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Memória. A mulher que derrotou a pneunómica
Portugal 2 min. 13.03.2020 Do nosso arquivo online

Memória. A mulher que derrotou a pneunómica

Memória. A mulher que derrotou a pneunómica

Foto: LUSA
Portugal 2 min. 13.03.2020 Do nosso arquivo online

Memória. A mulher que derrotou a pneunómica

Lusa
Lusa
Há alguns anos a agência Lusa entrevistou Maria Rosa, uma mulher que na altura tinha 101 anos, e que conviveu de perto com a doença que na altura matou mais de 50 milhões de pessoas no planeta.

 "Morreu muita gente, muita gente mesmo, aqui à minha beira", recorda Maria Rosa. Numa família vizinha, pelo menos três pessoas terão sido vítimas da gripe. "A minha mãe ia assistir aos moribundos e eu ia com ela. Ainda me lembro de ver aquelas três pessoas estendidas no chão, numa sala com o soalho cheio de buracos", conta.

Maria Rosa lidou de muito perto com várias vítimas da gripe espanhola, a pandemia que se espalhou pelo mundo no final da década de 1910, mas escapou imune, quando deu esta entrevista preparava-se para completar 101 anos "cheia de vida".

"Diziam-me para eu não me chegar aos doentes que aquilo se 'apegava', mas eu, como era ainda criança e não sabia o que queria dizer 'apegar', lá ia, queria ver, chegava-me ao pé. E olhe, ainda aqui estou", conta à Lusa Maria Rosa Viana, que vive em Riba de Âncora, Caminha.

Nascida a 18 de Junho de 1908, Maria Rosa tinha 10 anos quando se deu a chamada Gripe de 1918, uma pandemia que ficou conhecida por gripe espanhola ou pneumónica e que se espalhou por quase todo o mundo. Embora não haja números exactos, sabe-se que os efeitos da pandemia foram devastadores, falando-se entre 50 a 100 milhões de mortos em todo o mundo, cerca de 100 mil dos quais em Portugal.

 Maria Rosa lembra ainda um "parente" que chegou da I Grande Guerra infectado pelo vírus da gripe, já quase moribundo, e que foi colocado numa "cortelha" [pequeno espaço destinado aos animais], para "não pegar a doença" aos restantes membros da família.

"Eu era catraia e gostava muito dele e, por isso, não resisti. Sem ninguém ver, fui à cortelha falar com ele. Diziam que era perigoso, que se 'apegava' e tal, mas eu ainda estou aqui, não estou?", atira, com boa disposição.

Lembra que a febre era o principal sintoma dos infectados. "Era sobretudo a febre, sim. Ardiam em febre", conta.

Não sabe "de onde é que o diabo da gripe veio", mas recorda que se dizia que "ela tinha vindo a guerra".

Apesar de todos os alertas para o perigo de contágio, nem Maria Rosa nem a mãe tinham cuidados especiais na hora de "assistir aos moribundos". "Nunca usámos qualquer máscara nem nada disso. Nenhuma das duas foi infectada. 

A "gripe espanhola" foi causada por uma variante extremamente agressiva do vírus da influenza tipo A, conhecido como H1N1. A sua elevada taxa de mortalidade foi induzida pela grande circulação das pessoas entre diferentes regiões resultante Primeira Guerra Mundial (1914-1918), bem como pela inexistência de métodos científicos e de medicamentos adequados para atacar a gripe.

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