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Milhares desfilam em Lisboa para lembrar "revolução dos cravos"
Portugal 10 4 min. 25.04.2018

Milhares desfilam em Lisboa para lembrar "revolução dos cravos"

Manifestação comemorativa dos 44 anos da Revolução de 25 de abril na avenida da Liberdade, em Lisboa, 25 de abril de 2018. TIAGO PETINGA/LUSA

Milhares desfilam em Lisboa para lembrar "revolução dos cravos"

Manifestação comemorativa dos 44 anos da Revolução de 25 de abril na avenida da Liberdade, em Lisboa, 25 de abril de 2018. TIAGO PETINGA/LUSA
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Portugal 10 4 min. 25.04.2018

Milhares desfilam em Lisboa para lembrar "revolução dos cravos"

Milhares de pessoas participam hoje à tarde em Lisboa, no tradicional desfile popular do 25 de abril para assinalar os 44 anos da "revolução dos cravos".

Milhares de pessoas participam hoje à tarde em Lisboa, no tradicional desfile popular do 25 de abril para assinalar os 44 anos da "revolução dos cravos".

A liderar o desfile, que saiu do Marquês de Pombal por volta das 15:45 (mais uma hora no Luxemburgo) rumo ao Rossio, está a chaimite da Associação 25 de abril que todos os anos marca o ritmo da marcha.

De cravo ao peito ou na mão são várias as gerações que participam no desfile que, este ano, junta pela primeira vez polícias e militares em protesto pelo congelamento das carreiras.

Ao som de músicas de intervenção como Grândola Vila Morena, os participantes gritam palavras de ordem como "Fascismo nunca mais, 25 de abril sempre" e "Abril está na rua, a luta continua", entre bandeiras de sindicatos e partidos como o Bloco de Esquerda, o PCP ou o Livre, ou cartazes feitos por cidadãos que participam na iniciativa.

Além do secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa e da coordenadora do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, está também presente no desfile popular, o ex-ministro das Finanças grego, Yanis Varoufakis

Organizado pela Associação 25 de Abril, este ano a iniciativa tem o lema "Abril de novo, com a força do Povo".

PCP celebra "ato mais avançado da história" e BE avanço do estado social


O PCP considerou hoje que o 25 de Abril foi "o ato e o processo mais avançado" da história contemporânea, enquanto o Bloco de Esquerda defendeu que é preciso assegurar o direito à saúde, habitação, educação e cultura.

Em declarações aos jornalistas, Jerónimo de Sousa afirmou que esta manifestação popular demonstra que "a revolução de Abril foi o ato e o processo mais avançado da nossa história contemporânea" e "o povo português reflete isso com esta participação magnífica".

"Quarenta e quatro anos passados, a dimensão desta manifestação e de outras confirma que estamos perante esse ato tão importante na vida da história de Portugal e dos portugueses", disse o secretário-geral do Partido Comunista Português.

Por sua vez, Catarina Martins sublinhou que assinalar os 44 anos do 25 de Abril é celebrar "o enorme avanço e progresso que foi o estado social", nomeadamente a criação do Serviço Nacional de Saúde, da escola pública e da Segurança Social.

No entanto, sustentou que também é preciso perceber o que ficou por fazer e o que deve ser feito, tendo em conta que há direitos essenciais que têm que ser reforçados.

"A precariedade não está só no trabalho, mas temos que a resolver pois temos o maior número de contratos a prazo da Europa, temos que ter emprego estável com direitos. Na habitação vivemos uma situação de especulação imobiliária que está a negar os direitos mais básicos, deve ser uma prioridade acabar com os despejos", disse a coordenadora do BE.

Catarina Martins afirmou também que é preciso defender a saúde e a escola pública.

"Depois de tantos anos de progresso, temos um sistema privado que está a viver da sangria dos recursos do Serviço Nacional de Saúde", disse ainda.

Presidente da República agradece a Mário Soares a liberdade de que todos gozam

A inauguração do Jardim Mário Soares ficou hoje marcada pelas homenagens do primeiro-ministro e do chefe do Estado ao antigo Presidente da República, que sublinhou que todos lhe devem a liberdade até os que não lha agradecem.

“É bom que a liberdade tenha um nome, é bom que esse nome retrate uma vida”, disse Marcelo Rebelo de Sousa, afirmando que “de parabéns” está a Câmara Municipal de Lisboa e “os lisboetas” que, como o Presidente da República, “agradecem a Mário Soares a liberdade de que gozam”.

“E até os muitíssimo menos que ainda não agradecem, porque mesmo esses só podem dizer o que dizem por viver em liberdade, aquela liberdade que foi a causa da vida de Mário Soares”, disse o chefe do Estado.

Para Marcelo Rebelo de Sousa, “sem memória é tentador esquecer a liberdade” e o jardim do Campo Grande, que beneficiou de obras de remodelação e agora foi designado de Jardim Mário Soares, “equivale a jardim da liberdade”.

O primeiro-ministro, António Costa, o presidente da Assembleia da República, Ferro Rodrigues, o presidente da Câmara Municipal, Fernando Medina, e Isabel Soares, filha do antigo presidente, que morreu em 2017, discursaram no espaço onde ficará um púlpito, no ponto do jardim mais próximo da casa onde viveu Mário Soares.

A placa com a inscrição “Jardim Mário Soares - fundador da democracia portuguesa, Presidente da República e Primeiro-ministro, 1924-2017” ficou instalada no extremo sul do Jardim, em Entrecampos.

No percurso a pé desde Entrecampos até ao púlpito, rodeado por António Costa, Ferro Rodrigues, Fernando Medina, vários deputados do PS, elementos do executivo municipal, a maioria de cravo vermelho na lapela ou na mão, Marcelo Rebelo de Sousa não quis comentar o veto do Tribunal Constitucional divulgado terça-feira, após instado a pronunciar-se sobre o "cartão vermelho" do TC a normas do diploma sobre a gestação de substituição.

"Vermelhos, hoje, só vejo os cravos do 25 de Abril", disse Marcelo Rebelo de Sousa.

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