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Menina de 12 anos morre após ter tido alta nas urgências da CUF Almada
Portugal 4 min. 04.01.2020 Do nosso arquivo online

Menina de 12 anos morre após ter tido alta nas urgências da CUF Almada

Menina de 12 anos morre após ter tido alta nas urgências da CUF Almada

Portugal 4 min. 04.01.2020 Do nosso arquivo online

Menina de 12 anos morre após ter tido alta nas urgências da CUF Almada

Paula SANTOS FERREIRA
Paula SANTOS FERREIRA
Leonor entrou cheia de dores no hospital mas a médica achou que podia ser uma “chamada de atenção”. Foi para casa e no dia seguinte a menina morreu.

É Xana Martinho, a própria mãe da menina, quem conta como tudo se passou na sua página do Facebook. Porque é-lhe doloroso estar a repetir como a sua filha de 12 anos acabou por falecer, domingo antes do Natal, depois de uma ida às urgências do Hospital da Cuf no Monte da Caparica.

Sábado 21 de dezembro, a menina entrou cheia de dores nas costas, e com a pulseira laranja, a segunda mais grave, mas a “médica nem a camisola lhe tirou”. Deu-lhe a mesma medicação que estava a tomar, mas por via intravenosa e mandou-a para casa. Achou que os gritos de Leonor, não eram dores, mas uma “chamada de atenção”, possíveis “problemas psicológicos”.

Leonor viria a falecer no dia seguinte no Hospital Garcia da Orta. As causas da morte ainda são desconhecidas. Só os resultados da autópsia o dirão.

Do lado do grupo privado de saúde já foi aberto um inquérito interno no hospital e a pediatra que atendeu a menina na segunda vez está suspensa de funções até se saber a causa da morte.

Nunca acreditem em dores psicológicas

O que mais revolta esta mãe é a pediatra da urgência não ter pedido a realização de qualquer exame à sua filha que se queixava com tanta dor. Por isso, deixa o alerta.

“Pelo amor de Deus, nunca acreditem que os vossos filhos ou netos têm dores psicológicas, sem lhes terem feito todos os exames possíveis e imaginários. Ainda não sei do que a minha filha faleceu e até pode ser algum problema que ainda não tivesse sido diagnosticado e a CUF até tem excelentes profissionais, mas é inadmissível a minha filha ter entrado com uma pulseira laranja nas urgências, e não lhe terem feito análises, uma TAC, um raio-x, o que fosse. E ainda me dizerem que era tudo psicológico”, escreve Xana Martinho, na sua página do Facebook.

Como tudo aconteceu

As dores de Leonor começaram na terça-feira antes das aulas terminarem, tendo a menina dito à mãe que se trataria de um mau jeito que tinha dado nas costas.

No dia seguinte continuava com dores e estava com febre, conta a mãe dizendo que a levou às urgências da CUF de Almada. Leonor foi atendida pela sua pediatra que estava de serviço. A médica “pediu análises à urina para despiste de infeção urinária e como estas estavam com valores normais, medicou-a para um problema muscular que deveria à partida desaparecer em três, no máximo 5 dias”.

A menina passou os dois dias seguinte deitada e já se sentia melhor. Só que sexta-feira piorou e as dores tornaram-se tão fortes que nem dormiu. Sábado de manhã a mãe levou-a de novo às mesmas urgências da CUF. Na triagem colocaram-se a pulseira laranja.

A segunda ida às urgências e os gritos de dor

“Fomos atendidas por uma pediatra que nem a camisola lhe mandou tirar. Mandou aplicar-lhe por via intravenosa, a medicação que ela tinha estado a tomar em casa: diazepam, paracetamol e cetorolac. A Leonor adormeceu quando estava a receber o tratamento (estava exausta), mas quando acordou começou novamente a gritar com dores”, conta a mãe.

A pediatra disse à mãe que a menina “não podia estar com tantas dores porque o que tinha tomado era muito forte. Suspeitava que a situação fosse uma chamada de atenção”, problemas psicológicos "próprios da adolescência" e aconselhou a marcar uma consulta na pedopsiquiatria.

A mãe e Leonor voltaram para casa, mas o estado da menina piorou bastante.

“De sábado para domingo foi a pior noite, a Leonor não parava com dores, nem sequer com medicação, nem no sofá, nem na cama. Medi-lhe a temperatura, tinha 34,7, estava a entrar em hipotermia, quando a fui vestir tinha o corpo com manchas roxas. Chamei o INEM”, recorda Xana Martinho. Quando Leonor chegou ao Garcia de Orta, “ia hipotensa e com taquicardia”.

Paragem cardíaca e morte

Ali, realça a mãe teve uma equipa "incansável" que não mais largou a filha. “Fizeram-lhe análises ao sangue, TAC ao tórax, raio-x, tudo o que na CUF não fizeram”.

A TAC ao tórax acusou o músculo cheio de sangue. “Os médicos iam fazer-lhe uma TAC ao cérebro quando a minha menina entrou em paragem cardíaca. A primeira vez conseguiram reanimá-la, na segunda o coraçãozinho dela não resistiu”.

De acordo com Xana Martinho, os médicos “suspeitavam de uma infeção ou de a Leonor estar a perder sangue”. A causa da sua morte só a autópsia poderá dizer.