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Mais de 200 militares portugueses partiram esta sexta-feira para a Roménia
Portugal 5 min. 15.04.2022
Guerra Ucrânia

Mais de 200 militares portugueses partiram esta sexta-feira para a Roménia

Guerra Ucrânia

Mais de 200 militares portugueses partiram esta sexta-feira para a Roménia

Foto: Lusa
Portugal 5 min. 15.04.2022
Guerra Ucrânia

Mais de 200 militares portugueses partiram esta sexta-feira para a Roménia

Lusa
Lusa
A força militar portuguesa está inserida no âmbito de uma missão de dissuasão da NATO, no contexto de conflito entre a Ucrânia e a Rússia. O presidente da República foi despedir-se dos soldados.

Uma força de 222 militares portugueses dos três ramos das Forças Armadas partiu esta madrugada para a Roménia no âmbito de uma missão de dissuasão da NATO, no contexto de conflito entre a Ucrânia e a Rússia.  

O presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa fez questão de estar presente no aeroporto de Figo Maduro, juntamente com a ministra da Defesa e as mais altas patentes militares para se despedirem desta primeira força nacional destacada para a Roménia. Já o primeiro-ministro António Costa enviou uma mensagem aos soldados. 

Este contingente de mais de 200 militares é composta por uma companhia de atiradores (reforçada com um módulo de defesa antiaérea, um módulo de conjunto de informações e um módulo de apoio) e uma equipa de operações especiais,de acordo com uma nota divulgada  pelo Estado-Maior-General das Forças Armadas (EMGFA).

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, cumprimenta militares na partida da primeira força nacional destacada para a Roménia devido ao conflito na Ucrânia.
O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, cumprimenta militares na partida da primeira força nacional destacada para a Roménia devido ao conflito na Ucrânia.
Foto: Lusa

Missão para defender a paz

Num breve discurso antes da partida, Marcelo Rebelo de Sousa, Comandante Supremo das Forças Armadas, salientou a importância desta missão da NATO que esta força militar destacada vai cumprir na Roménia no contexto da guerra na Ucrânia.

"É uma missão já prevista e agora consolidada, projetada e reforçada num país amigo, aliado – a Roménia - no quadro de uma aliança defensiva e não ofensiva. Uma aliança que não ataca, que está preparada para prevenir, preservar e defender a paz. É essa também a vossa missão", sustentou o Presidente da República.

"Em conjunto com o país irmão da Roménia, a força nacional estará presente para prevenir e preservar a paz com a capacidade, competência, espírito de corpo, a alma, a coesão, a disciplina, a partilha e solidariedade próprias dos militares portugueses", declarou Marcelo Rebelo de Sousa. E deixou um elogio: "Onde quer que nós vamos somos sempre dos melhores dos melhores, e assim será na Roménia e assim Portugal vos acompanhará, como tem acompanhado todas as forças nacionais destacadas".

Militares dirigem-se para o avião após a cerimónia de partida, no Aeroporto de Figo Maduro, em Lisboa
Militares dirigem-se para o avião após a cerimónia de partida, no Aeroporto de Figo Maduro, em Lisboa
Foto: Lusa

O presidente da República anunciou ainda que "o próprio senhor primeiro-ministro estará convosco dentro de um mês e eu também tenciono estar dentro de dois ou três meses, assim como depois no vosso regresso".  

Na sua mensagem aos militares António Costa realçou que eles vão prestigiar Portugal e considerou que a invasão russa da Ucrânia exige uma afirmação clara da força de dissuasão da NATO. "Neste dia da vossa partida para Roménia, quero dirigir-vos uma palavra muito especial aos oficiais, aos sargentos e praças deste contingente. A invasão russa da Ucrânia constitui uma gravíssima violação do direito internacional", realçou António Costa.

O primeiro-ministro assinalou que as imagens e as notícias que chegam "todos os dias da Ucrânia são chocantes, de uma brutalidade inaceitável, com mortos, feridos, destruição e sempre dor e marcas que irão perdurar por várias gerações".

"Portugal tem participado, desde a primeira hora, na onda de solidariedade à escala global para com o povo ucraniano. Tem fornecido apoio material, humanitário e militar, às autoridades ucranianas e, ao mesmo tempo, tem acolhido milhares de refugiados que, fugindo da guerra, encontram segurança e esperança em Portugal", observou. No quadro da União Europeia "e de outros esforços da comunidade internacional", Portugal, ainda de acordo com António Costa, "tem sido solidário com as sanções que estão a ser impostas ao regime russo".

Militares durante a cerimónia de partida.
Militares durante a cerimónia de partida.
LUSA

A cerimónia de despedida contou ainda com a presença da ministra da Defesa, Helena Carreiras, do chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas, almirante António Silva Ribeiro, e dos chefes do Estado-Maior do Exército, Armada e Força Aérea.  

O contingente partiu para a Roménia – país fronteiriço com a Ucrânia - ao abrigo da missão 'Tailored Forward Presence' da NATO que visa contribuir "para a dissuasão e defesa da Aliança no seu flanco sudeste".

Partida antecipada pela guerra

O plano das Forças Nacionais Destacadas para 2022 já previa o envio para a Roménia de um contingente de militares no segundo semestre do ano, tal como aconteceu em 2021, contudo, este calendário foi antecipado, numa altura de conflito entre a Ucrânia e a Rússia.

No passado dia 08, no Regimento de Infantaria (RI) 14, em Viseu, o chefe do Estado-Maior do Exército, general José Nunes da Fonseca, realçou o "reduzido tempo" em que foi aprontada a primeira força nacional destacada para a Roménia.


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A Rússia possui armas nucleares táticas devido à sua doutrina militar de "escalar para desescalar".

"A primeira força nacional destacada para a Roménia foi aprontada em circunstâncias excecionais”, disse Nunes da Fonseca, lembrando que “a projeção de uma companhia de atiradores mecanizada no âmbito da 'Tailored Forward Presence' estava planeada para o final de 2022", mas o conflito na Ucrânia "implicou a antecipação da projeção desta subunidade".

Portugueses não vão atuar na Ucrânia

Em 22 de março, no Campo Militar de Santa Margarida, em Constância (Santarém) no final de uma demonstração tática da Companhia do Exército que vai partir agora para a Roménia, o primeiro-ministro reiterou que os militares portugueses não vão atuar na Ucrânia.

A partida para a Roménia.
A partida para a Roménia.
Foto: Lusa

"Perante a atual agressão da Rússia à Ucrânia, a NATO entendeu reforçar a sua presença na frente Leste e criar novos grupos de combate, designadamente na Roménia, e Portugal vai como sempre responder presente àquilo que nos é solicitado, que é empenhar os nossos meios, as nossas forças, na capacidade de reforçar a dissuasão para defender a paz no território da NATO", disse António Costa.

No dia da invasão da Ucrânia pela Rússia, em 24 de fevereiro, o Conselho Superior de Defesa Nacional reuniu de urgência e deu parecer favorável, por unanimidade, a propostas do Governo para a eventual participação de meios militares portugueses em forças de prontidão da NATO e previa a antecipação do envio de militares portugueses para a Roménia.

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