Escolha as suas informações

Mãe que abandonou recém-nascido em caixote do lixo agiu sozinha e vivia na rua
Portugal 3 min. 08.11.2019

Mãe que abandonou recém-nascido em caixote do lixo agiu sozinha e vivia na rua

Mãe que abandonou recém-nascido em caixote do lixo agiu sozinha e vivia na rua

LUSA
Portugal 3 min. 08.11.2019

Mãe que abandonou recém-nascido em caixote do lixo agiu sozinha e vivia na rua

A mulher nunca revelou a gravidez a ninguém, teve a criança na rua, e não apresenta perturbações mentais ou consumo de drogas, relatou a polícia.

A mãe que abandonou o recém-nascido na terça-feira num caixote do lixo em Lisboa agiu sozinha e nunca revelou a gravidez a ninguém, vivendo numa situação “muito precária na via pública”, anunciou hoje a Polícia Judiciária (PJ).

Em conferência de imprensa, realizada na sede da PJ, Paulo Rebelo, chefe da Diretoria de Lisboa e Vale do Tejo, explicou que a mulher, de 22 anos, não resistiu à detenção, efetuada na madrugada de hoje, na cidade de Lisboa.

O responsável acrescentou que a mulher estava consciente, sem perturbações mentais, não apresentando sinais de consumo de drogas.

Parto feito "na via pública"

Paulo Rebelo relatou que o parto "foi feito na via pública, nas imediações do local onde foi encontrada a criança”, e que a mulher não deu entrada em nenhum hospital, escusando-se a revelar se estaria a ser seguida em algum centro de saúde.

A jovem não tem antecedentes criminais, foi encontrada sozinha e “nunca declarou ou manifestou a gravidez” a ninguém.

O diretor da Diretoria de Lisboa e Vale do Tejo da PJ indicou que, neste momento, tudo aponta para que a progenitora seja “a única autora do crime”, ressalvando que a investigação vai prosseguir.

A PJ conseguiu chegar à mãe do recém-nascido depois de ter realizado “inúmeras e incessantes diligências”, sem, no entanto as explicar aos jornalistas, as quais permitiram "a localização, identificação e detenção" da jovem.

O alegado pai não se encontra em Lisboa

Sobre o alegado pai do recém-nascido, Paulo Rebelo afirmou que o mesmo “não se encontra na cidade ou na região”, mas que esses factos serão ainda apurados.

O diretor da Diretoria de Lisboa e Vale do Tejo da PJ demonstrou também “regozijo e satisfação” pelo bebé estar bem de saúde.

Indiciada por "homicídio qualificado"

O responsável acrescentou que o processo se encontra em segredo de justiça.

A arguida, que está indiciada da prática de homicídio qualificado, na forma tentada, vai ser hoje presente a primeiro interrogatório judicial no Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa, no Campus da Justiça, para aplicação das medidas de coação.

As autoridades receberam pelas 17h30 de terça-feira o alerta para um recém-nascido encontrado num caixote do lixo na Avenida Infante D. Henrique, perto da estação fluvial, em Santa Apolónia, e junto a um estabelecimento de diversão noturna.

"É um bebé saudável"

O recém-nascido foi encontrado por um sem-abrigo, ainda com vestígios do cordão umbilical, explicou na altura fonte da PSP, acrescentando que o bebé foi depois transportado ao Hospital Dona Estefânia, em Lisboa, a inspirar alguns cuidados.

Na quinta-feira, o responsável pela unidade de cuidados intensivos neonatais do Hospital Dona Estefânia disse que o recém-nascido “é um bebé saudável”, pelo que, em termos clínicos, poderia ter alta nas próximas 48 horas.

Daniel Virella explicou que a alta do bebé depende da decisão do Estado para o acolher, nomeadamente da Comissão de Proteção de Crianças e Jovens (CPCJ), reforçando que “clinicamente não há nada que impede de ter alta”.

Bebé ainda internado

No Hospital Dona Estefânia, foram feitas “as análises, os exames complementares, que são habituais numa situação dessas, e o resto foi, basicamente, cuidados de prevenção”.

Após ter sido internado no polo de urgência de pediatria do Hospital Dona Estefânia, onde precisou de “cuidados quase mínimos”, o recém-nascido foi transferido para a Maternidade Alfredo da Costa por “não carecer de cuidados complexos médicos e cirúrgicos”.

Entretanto, o Ministério Público (MP) anunciou a instauração de um inquérito para averiguar o caso do recém-nascido, que “corre termos no DIAP [Departamento de Investigação e Ação Penal] de Lisboa”, referiu a Procuradoria-Geral da República à agência Lusa.

Lusa/Fim


Notícias relacionadas