Escolha as suas informações

Maioria dos partidos quer eleições a 16 de janeiro, incluindo o PS
Portugal 7 min. 30.10.2021 Do nosso arquivo online
Crise política

Maioria dos partidos quer eleições a 16 de janeiro, incluindo o PS

Crise política

Maioria dos partidos quer eleições a 16 de janeiro, incluindo o PS

Foto: LUSA
Portugal 7 min. 30.10.2021 Do nosso arquivo online
Crise política

Maioria dos partidos quer eleições a 16 de janeiro, incluindo o PS

Redação
Redação
O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, avançou que o chumbar do Orçamento de Estado para 2022 iria desencadear eleições legislativas antecipadas e este sábado ouviu os partidos para analisar possíveis datas. 16 de janeiro é praticamente consensual.

"As eleições têm de ser o mais depressa possível, nos exatos termos em que o Presidente da República o referiu, logo após a entrega do Orçamento do Estado, de forma a que ainda haja Governo em janeiro e o PSD está totalmente de acordo com isso", afirmou Rui Rio, no final de uma audiência com o Presidente da República para discutir a dissolução do parlamento e a data das eleições antecipadas, que durou cerca de dez minutos.

O presidente do PSD admitiu ser impossível realizar eleições em dezembro ou no primeiro fim de semana de janeiro, devido à proximidade com o Natal ou o fim de ano.

"A primeira data possível é 09 de janeiro. Se, ainda assim se entender que devemos afastar campanha eleitoral oficial do Natal - apesar de ela ir acontecer -, pode ir-se até 16 de janeiro. A partir daí, não vejo nenhuma razão de interesse nacional para empurrar as eleições para a frente e inviabilizar que haja Governo em janeiro", afirmou, antecipando que, mesmo com estas datas, "dificilmente" existirá um Orçamento antes do fim do primeiro semestre, sobretudo se sair das eleições um Governo diferente do atual.

Questionado sobre qual a ideia com que ficou da data que o chefe de Estado preferirá, Rio respondeu: "Não levo rigorosamente ideia nenhuma, nós demos a nossa posição, o Presidente da República fez alguns comentários, mas basicamente limitou-se a ouvir o que nós dissemos", disse, reiterando que a posição do PSD é "em tudo igual" ao que Marcelo Rebelo de Sousa defendeu em 13 de outubro.

Questionado se a duração da reunião com o chefe de Estado - cerca de dez minutos - se deveu a alguma tensão entre os dois devido às críticas públicas feitas por Rui Rio a Marcelo Rebelo de Sousa, o presidente do PSD reconheceu a rapidez, mas não a tensão.

PS

O secretário-geral adjunto do PS defendeu hoje que, dada a decisão do Presidente da República de dissolver o parlamento, a “data adequada” para as eleições seria 16 de janeiro, de maneira a garantir “as condições de governabilidade adequadas”. 

José Luís Carneiro salientou que, “em função da decisão publicamente anunciada por parte do Presidente da República, de que, chumbado o Orçamento, dissolveria a Assembleia da República e convocaria eleições”, o PS “entende que as eleições devem realizar-se o mais cedo possível”. “E, no nosso entender, considerando que teremos a quadra natalícia e que essa quadra se prolonga até ao princípio de janeiro, a data que o PS entende ser a data adequada seria o dia 16 de janeiro, para garantirmos tão breve quanto possível as condições de governabilidade adequadas às necessidades do país”, frisou.

Segundo o secretário-geral adjunto do PS, “garantir a governabilidade plena do país é mesmo para o PS o ponto crucial do momento” por que o país está a passar.

Bloco de Esquerda

Falando aos jornalistas no final da audiência com o Presidente da República, Catarina Martins salientou que, "embora não fosse a opinião do Bloco de Esquerda, o Presidente da República decidiu legitimamente dissolver a Assembleia da República".

"Neste cenário, nós consideramos que as eleições devem ocorrer o mais depressa possível, devem ser os seus partidos a adaptar os seus processos ao calendário eleitoral e não o contrário, e foi essa a posição que transmitimos também ao Presidente da República", indicou.

No entanto, apesar de ser um "processo que está em andamento" e o de o país precisar de "definição e não de impasse", Catarina Martins salientou que, "naturalmente", também é preciso que "haja uma campanha eleitoral que seja esclarecedora", o que, na ótica do Bloco de Esquerda, seria "impossível antes do dia 16 de janeiro". 

CDS

Francisco Rodrigues dos Santos reproduziu as palavras de Marcelo Rebelo de Sousa para afirmar que que as eleições devem ter lugar "logo, logo que possível", "apontando ou para o dia 09 de janeiro ou 16 de janeiro".

"Entendemos que o país não pode esperar, as eleições legislativas devem ser marcadas o quanto antes, e que a vida interna dos partidos não deve condicionar todo o interesse nacional e a necessidade de termos um Governo estável capaz de iniciar a recuperação social e económica do nosso país", afirmou.

Um dia depois de o Conselho Nacional do CDS ter concordado em adiar o congresso do partido - que teria lugar entre 27 e 28 de novembro, e em que Nuno Melo iria disputar a liderança com Francisco Rodrigues dos Santos -- o presidente do partido garantiu que "não será, pela parte do CDS-PP, que o país não terá um Governo o mais rapidamente possível, não terá um orçamento que lhe permita iniciar esta recuperação económica e social do país".

"O CDS naturalmente não será um problema, não é um empecilho à normalidade democrática de Portugal, e estará assim empenhado em ser parte da solução, comprometendo-se com a participação na construção de uma alternativa política de centro-direita que permita ganhar as eleições e devolver a esperança aos portugueses", indicou.

PCP

"Não foi a votação do Orçamento do Estado que obrigava o Presidente da República a convocar eleições, decidiu fazê-lo, é responsável por isso", afirmou Jerónimo de Sousa, no final de uma audiência com o Presidente da República em Belém, para discutir a dissolução do parlamento e a data das eleições antecipadas. Dentro deste quadro, o líder comunista defendeu que se "devem realizar o mais depressa possível".

"Temos como referência que as eleições não deveriam passar do 16 de janeiro. Tendo em conta as implicações que tem na quadra natalícia e no Ano Novo e de permitir a campanha eleitoral, foi esta a sugestão que fizemos ao senhor Presidente da República", afirmou.

Questionado sobre a possibilidade de reeditar um novo acordo com o PS após as legislativas, Jerónimo de Sousa reiterou que "o objetivo não declarado do PS é alcançar a maioria absoluta", mas não excluiu convergências com os socialistas em matérias que sejam comuns aos dois partidos.

E à pergunta se o Presidente da República falou da possibilidade de existir, na próxima legislatura, um acordo escrito, Jerónimo respondeu negativamente. "Não, foi um curto diálogo, muito centrado nas datas", disse.

Chega

"A data de 16 de janeiro parece-nos uma data aceitável dentro do quadro da organização dos partidos e também de alguma celeridade e brevidade", defendeu André Ventura aos jornalistas, no final da audiência com o Presidente da República, que recebe hoje os partidos com assento parlamentar para discutir a dissolução do parlamento e a data das eleições antecipadas.

O líder do Chega disse ainda ter feito uma recomendação "pessoal" a Marcelo Rebelo de Sousa, pela qual pediu previamente desculpas, considerando que o chefe de Estado está a criar "uma perceção pública" - a que o Presidente seria alheio - de que "se podia estar a envolver numa luta interna de um partido".

"Remeter eleições para depois de 30 de janeiro pode passar a perceção pública que o Presidente se está a envolver num jogo interno de um partido e a apoiar um candidato em detrimento de outro", afirmou, recordando que Rui Rio quer eleições o mais rápido possível em janeiro e Paulo Rangel no final de fevereiro.

Questionado se o chefe de Estado manifestou alguma preferência por datas, Ventura disse estar convicto que Marcelo Rebelo de Sousa "está aberto" às várias posições. "Não me parece que o Presidente da República já tenha fechada na sua cabeça uma data", disse.

Iniciativa Liberal 

O único a demonstrar opinião contrário a 16 de janeiro foi João Cotrim de Figueiredo, líder da Iniciativa Liberal, que transmitiu ao Presidente da República o desejo de que as eleições antecipadas não ocorram "antes de 30 de janeiro", para permitir que haja um “campo de jogo equilibrado entre todas as forças políticas”.

Com Lusa

Siga-nos no Facebook, Twitter e receba as nossas newsletters diárias.


Notícias relacionadas

Impasse político
Marcelo Rebelo de Sousa marcou as eleições legislativas para o próximo dia 30 de Janeiro. Neste século, é a quarta vez que Portugal vai a eleições antecipadas. Escolhendo esta data, o presidente da República decretou igualmente o impasse político mais longo destes 20 anos. Desde o chumbo do OE, serão 95 dias de vazio político. A crise mais longa tinha ocorrido em 2001, quando António Guterres se demitiu depois da “débâcle” nas autárquicas.
O PS afirmou hoje que "compreende e respeita" a decisão do Presidente da República de dissolver o parlamento e marcar eleições antecipadas, adiantando que não haverá "vazio de poder", e apelou à mobilização para esse ato eleitoral.
O secretário-geral  Adjunto do Partido Socialista (PS), José Luís Carneiro