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Mais hospitais portugueses preparam-se para o coronavírus
Portugal 4 min. 28.02.2020

Mais hospitais portugueses preparam-se para o coronavírus

Mais hospitais portugueses preparam-se para o coronavírus

Foto: Anouk Antony
Portugal 4 min. 28.02.2020

Mais hospitais portugueses preparam-se para o coronavírus

Esta sexta-feira foram divulgados os 10 hospitais que estarão preparados para uma segunda fase de resposta, além dos três da "primeira linha" de emergência e que já estão em alerta permanente desde janeiro.

A Direção Geral-da Saúde (DGS) portuguesa revelou esta sexta-feira, 28 de fevereiro, a lista de hospitais de referência para uma segunda fase, no que respeita à resposta das estruturas de saúde para casos suspeitos de infeção com o novo coronavírus e para a eventualidade de uma epidemia no país.

Desde a fase de alerta, ainda em janeiro, que três hospitais do país estão na "primeira linha" de emergência, ou seja estão "permanentemente preparados" para receber casos suspeitos de infeção do novo coronavírus. São eles o Hospital de São João, no Porto, e o Dona Estefânia e o Curry Cabral, em Lisboa.

A seguir a estes, numa "segunda linha" estão 10 hospitais, de norte a sul de Portugal.

No Norte, essas estruturas de referência são o Hospital de Braga, o Hospital de Santo António (CHUP), no Porto, a ULS de Matosinhos e o Centro Hospitalar Tâmega e Sousa.

Já na região Centro estão a postos o Hospital Pediátrico de Coimbra (CHUC) e a ULS da Guarda. Enquanto em Lisboa e Vale do Tejo, os hospitais designados são Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Norte (Hospital de Santa Maria e Hospital Pulido Valente) e o Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Ocidental (Hospital de Egas Moniz e Hospital de São Francisco Xavier).

No sul, as regiões do Alentejo e Algarve têm cada uma um hospital em "segunda linha": a ULS Litoral Alentejano e o Centro Hospitalar Universitário do Algarve, respetivamente.

Todo os hospitais em causa fazem parte do Serviço Nacional de Saúde, mas entidades privadas que realizem testes de diagnóstico e que obtenham resultados positivos são obrigadas a comunicá-los à DGS.

Até à data, em Portugal, foram registados 59 casos suspeitos de infeção. Desses, 16 ainda estavam em análise na quinta-feira, havendo ainda dois à espera do resultado das análises. 

"Obviamente que daremos conhecimento de imediato se houver algum caso positivo", assegurou nem conferência de imprensa esta sexta-feira.

Os restantes casos já testados não se confirmaram, após terem dado resultado negativo.

 Até ao momento, os únicos portugueses infetados são dois tripulantes do navio de cruzeiro Diamond Princess, que está em quarentena há quase um mês, ao largo do Japão. Os dois homens encontram-se internados em hospitais daquele país.


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Investigador português, especialista em malária e que tem trabalhado numa vacina contra a doença, explica ao Contacto como poderá a cloroquina ajudar pacientes infetados, e que, segundo cientistas chineses, já estão a ser tratados com sucesso em vários hospitais da China, com recurso a esse fármaco.

Apesar da ausência de casos positivos em Portugal, até ao momento, a possibilidade de uma epidemia nacional devido ao novo coronavírus não está posta de parte, como frisou a diretora da DGS, Graça Freitas, na conferência de imprensa de hoje, dando como exemplo o surto repentino em Itália.

"Praticamente de um dia para o outro, esta situação em Itália foi explosiva", afirmou a responsável à imprensa, lembrando que não há "risco zero".  

Para já, o risco para a saúde pública em Portugal mantém-se “moderado a elevado”. 

Nem abraços nem beijos

 Os doentes que foram encaminhados para testes encontram-se estáveis e com sintomas ligeiros, em alguns casos apenas tosse, mas o facto de terem chegado de Milão requer uma atenção especial, referiu.      

Por isso, há recomendações para que as pessoas que cheguem de Itália ou outros países de zonas afetadas estejam particularmente atentas a qualquer sintoma e que meçam a temperatura duas vezes por dia.

"A grande maioria chega assintomática. Devem manter-se vigilantes nos próximos 14 dias", aconselhou, acrescentando que o primeiro mecanismo de triagem é a linha Saúde 24 e admitindo que a linha possa ser reforçada, assim como outros mecanismos de resposta, em caso de necessidade.

A DGS recomenda também para pessoas provenientes de regiões particularmente afetadas que mantenham algum isolamento social e menos contacto físico com familiares e amigos, incluindo abraços e beijos, durante, pelo menos, 14 dias.


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A Organização Mundial da Saúde (OMS) aumentou hoje para "muito elevado" o nível de ameaça do novo coronavírus, que já infetou cerca de 79.000 pessoas na China e mais de 5.000 no resto do mundo.

A afluência aos serviços de urgência dos hospitais também é fortemente desaconselhada, sob pena de se aumentar o risco de contágio.

A diretora-geral da Saúde insistiu nas medidas de autoproteção, como lavar as mãos com frequência, não tossir para as mãos, nem a menos de um metro de outra pessoa, sempre que possível.

Há também medidas destinadas às escolas, trabalhadas em articulação com o Ministério da Educação.

Aos estabelecimentos de ensino, por enquanto sem ordens para encerrarem as suas atividades, recomendou-se que evitassem jogos de grupo e contacto físico, que não sejam essenciais.

Como atuar em casa com um familiar doente?

Graça Freitas sublinhou ainda que em casa também podem ser adotados planos de contingência no caso de um elemento da família adoecer. 

Entre as medidas a adotar estão a diminuição do contacto com os outros elementos da família, o consumo das refeições no quarto, o usar de máscara pelo doente (e apenas o doente).

O Covid-19, detetado em dezembro na China e que pode causar infeções respiratórias como pneumonia, provocou pelo menos 2.858 mortos. Além de 2.788 mortos na China, há registo de vítimas mortais no Irão, Coreia do Sul, Itália, Japão, Filipinas, França, Hong Kong e Taiwan.

O novo coronavírus infetou mais de 83 mil pessoas, de acordo com dados mais recentes reportados pelos cerca de 50 países e territórios já afetados pela doença.

Das pessoas infetadas, mais de 36 mil recuperaram.

AT







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