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Militares portugueses seriam usados como "correio" em tráfico de diamantes para a Europa
Portugal 4 min. 08.11.2021 Do nosso arquivo online
Operação Miríade

Militares portugueses seriam usados como "correio" em tráfico de diamantes para a Europa

Operação Miríade

Militares portugueses seriam usados como "correio" em tráfico de diamantes para a Europa

Foto: Lusa
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Operação Miríade

Militares portugueses seriam usados como "correio" em tráfico de diamantes para a Europa

Lusa
Lusa
Dez pessoas já foram detidas nas buscas em várias cidades portuguesas. Militares terão utilizado meios aéreos das missões da ONU para transportar diamantes para a Bélgica.

Alguns militares portugueses em missões na República Centro-Africana podem ter sido utilizados como "correios no tráfego de diamantes, ouro e estupefacientes", revelou esta segunda-feira o Estado-Maior-General das Forças Armadas, adiantando que o caso foi reportado em 2019. 

Segundo a SIC Notícias, os militares terão utilizado meios aéreos das missões ao abrigo da Nações Unidas para fazer o transporte destes produtos para a Europa. O destino final era Antuérpia, na Bélgica.  

As autoridades portuguesas confirmam até agora a execução de 100 mandados de busca e 10 detidos no âmbito da Operação Miríade. As investigações prosseguem durante esta segunda-feira e contam com a participação de cerca de 320 inspetores e peritos em todo o país, incluindo Lisboa, Funchal, Bragança, Porto de Mós, Entroncamento, Setúbal, Beja e Faro.

Em causa está a investigação a uma rede criminosa com ligações internacionais e que "se dedica a obter proveitos ilícitos através de contrabando de diamantes e ouro, tráfico de estupefacientes, contrafação e passagem de moeda falsa, acessos ilegítimos e burlas informáticas", com vista ao branqueamento de capitais.  

Em comunicado, o Estado-Maior-General das Forças Armadas (EMGFA) revela que "o que está em causa de momento é a possibilidade de alguns militares que participaram nas FND [Força Nacional Destacada], na RCA, terem sido utilizados como correios no tráfego de diamantes, ouro e estupefacientes" e que "estes produtos foram alegadamente transportados nas aeronaves de regresso das FND a território nacional".


Militares portugueses detidos por tráfico de droga, diamantes e ouro
Polícia Judiciária está a realizar buscas em todo o país e 12 pessoas já terão sido detidas.

De acordo com a nota do EMGFA, "em dezembro de 2019 foi reportado ao Comandante da 6ª Força Nacional Destacada (FND), na República Centro Africana (MINUSCA), o eventual envolvimento de militares portugueses no tráfico de diamantes". "O comandante da FND relatou prontamente ao EMGFA a situação, tendo esta sido de imediato denunciada à Polícia Judiciária Militar (PJM) para investigação. A PJM fez a respetiva denúncia ao Ministério Público que nomeou como entidade responsável pela investigação a Polícia Judiciária", explicou.

Além da denúncia imediata, o EMGFA "mandou reforçar os procedimentos de controlo e verificação à chegada dos militares das FND e respetivas cargas". De acordo com o organismo, "os inquéritos militares e respetivas consequências estão pendentes das investigações em curso, com o cuidado de não interferir neste processo, ainda em segredo de justiça".

O EMGFA assegura que uma vez esclarecido o caso as Forças Armadas tomarão as medidas necessárias "sendo absolutamente intransigentes com desvios aos valores e ética militar". E sublinha ainda o repúdio total das Forças Armadas de "comportamentos contrários aos valores da Instituição Militar".

Cravinho diz ter informado ONU das suspeitas

O ministro da Defesa revelou também ter informado as Nações Unidas, em 2020, das suspeitas de tráfico que recaíam sobre alguns militares portugueses em missão na República Centro-Africana, garantindo que estes já não se encontravam naquele território.

“Informei [a ONU] de que a denúncia tinha ocorrido, que o assunto tinha sido encaminhado para as nossas autoridades judiciais e que todos os elementos pertinentes tinham sido entregues para investigação judiciária. E também, naturalmente, que os militares sob suspeita já não estavam na RCA e que portanto podiam ter toda a confiança em relação às nossas Forças Armadas como sempre tiveram”, adiantou João Gomes Cravinho, em declarações à agência Lusa.

Gomes Cravinho disse ter sido informado sobre as suspeitas de tráfico de diamantes e ouro em missões na República Centro-Africana por militares portugueses em dezembro de 2019 pelo Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas (CEMGFA), almirante António Silva Ribeiro, que lhe falou da sua intenção de comunicar à Polícia Judiciária Militar (PJM) os casos.

Já “nos primeiros meses” de 2020, o ministro disse ter informado a ONU da situação.

O governante garantiu ainda que “aqueles cujos nomes tinham sido indicados como suspeitos já não regressaram à RCA em missões posteriores”, vincando que “os militares denunciados já não estavam na RCA na altura da denúncia”. Questionado sobre a possível dimensão do caso, o ministro adiantou que a informação que lhe foi dada em dezembro de 2019 "dizia respeito a dois militares".

"Eu hoje [segunda-feira, 8 de novembro] vejo pelas notícias que houve 10 militares ou ex-militares que foram detidos, mas não tenho mais informação do que isso. Tudo indica que se trata de atividades assumidas a título individual por alguns militares e não por algo que tenha qualquer tipo de natureza sistémica", sustentou.

João Gomes Cravinho indicou que, para já, estão em causa apenas suspeitas, apesar de considerar "profundamente lamentável que haja este tipo de alegações em relação a militares portugueses”.

“Muito importante também sublinhar que os procedimentos estabelecidos para lidar com este tipo de situação, com desvios de natureza criminal nas Forças Armadas, esses procedimentos foram entabulados de imediato, ou seja, tendo havido denúncias de irregularidades, essas denúncias foram imediatamente encaminhadas para a Polícia Judiciária Militar, que por sua vez fez o seu trabalho”, adiantou.

(Notícia atualizada às 18:19)

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