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Marcelo: "A comunidade mais trabalhadora no Luxemburgo é a portuguesa"
Portugal 5 min. 13.05.2022
Entrevista

Marcelo: "A comunidade mais trabalhadora no Luxemburgo é a portuguesa"

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, à conversa com os Grão-Duques e o ministro dos Negócios Estrangeiros luxemburguês, Jean Asselborn.
Entrevista

Marcelo: "A comunidade mais trabalhadora no Luxemburgo é a portuguesa"

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, à conversa com os Grão-Duques e o ministro dos Negócios Estrangeiros luxemburguês, Jean Asselborn.
Foto: EPA
Portugal 5 min. 13.05.2022
Entrevista

Marcelo: "A comunidade mais trabalhadora no Luxemburgo é a portuguesa"

Madalena QUEIRÓS
Madalena QUEIRÓS
Em entrevista ao Contacto, o Presidente da República faz ainda um forte apelo à participação dos emigrantes portugueses nas eleições comunais no Luxemburgo. Grão-Duques estiveram em Portugal em visita oficial a 11 e 12 de maio.

O presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa, faz o balanço da visita de Estado dos Grão-Duque a Portugal em entrevista ao Contacto considerando que foi um passo fundamental para "estreitar as relações económicas em novos domínios". "Mas ainda há problemas por resolver", sublinha sobre a integração dos portugueses no estrangeiro.

"Foi uma grande surpresa para muitos luxemburgueses descobrirem o que é Portugal, porque tinham ideia que o país tinha parado no tempo", afirma o chefe de Estado português.

Marcelo Rebelo de Sousa faz ainda um forte apelo à participação dos emigrantes portugueses nas eleições comunais no Luxemburgo: "Façam o favor de se recensear porque é uma estupidez ter possibilidade de ter influência e não a utilizar". 

Estamos numa visita de Estado do Grão–Duque a Portugal. Que mensagem gostaria de deixar à comunidade portuguesa?

Aproxima-se o 10 de junho, mas para nós o 10 de junho são todos os dias. No sentido de que não há família portuguesa que não tenha pelo menos uma pessoa espalhada pelo mundo. No meu caso são quase todos os membros da família espalhados pelo mundo, de várias gerações. Queria daqui dar um grande abraço à comunidade portuguesa no Luxemburgo, porque tem sido excecional. A geração mais velha foi excecional, ao emigrar em condições muito difíceis, nos anos 60 e 70. Depois uma comunidade mais nova. Há uma comunidade que, desde sempre, aguentou setores fundamentais da economia no Luxemburgo. Depois há uma comunidade de representantes de Portugal em instituições europeias, ou outras instituições internacionais, que essa é mais recente e que acaba por ter a sua vida regida pelos mandatos que exerce no Luxemburgo. 

O que é facto é que a comunidade de milhares e milhares de portuguesas e portugueses é tão importante que recordo que quando foi, em 2017, a minha visita em que acabou tudo aos gritos: "Henri! Henri! Henri!" Porque o Grão-Duque quando chegou disse que o Luxemburgo não era o que é sem os portugueses. Nesta visita do Estado há que aprofundar as relações em setores como a educação. Sabe-se que há problemas que é preciso resolver

Há alguns problemas de integração da comunidade portuguesa. Um estudo que diz que um em cada três portugueses se sentem discriminados no acesso ao emprego e alojamento…

Essa é uma preocupação que temos que é a de alguns setores luxemburgueses de quererem integrar tanto, tanto, tanto, que acabam por limitar a autonomia educativa do português e do ensino para os portugueses. Outra coisa que temos que tentar melhorar é a questão da segurança social. E outra que é fundamental é haver uma compreensão do que é a comunidade querer integrar-se, mas não querer perder as suas raízes. E quer ser tratada como tal.

(...) é fundamental haver uma compreensão do que é a comunidade querer integrar-se, mas não querer perder as suas raízes. E quer ser tratada como tal.

Marcelo Rebelo de Sousa

Os luxemburgueses têm tanta noção da nossa importância, porque somos diferentes de outras comunidades que estão sempre a entrar e a sair, trabalham mas não vivem lá. Mas a comunidade mais trabalhadora é a portuguesa. As outras comunidades são importantes, mas são móveis. E isso é uma realidade que está a ser somada ao facto de já existirem portuguesas com funções importantes no poder local luxemburguês.


Marcelo Rebelo de Sousa e os Grão-Duques depois da viagem no elétrico 28, a 11 de maio, em Lisboa.
Grão-duque diz que "acolhimento dos portugueses foi extraordinário"
Entre os dois países "o que falta são as relações económicas", afirmou em declarações aos jornalistas o Grão-Duque Henri. "Temos que apoiar os esforços para desenvolver esses laços", afirmou no balanço desta segunda visita de Estado a Portugal. Na memória leva uma cidade "onde é bom viver".

Nesta visita estreitamos as relações económicas, e por isso vai haver cada vez mais domínios novos de cooperação da ciência, da tecnologia, das empresas, do espaço, dos oceanos, do digital, das energias renováveis onde podemos dar cartas. Há um novo mundo que vai completar o velho mundo. Acho que foi uma grande surpresa para muitos luxemburgueses que cá chegaram, mais de cem empresários, descobrirem o que era Portugal. Porque tinham uma ideia de Portugal como se estivesse parado no tempo. Cheguei a ouvir questões como: "Portugal tem praias?" Claro que tem praias, o que mais tem Portugal é mar. Havia o desconhecimento dos avanços que Portugal fez. Do que é Portugal e de como se vive em Portugal. Até a surpresa pelo facto de hoje existirem tantos estrangeiros a viver em Portugal. Que vêm para cá trabalhar para empresas alemãs, francesas e espanholas.

Comunidades que estão a crescer brutalmente como a dos franceses, dos brasileiros e mais do norte da Europa, como no Algarve. Ficam estupefactos quando lhes digo: "Olhem que estão a perder o comboio! Como é que não investem aqui, é incompreensível".

Façam favor de se recensear [eleições comunais luxemburguesas] porque é uma estupidez ter possibilidade de ter influência e não utilizar a influência.

Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente da República

Esta visita pode ser um primeiro passo para esse estreitar de relações?

É com certeza um primeiro passo porque houve interesse por parte do Grão- Duque, interesse da parte do Governo. O próprio primeiro-ministro luxemburguês esteve sempre em contacto comigo e com o primeiro-ministro português a acompanhar o que se fazia. Ele próprio gosta de vir cá passar férias. Amigos doutros setores como cristãos-sociais também gostam de cá vir passar férias.

O que significa que há uma redescoberta tal que o Grão-Duque disse: "Estive aqui há 12 anos e era um país completamente diferente. Em 12 anos eu não reconheço Portugal". É bom que tenham reconhecido isto porque por aí passa, também, a forma de relacionamento com os nossos compatriotas que vivem no Luxemburgo.


Fotos. Grão-Duques e Marcelo em jantar de gala, ao som do fado
O Presidente português Marcelo Rebelo de Sousa recebeu os Grão-Duques no Palácio Nacional da Ajuda para um jantar de gala esta quarta-feira. Veja as imagens.

O Governo luxemburguês apela à participação dos emigrantes nas eleições comunais, porque existe uma baixa percentagem de emigrantes que votam. Acha que é importante?

É fundamental. Se tem uma arma muito importante não vão utilizar essa arma? Se os portugueses que têm um peso fundamental de poderem ser fundamentais na eleição para eleger e serem eleitos porque é que não hão de utilizar essa arma? Só é bom para a comunidade e para aqueles que concorrem para servir a comunidade em que se integram. Mas é bom para a comunidade toda. Aliás, fiz esse apelo quando estive no Luxemburgo em 2017, porque ia haver eleições no dia a seguir. Façam favor de se recensear porque é uma estupidez ter possibilidade de ter influência e não utilizar a influência.

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