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Marcelo. Tomo dois
Opinião Portugal 3 min. 08.03.2021

Marcelo. Tomo dois

Marcelo Rebelo de Sousa no discurso da vitória nas presidenciais de janeiro de 2021, onde assegurou o segundo mandato à Presidência da República.

Marcelo. Tomo dois

Marcelo Rebelo de Sousa no discurso da vitória nas presidenciais de janeiro de 2021, onde assegurou o segundo mandato à Presidência da República.
Foto: AFP
Opinião Portugal 3 min. 08.03.2021

Marcelo. Tomo dois

Sérgio FERREIRA BORGES
Sérgio FERREIRA BORGES
Marcelo Rebelo de Sousa inicia esta semana o segundo mandato como Presidente da República. E já deixou um aviso: vai ser um mandato mais exigente que o primeiro.

Este aviso pode não ser completamente explícito, para quem se quiser fazer desentendido. Mas, para bom entendedor, meia palavra basta. E esses, os que querem entender, já perceberam toda a dimensão, implícita no aviso do Presidente da República.

Portugal tem ainda uma crise sanitária para resolver e, em consequência dela, virá uma crise económica que alguns analistas estimam que tenha proporções mais extensas que a grande depressão dos anos 30 do século passado. 

Marcelo vai ser cooperante com o Governo, como tem sido, até aqui. Mas também será muito exigente, como já avisou.

Marcelo Rebelo de Sousa tem consciência disso e sabe que o papel que a História lhe reservou é na linha da frente destes dois combates. Marcelo vai ser cooperante com o Governo, como tem sido, até aqui. Mas também será muito exigente, como já avisou.

E a principal exigência situa-se na aplicação dos dinheiros que vão chegar da União Europeia, a tão badalada bazuca financeira. Os críticos de António Costa e do PS já anteciparam vários processos de suspeita, sobre a distribuição desses fundos. Acham que os principais beneficiários serão afectos ao PS, com o consequente prejuízo do país. Foi assim noutras alturas, quando os dinheiros da União encheram os cofres do Estado. Mas o PSD também tem culpas neste rosário de amarguras que não devem ser esquecidas.

Marcelo promete estar atento à distribuição desses fundos, que devem servir para Portugal enfrentar a grave crise económica que se vaticina. Para essa vigilância, promete recorrer a conceituados economistas, muitos deles professores universitários e à equipa da sua Casa Civil. Mas conta ainda com o reforço de competências do Tribunal de Contas, em matéria de contratação pública.

Outra grande preocupação de Marcelo Rebelo de Sousa é a direita política, no seu conjunto. Mas de forma muito especial o PSD que, na análise do Presidente da República, continua a não dar garantias de se poder constituir como uma alternativa de poder ao PS. Isto deixa Marcelo atado de mãos e pés, porque se as circunstâncias adversas vierem a terminar numa crise política, o PSD não terá possibilidade de vencer umas eventuais eleições antecipadas. É um cenário parecido com aquele que Jorge Sampaio enfrentou, em 2005. O governo de Pedro Santana Lopes vivia em permanente queda e o PS, liderado por Ferro Rodrigues, não parecia capaz de vencer umas eleições que resolvessem a crise.

O governo de António Costa está longe de apresentar os sintomas que eram visíveis no executivo de Santana Lopes. Mas como diz o adágio popular, "por enquanto está um rico dia de Sol, mas pode começar a chover de repente". E, caso haja uma repentina alteração do estado geral do tempo, o PSD não parece em condições de responder às exigências da situação.

Por isso, Marcelo Rebelo de Sousa gostou da apresentação da candidatura de Carlos Moedas, à presidência da Câmara de Lisboa. Ele acha que a mudança estrutural que se exige no PSD pode começar por aí. Se Rui Rio lhe merece as maiores reservas - e disso ninguém tem dúvidas - outros membros da direcção do partido são também muito mal avaliados, por Marcelo Rebelo de Sousa. O pior de todos, é o secretário-geral, José Silvano, que nem sequer goza da confiança de grande parte da direcção partidária. E Rui Rio sabe disto e já podia ter resolvido o problema, sem ter de esperar pelo próximo congresso.

(Este autor escreve de acordo com o antigo Acordo Ortográfico.)


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