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Madeleine McCann: um homicídio sem cadáver?
Opinião Portugal 2 min. 09.05.2022
Caso Maddie

Madeleine McCann: um homicídio sem cadáver?

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Madeleine McCann: um homicídio sem cadáver?

Foto: John Stillwell/PA Wire/dpa
Opinião Portugal 2 min. 09.05.2022
Caso Maddie

Madeleine McCann: um homicídio sem cadáver?

Sérgio FERREIRA BORGES
Sérgio FERREIRA BORGES
Agora, a polícia alemã (…) garante que Bruckner matou a criança, sem adiantar, por enquanto, qualquer motivação.

Em Portugal temos uma investigação criminal que considero de excelência. Apesar disso, em 15 anos, foi incapaz de descobrir o que se passou com uma criança inglesa desaparecida no Algarve.

Naquela quinta-feira, 3 de Maio de 2007, por volta das 22 horas, Madeleine McCann, de quatro anos, dormia num apartamento turístico da praia da Luz, na companhia dos dois irmãos gémeos, mais novos que ela. Estes são os últimos detalhes que se conhecem, com algum rigor, da vida de Madeleine.

Por esta altura, os pais jantavam descontraidamente com uns amigos num restaurante do mesmo complexo. Mais que descontracção, aquele jantar revelou alguma negligência parental que a investigação portuguesa quis que fosse também avaliada pelos tribunais. Mas a influência dos progenitores junto da justiça britânica passou uma esponja por aquela circunstância e por outras.

A justiça portuguesa já constituiu Bruckner como arguido, evitando assim a prescrição do crime.

O caso foi morrendo até que a justiça alemã entrou em cena. O procurador, Hans Christian Wolters, jura a pés juntos que um marginal germânico, Christian Bruckner, hoje com 43 anos, é o assassino de Madeleine. Curiosamente, investigador e investigado são homónimos.

Até hoje, ninguém tinha certezas. Estaríamos perante um rapto, com sequestro, um crime de natureza sexual, ou um homicídio? Agora, a polícia alemã dissipa algumas dessas dúvidas e garante que Bruckner matou a criança, sem adiantar, por enquanto, qualquer motivação.

A justiça portuguesa já constituiu Bruckner como arguido, evitando assim a prescrição do crime. Mas na Alemanha ainda não foi deduzida qualquer acusação. A investigação não está ainda concluída e há pormenores a ser tratados com elevada minúcia. Como o homem está às ordens das autoridades numa penitenciária alemã, cumprindo pena por outro crime, os investigadores estão a trabalhar sem a pressão do tempo.

O passado de Bruckner não o recomenda. Depois de uma infância e uma adolescência problemáticas, no interior de uma família desestruturada, instalou-se no Algarve, vivendo em caravanas e outros locais precários. Roubou, violou e manteve uma vida de pronunciada afeição à droga e ao álcool. Em alguns locais da vida nocturna algarvia era apenas conhecido por esses vícios que, aparentemente, lhe proporcionavam outras amizades de duvidosa reputação.

Depois de ter sido constituído arguido, ele disse que tem um álibi. À hora do rapto, estaria a quilómetros de distância, em animado convívio sexual com uma mulher, cuja identidade desconhece ou não quer revelar.

Parece ser este o pormenor decisivo que sobejou para a Polícia Judiciária portuguesa. Uma polícia que só não é melhor porque lhe escasseiam os meios, técnicos e humanos.   

(Autor escreve de acordo com a antiga ortografia.)

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