Escolha as suas informações

Mais de 100 alunos e professores de música deixam Cabul e rumam a Portugal
Portugal 6 2 min. 05.10.2021
Afeganistão

Mais de 100 alunos e professores de música deixam Cabul e rumam a Portugal

Estudantes de música afegãos no autocarro que os levou ao aeroporto de Cabul onde deixaram o país por temer represálias.
Afeganistão

Mais de 100 alunos e professores de música deixam Cabul e rumam a Portugal

Estudantes de música afegãos no autocarro que os levou ao aeroporto de Cabul onde deixaram o país por temer represálias.
Foto: AFP
Portugal 6 2 min. 05.10.2021
Afeganistão

Mais de 100 alunos e professores de música deixam Cabul e rumam a Portugal

Lusa
Lusa
O grupo, cerca de metade constituído por mulheres e raparigas, deverá vir para Portugal com o apoio do Governo português. Os talibãs estão a discriminar a música e os jovens temiam pela sua segurança.

Mais de cem alunos e professores de música deixaram Cabul a bordo de um avião na segunda-feira e, posteriormente, deverão vir para Portugal, disse hoje o diretor do Instituto Nacional de Música do Afeganistão (ANIM).

Temendo serem vítimas de represálias dos talibãs que, durante seu primeiro período no poder [entre 1996 e 2001] haviam proibido a música, 101 membros do ANIM desembarcaram na segunda-feira à noite em Doha, declarou M. Sarmast à agência de notícias France-Presse (AFP).

O grupo, cerca de metade constituído por mulheres e raparigas, deverá vir para Portugal com o apoio do Governo português, disse o também fundador do instituto, refugiado em Melbourne, na Austrália.

Essa operação foi delicada até ao último minuto, disse Sarmast.

Com a ajuda da embaixada do Catar em Cabul, os músicos foram transportados em pequenos grupos até o aeroporto da cidade.

A princípio, os talibãs - que controlam o aeroporto de Cabul - expressaram dúvidas sobre os seus vistos, mas o problema foi resolvido pelas autoridades do Catar.


Zarifa Ghafari. "Se os Taliban são tão corajosos a bater em mulheres, sejam corajosos a falar comigo"
Zarifa Ghafari foi a mais jovem presidente de câmara no Afeganistão, mas agora é refugiada e viaja pelo mundo a denunciar o que acontece no país e é de Portugal que desafia os talibãs a negociarem com uma mulher.

O momento "mais feliz" 

Quando o voo finalmente descolou com os músicos a bordo, especialmente as raparigas da orquestra "Zohra", de 13 a 20 anos, foram tomadas por uma emoção imensa.

"Este é o momento mais feliz da minha vida", disse Sarmast, que admite ter chorado muito.

Esse voo resultou de um longo planeamento desde que os talibãs assumiram o poder e exigiu uma preparação demorada e intensa.

"Assim que os talibãs assumiram o poder em Cabul, os músicos foram discriminados. O povo afegão foi silenciado mais uma vez", disse Sarmast.

Desde o seu retorno ao poder em meados de agosto, os talibãs têm tentado tranquilizar o povo afegão e a comunidade internacional, dizendo que serão menos rígidos do que no passado.

No entanto, disseram que irão governar o país de acordo com a sua interpretação estrita da lei sharia (conjunto de normas islâmicas).

A política que pretendem aplicar em relação à música permanece obscura.

Mais de 200 refugiados afegãos em Portugal

Questionado pela agência de notícias Lusa sobre o acolhimento de músicos afegãos em território português, o Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) declarou que “Portugal participa, desde a primeira hora, nos esforços internacionais em curso para o acolhimento de cidadãos afegãos”.


Um membro dos Taliban verifica os documentos das pessoas que viajam de carro.
Jornalista Maroof Sadat assassinado a tiro no Afeganistão
Jornalista desde 2006, Sadat recebeu várias ameaças de morte nas últimas semanas e estava a tentar fugir para Cabul, a capital, para se proteger.

“Até ao momento, chegaram já a território nacional 214 refugiados afegãos, sendo que este número varia com frequência. Naturalmente, não nos pronunciamos publicamente sobre quaisquer aspetos de natureza operacional relativos à chegada a Portugal de pessoas e grupos em situação de particular vulnerabilidade ou risco”, referiu ainda o MNE.

Siga-nos no Facebook, Twitter e receba as nossas newsletters diárias.


Notícias relacionadas