmo jornal.

No comunicado, diz que as organizações deste setor “estão cientes da gravidade desta prática nefasta às aves” e que, por isso, “a Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP), a Confederação Nacional das Cooperativas Agrícolas e do Crédito Agrícola de Portugal (Confragri), a Casa do Azeite e a Associação de Olivicultores do Sul (Olivum) decidiram suspender a colheita noturna mecanizada da azeitona na próxima campanha, a iniciar em outubro”.

Mas esta decisão “não resolve o problema a 100%”, afirmou Domingos Leitão ao Expresso. Para este SPEA “devia haver uma proibição taxativa de uso das máquinas durante a noite”, já que sem tal decisão "a GNR vai continuar a enfrentar um dilema, já que não pode mandar parar as máquinas se não encontrar aves mortas”. E por outro lado, adverte, “há olivicultores que não pertencem a essas confederações e não seguem as suas recomendações”.

Os dados do Ministério do Ambiente não indicam a estimativa de aves mortas por campanha de apanha de azeitona mas estudos anteriores apontavam para a possibilidade de as máquinas usadas no olival superintensivo matarem entre 70 mil e 100 mil aves por ano, já que sugam as azeitonas e em simultâneo as pequenas aves que dormem nos ramos das oliveiras.

De acordo com o Expresso, em duas ações de fiscalização do Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente da Guarda Nacional Republicana (SEPNA/GNR) realizadas numa única exploração no distrito de Portalegre, entre final de 2018 e início de 2019, detetaram 375 aves mortas. Entre estas contavam-se espécies protegidas por lei como o verdilhão, o tordo-comum, a milheirinha ou a toutinegra.

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