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Mais um tiro no pé
Comentário Portugal 2 min. 10.09.2020

Mais um tiro no pé

Mais um tiro no pé

Foto: Lusa
Comentário Portugal 2 min. 10.09.2020

Mais um tiro no pé

Sérgio FERREIRA BORGES
Sérgio FERREIRA BORGES
Foi triste ver a Festa do Avante literalmente às moscas, com os seus espaços mais nobres quase vazios, ocupados apenas pela teimosia de uns poucos.

O que se passou na Quinta da Atalaia, no último fim de semana, ajuda a perceber a constante perda de votos do Partido Comunista. Há uma teimosia crescente e constante, no PCP, que conduz a um afastamento das suas bases tradicionais de apoio e de voto. E o resultado é o que tem estado à vista de toda a gente, nos últimos anos. O PCP já foi ultrapassado em número de votos pelo Bloco de Esquerda e as sondagens mais recentes são ainda mais pessimistas.

O que se passou nos últimos meses evidenciou uma verdade epistemológica que toda a gente estava a ver, menos a teimosa direcção do PCP. Existe uma epidemia que está a dilacerar sociedades, os perigos de contaminação são enormes e em constante crescimento e o PCP insistiu na concretização de uma festa que, até ao último fim de semana, foi, sem dúvida, a maior realização política, de todas quantas se fazem em Portugal.

Tudo desaconselhava que assim fosse. Mas o Partido Comunista combateu o bom senso de quem chamava a atenção, para os perigos epidemiológicos de um tal certame. E travou esse combate, com o discurso de sempre. Queriam calar o PCP e a luta dos trabalhadores. Mas nem reparou que, enquanto se discutia a Festa do Avante, silenciavam-se questões sociais que são da maior importância, como o aumento do desemprego, a perda de rendimentos, as falências de empresas, ou a própria pandemia. O PCP funcionou como uma autêntica manobra de diversão, fazendo o jogo dos seus rivais.

As perdas de votos do Partido Comunista não se devem à sua participação na geringonça, como dizem alguns setores internos e alguns analistas. Devem-se, isso sim, à sua obstinada teimosia e a um conservadorismo irritante. Veremos o que vão ditar as próximas sondagens, as que vão refletir a atitude da direcção comunista. Estou convencido que, nessas medições de opinião, o PCP vai voltar a cair. E, mais uma vez, vai subestimar as sondagens e tudo vai continuar como sempre.

A elasticidade tática a que correspondia uma firmeza estratégica já não existem. Celebrizaram o PCP, mas extinguiram-se. Foram substituídas por uma obstinada teimosia que vai conduzindo o partido para um cadafalso que atua sem perdão.

Em novembro, o PCP terá mais um congresso que, entre outras decisões, escolherá o nome que vai liderar o partido, nos próximos tempos. E depois de muitas hesitações, tudo indica que será Jerónimo de Sousa a permanecer na função. Não será uma grande solução, pelo simples facto de o atual líder ceder constantemente às vozes mais teimosas dos órgãos de direção.

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