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Máscara na rua e controlo nas fronteiras? Portugal estuda cenários antes de reunião com especialistas
Portugal 4 min. 17.11.2021
Covid-19

Máscara na rua e controlo nas fronteiras? Portugal estuda cenários antes de reunião com especialistas

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Máscara na rua e controlo nas fronteiras? Portugal estuda cenários antes de reunião com especialistas

Foto: AFP
Portugal 4 min. 17.11.2021
Covid-19

Máscara na rua e controlo nas fronteiras? Portugal estuda cenários antes de reunião com especialistas

Ana TOMÁS
Ana TOMÁS
Reunião entre Governo e peritos no Infarmed regressa esta sexta-feira e começam a ser avançadas algumas hipóteses para conter o aumento de casos e de internamentos por covid-19.

Políticos e especialistas em saúde voltam a reunir-se esta sexta-feira, 19 de novembro, para avaliar a situação pandémica em Portugal, numa altura em que o país também assiste a um aumento do número de infetados e dos internamentos.

O regresso da máscara nas ruas, do teletrabalho e um maior controlo nas fronteiras e viagens são algumas das hipóteses em cima da mesa, que deverão ser discutidas no encontro.


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Está marcada para a próxima sexta-feira. A última reunião no Infarmed, em Lisboa, realizou-se no passado dia 16 de setembro.

O país tem uma das taxas de vacinação contra a covid-19 mais altas do mundo, contudo, a subida de casos em território nacional - ainda que abaixo da média europeia, mas com tendência crescente - e na Europa no geral, levam o Governo a querer antecipar a quadra natalícia, propícia a uma maior transmissão. O objetivo é evitar um cenário semelhante ao de janeiro de 2020 e conter o impacto de uma possível quinta vaga.

Na terça-feira, o primeiro-ministro avisou que é preciso "agir já para chegar ao Natal com menos receios". À margem das comemorações do 99.º aniversário de José Saramago, em Rio Maior, António Costa reconheceu aos jornalistas que a situação pandémica, aliada à chegada do inverno e do Natal e Ano Novo, requer uma avaliação das medidas atuais.

"Temos de procurar agir já para chegar ao Natal com menos receios. Atuar já não é precipitadamente e sim em função da informação científica que vai ser partilhada com o país na sexta-feira", afirmou, descartando contudo um novo estado de emergência. Ainda assim, ressalvou que não se podem "ignorar os sinais" de alerta, tanto no país como no espaço europeu, nem "descansar à sombra da vacinação".

O primeiro-ministro não confirmou, mas também não desmentiu, a possibilidade de retoma do teletrabalho obrigatório sempre que possível. A hipótese tinha sido negada pela ministra do Trabalho, Ana Mendes Godinho, na segunda-feira mas Costa deixou a hipótese em aberto.


Teletrabalho pode voltar a ser obrigatório em Portugal
Hipótese foi colocada em cima da mesa pela ministra do Trabalho, Ana Mendes Godinho, nesta segunda-feira, 15. Governo está a analisar a situação epidemiológica no país.

Outra das medidas que poderá estar de regresso é uso obrigatório de máscara nas ruas. Pelo menos essa é uma hipótese defendida pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, que sempre se mostrou reticente ao seu levantamento. "Fui dos primeiros a pô-la e serei dos últimos a tirá-la", disse em agosto.

Esta terça-feira, em declarações aos jornalistas em Lisboa, e questionado sobre se devia ser retomado o uso obrigatório de máscara na rua, o chefe de Estado respondeu: "Isso, claro, isso é evidente". Apesar de tudo, afirmou ser preciso "esperar pela reunião do Infarmed" de sexta-feira e lembrou que as medidas a tomar devem ser ponderadas "serenamente". "Temos uma vacinação que não tínhamos. E depois se atuará em conformidade", declarou, lembrando que os números que Portugal tinha em 2020, em termos de infetados, internamentos e mortes por covid-19 por esta altura, eram muito superiores.

Restrições de viagens 

Já a Direção-Geral da Saúde (DGS) reconhece que um reforço do controlo das fronteiras e algumas restrições de viagens poderiam contribuir para fazer recuar o aumento dos contágios.


Portugal. Marcelo Rebelo de Sousa defende reposição do uso de máscara na rua
Presidente da República considerou, no entanto, que se deve "esperar pela reunião do Infarmed" com especialistas, marcada para sexta-feira. A primeira desde o dia 16 de setembro.

Na terça-feira, o subdiretor do organismo, Rui Portugal, admitiu que apesar dos certificados, "o controlo das fronteiras é uma das medidas relevantes". "O controlo de fronteiras e em termos de viagens é uma medida possível mas terá de ser muito bem justificado", afirmou o responsável, recordando que esse tipo de ação é articulado com os outros Estados-membros.

Nenhuma medida está ainda decidida, mas nenhum cenário, incluindo um novo confinamento, está excluído, como afirmou a ministra da Saúde, Marta Temido, na semana passada. "Os cenários têm de estar todos em aberto", afirmou a governante, apelando à vacinação de reforço dos cidadãos com idades a partir dos 65 anos.

Portugal já vacinou com a dose adicional de vacina anticovid 548.000 pessoas. Esta terça-feira, foi disponibilizada a modalidade "Casa Aberta, que não necessita de agendamento prévio, para pessoas com 75 ou mais anos. Encontra-se igualmente disponível o autoagendamento das vacinas para pessoas com 70 ou mais anos.


Portugal pode voltar ao confinamento. "Todos os cenários estão em aberto"
Ministra da Saúde disse que o país está preparado para responder à quinta vaga "o melhor possível", mas lembrou que "países muito robustos estão debaixo de uma quinta vaga muito evidente. É o caso da Alemanha", sublinhou Marta Temido.

Nesta fase de reforço da vacinação, entre os utentes elegíveis, a prioridade vai sendo dada gradualmente e de forma decrescente às faixas etárias mais envelhecidas até chegar aos 65 anos.  

A DGS estabeleceu o dia 19 de dezembro como meta para ter todas as pessoas elegíveis, com mais de 65 anos, vacinadas com a dose de reforço. 

Os profissionais de saúde também começaram a tomar a terceira dose da vacina esta semana. Na próxima semana prevê-se a vacinação dos profissionais dos lares e também os bombeiros envolvidos no transporte de doentes.


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