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Mélissa da Silva (CDS/PP). “Tenho a experiência das discriminações de que são alvo os cidadãos residentes fora do território nacional”
Portugal 4 min. 26.09.2019

Mélissa da Silva (CDS/PP). “Tenho a experiência das discriminações de que são alvo os cidadãos residentes fora do território nacional”

Mélissa da Silva (CDS/PP). “Tenho a experiência das discriminações de que são alvo os cidadãos residentes fora do território nacional”

Portugal 4 min. 26.09.2019

Mélissa da Silva (CDS/PP). “Tenho a experiência das discriminações de que são alvo os cidadãos residentes fora do território nacional”

Telma MIGUEL
Telma MIGUEL
Mélissa da Silva nasceu em Paris, filha de portugueses de Viana do Castelo, há 28 anos. É licenciada em Marketing e Relações Públicas e está a trabalhar na área do marketing. Prefere não expor aspetos da sua vida pessoal. Defende a sua convicção de que é possível fazer muito mais pela comunidade portuguesa no estrangeiro. Para Mélissa da Silva, o fato de ser ela própria filha de emigrantes, e sempre ter vivido entre França e Portugal, dá-lhe uma perspetiva sobre viver no estrangeiro que os outros candidatos não terão. Por falta de disponibilidade para uma conversa telefónica, a candidata do CDS às eleições legislativas do próximo dia 6 de Outubro preferiu dar entrevista por email. Daí as suas respostas serem muito mais sucintas que as dos outros entrevistados, fato a que o Contacto é alheio.

Qual a sua relação com Portugal? Visita frequentemente? Imagina-se a trocar Paris por uma cidade portuguesa?

Sou lusodescendente e resido em França. Tenho uma ligação muito forte com Portugal, onde me desloco com frequência, e sempre nas férias. Gosto muito dos dois países, não faço distinção. Imagino-me tanto a viver aqui como em Portugal.

Porque decidiu entrar para a política? 

Oriunda das comunidades portuguesas, vivo a realidade dos nacionais residentes fora do território nacional, tenho a experiência do que é viver num país de acolhimento. Desde cedo, o papel das comunidades portuguesas no seio da sociedade em que vivemos despertou-me o maior interesse, pelo valor e reconhecimento do seu desempenho, tanto nos países de acolhimento, como no seu país de origem, ou seja, em Portugal. A importância das relações entre o Estado português e os seus nacionais, sejam elas afetivas, económicas ou sociais, para mim é fundamental. Acho também importante ter a oportunidade de de defender a portugalidade da nossa comunidade. A minha estreia ativa na política deu-se com as eleições europeias e participei em algumas ações com o eurodeputado Nuno Melo.

Porque aderiu ao CDS ?

É por defender os valores e os interesses dos nacionais e lusodescendentes que apresento a minha candidatura a deputada pelo círculo da Europa. Quero ser a representante na Assembleia da República de cada um dos portugueses residentes fora de Portugal e sobretudo dos que vivem na Europa, onde exerço as minhas atividades, quer pessoais, quer profissionais.  Quero defender os interesses dos portugueses junto do governo de Portugal onde são definidas as políticas que têm implicações no quotidiano de todos nós, cidadãos portugueses independentemente do país de residência.

Acha que os políticos em Portugal se esquecem dos portugueses que residem fora das fronteiras?

Completamente, é por essa a razão que quero ser a porta-voz do círculo eleitoral pela Europa nas próximas eleições legislativas. A importância das relações entre o Estado português e os seus nacionais, sejam elas afetivas, económicas ou sociais, para mim é fundamental. Quero ser um novo oxigénio para uma vida melhor. 

Como é a situação dos portugueses em França, vivem marginalizados ou integrados?

Tenho a experiência das discriminações de que são alvo os cidadãos residentes fora do território nacional. Mas, apesar disso, o meu ponto de vista é que todos os portugueses estão completamente integrados em França e nos diversos países. É importante que as comunidades portuguesas residentes no estrangeiro sejam reconhecidas. Estas devem ser integradas na tomada de decisões políticas, sendo que deve ser implementada no Parlamento uma representação mais equilibrada, maior proporcionalidade.

O que acha das últimas políticas do PS para a emigração, como o recenseamento automático, a criação de extensões da Segurança Social em cinco consulados  e o programa Regressar?

Quanto a isso não faço comentários.

Acha que o apoio dado pelo Governo português aos emigrantes nos aspetos culturais é suficiente? O ensino do português, por exemplo, e a promoção e divulgação da cultura contemporânea?

O CDS quer promover a língua e cultura portuguesa, que são o elo de maior coesão e federação de identidade. Defendemos a existência de protocolos para o ensino da língua e a criação de institutos para a promoção da cultura. 

Quais são as propostas do CDS especificamente para a emigração? Que diferença a sua eleição faria?

Utilizava completamente o meu programa. Defendo, como o CDS-PP, que se deve valorizar as pessoas. Sendo assim, reivindico, como princípios, proximidade, promoção e reconhecimento. É preciso proporcionar a prática da cidadania facilitando os meios de exercício da democracia; um recenseamento automático – largos passos foram dados mas é necessário ir mais longe. É necessário ainda tornar acessível o ato eleitoral no estrangeiro, proporcionando opções: voto presencial com desdobramento de mesas, voto eletrónico, voto por correspondência. Por exemplo, em França, os consulados têm poucos postos de votação. As pessoas do norte de França têm que se deslocar a Paris para votar e isso pode ser muito complicado. As pessoas não têm apoio suficiente para exercer o seu direito de votar. Defendo também que os consulados tenham uma maior proximidade com os utentes, que tenham mais meios, mais capacidade de resposta, diminuindo os prazos de espera. É necessário também, facilitar o acesso à informação oficial, utilizando todos os canais disponíveis. E é preciso dar também aos emigrantes um estatuto fiscal diferenciado.

E em relação aos portugueses que serão afectados pelo Brexit, o CDS tem alguma proposta?

De momento, não existe nada de concreto, até porque há ainda muitas questões por resolver no próprio processo do Brexit. Ainda é cedo para falar.

Como está a ser a sua campanha na Europa?

Muito intensa. Fui ao Luxemburgo, à Suíça, fiz um comício em Paris. A receção tem sido muito boa. Há pessoas que falam muito comigo e reconhecem-se nas minhas propostas. Vivemos todos a mesma situação e isso é importante.

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