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Mãe que abandonou bebé no lixo voltou ao local e não salvou o filho
Portugal 4 min. 15.11.2019 Do nosso arquivo online

Mãe que abandonou bebé no lixo voltou ao local e não salvou o filho

Mãe que abandonou bebé no lixo voltou ao local e não salvou o filho

Foto: Pixabay
Portugal 4 min. 15.11.2019 Do nosso arquivo online

Mãe que abandonou bebé no lixo voltou ao local e não salvou o filho

Mulher deixou o namorado na tenda para ir dar à luz sozinha, e levou um saco de plástico, já planeando deixar o filho, disse juíza.

Na madrugada de 5 de novembro, a mulher sem-abrigo, de 22 anos, estava na tenda com o namorado, quando pressentiu que ia ter o bebé e decidiu sair. 

Disse ao namorado que “ia dar uma volta”. Ele perguntou-lhe o que ela tinha e a namorada disse-lhe que não se sentia bem. O sem-abrigo ainda lhe disse para irem ao médico, mas ela recusou.

Saiu da tenda, ao pé de Santa Apolónia, em Lisboa, não deixando o namorado ir com ela, e foi à outra tenda onde guardava os mantimentos para ir buscar um saco de plástico.

A descrição dos passos dados por esta mulher que abandonou o filho recém-nascido no caixote do lixo, constam na decisão do Supremo Tribunal de Justiça (STJ) de rejeição de um 'habeas corpus' apresentado por um grupo de advogados que pedia a libertação da mulher defendendo que a sua prisão era ilegal.

A reconstituição dessa noite foi feita com base nos factos contados pela própria mulher e que, segundo a juíza de instrução criminal revelam que a mulher já tinha premeditado o crime, conforme adianta o jornal Público. 

Terá mesmo confessado que decidiu deixar a criança num local escondido de modo a não ser encontrada.

Levou saco de plástico para pôr bebé

Durante a gravidez, esta mãe nunca revelou que estava grávida, nem sequer ao namorado. Sempre mentiu alegando problemas com gases.

"Sara foi buscar o saco plástico com o objetivo de nele colocar o bebé, conforme o plano que previamente traçara e que consistia em nunca revelar a sua gravidez e o nascimento de um bebé, que pretendia matar", lê-se no documento do STJ, citado pelo Correio da Manhã.

 Na madrugada de 5 de novembro já com o saco de plástico afastou-se das tendas para ir ter o bebé.

Recém-nascido "caiu no chão"

De acordo com o documento do STJ, citado pelo Público, esta grávida quando sentiu que tinha chegado a hora posicionou-se de cócoras e fez força. “O bebé caiu no chão e chorou. Agarrou no bebé e no aglomerado de sangue e tecidos que foram expelidos e colocou-os no interior do saco”.

Como o bebé nasceu num percurso entre a tenda e os contentores de lixo perto da discoteca Lux, a mulher decidiu deitar o saco com o bebé num desses caixotes do lixo. E voltou para a tenda. Terá acordado perto do meio-dia.

Ela e o namorado decidiram ir ter com outros sem-abrigo que estavam perto da discoteca Lux e dos caixotes do lixo.

Quando lá chegaram um dos amigos contou-lhes que um homem lhes tinha dito que tinha visto um bebé no caixote do lixo.

Viu de novo o filho no lixo

O companheiro da mãe do bebé ficou impressionado e curioso e, de acordo com o relatório do STJ, citado pelo Público foi ele próprio vasculhar os caixotes do lixo. Um deles era onde estava o bebé.

A mulher terá ido atrás dele e olhou para dentro do caixote e viu o filho, onde o tinha deixado. Mas nada fez e foi-se embora e convenceu o companheiro a afastar-se também.

Por tudo isto, esta mulher de 22 anos vai continuar presa preventivamente em Tires.

A prisão preventiva da arguida “foi ordenada pela autoridade judiciária competente, o juiz de instrução criminal, e por factos fortemente indiciados”, segundo os juízes do STJ.

Sem-abrigo alertaram polícia sobre bebé

O relato da mulher que abandonou o filho confere com a descrição feita pelo sem-abrigo João Paulo que ao final da manhã ia a passar pelos contentores do lixo quando ouviu um choro do bebé, como relatou esta sexta-feira numa reportagem à SIC.

Como tinha acabado de tomar “metadona” pensou que não estava a ouvir bem. Encontrou outro sem-abrigo e contou o sucedido e decidiram ir à esquadra mais perto contar o sucedido.

O polícia que estava à porta desvalorizou e não acreditou neles. João Paulo continuou a pensar no assunto e, por volta das 16 horas voltou aos contentores do lixo. Então ouviu de novo o choro mais claramente. E ouviu de que caixote do lixo vinha.

Chamou de novo o amigo e foi assim que o bebé foi salvo.

De acordo com o documento do STJ o recém-nascido ficou 14 horas no caixote do lixo, nu e sem agasalho até ser salvo. Tinha entrado em hipotermia e, de acordo com os médicos, mais umas horas e teria falecido. Hoje, ainda está internado apesar de estar a evoluir muito bem.

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