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Época de caça
Opinião Portugal 2 min. 19.01.2022
Legislativas

Época de caça

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Época de caça

Foto: Patrícia de Melo Moreira/AFP
Opinião Portugal 2 min. 19.01.2022
Legislativas

Época de caça

Luís Pedro Cabral
Luís Pedro Cabral
Uma crónica diária sobre a campanha para as legislativas portuguesas, a 30 de janeiro.

Com Jerónimo de Sousa em convalescença, João Oliveira (líder parlamentar) sem mais capacidade de desdobramento e João Ferreira, candidato comunista a tudo e mais alguma coisa, que esta terça se soube estar infectado com covid-19, obrigou o PCP a fazer nesta campanha algo de impensável nos 100 anos da sua história: a demonstrar a sua hierarquia interna. Bernardino Soares, bastante discreto desde a copiosa debacle nas autárquicas em Loures, lá teve de sair dos confins da sua terapia ocupacional para participar de corpo presente na campanha. 

O regresso ao terreno não foi auspicioso. O número 4 do partido, pelos vistos, terceiro na sucessão, fez uma visita a um restaurante para auscultar como tem passado por esta crise o sector da restauração. A escolha do restaurante não deixa de ser curiosa: O Cotrim, no concelho de Loures, outrora terra santa, que Bernardino Soares conhece bem, aconselhando a quem ali se desloque que prove uma sopa da pedra, que é mais ou menos como o caminho que o espera.


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Não faz muito tempo, Rui Rio descreveu o PAN (Partido das Pessoas, dos Animais e da Natureza) como um partido fundamentalista. Com a crise política decorrente do chumbo do Orçamento de Estado e a consequente marcação de eleições antecipadas, foi como se a água de mil rios tivesse passado debaixo da ponte. O PAN entrou nesta campanha como uma espécie de julgado de paz entre António Costa e Rui Rio, ambos em clima de charme com Inês Sousa Real, que agradece a deferência, como quem gere um jackpot. 

No debate com António Costa, a porta-voz do PAN mandou recados a Rui Rio, no debate com Rui Rio mandou recados a António Costa, e no debate com Cotrim de Figueiredo que, tanto quanto se sabe não é proprietário de um restaurante para os lados de São João da Talha, mandou recados a ambos. Os animais começam a ficar em pulgas.


Foto cedida pela RTP.(E-D) Rui Tavares do Livre, Inês de Sousa Real  do PAN, João Oliveira da CDU, Catarina Martins do Bloco de Esquerda, António Costa do PS, Rui Rio do PSD, Francisco Rodrigues dos Santos do CDS-PP, André Ventura do Chega e João Cotrim Figueiredo da Iniciativa Liberal durante o debate entre os candiadatos dos partidos com assento parlamentar às eleições parlamentares realizado na RTP, Lisboa, a 17 de janeiro de 2022.
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Para deixar bem vincado que está preparada para terrenos pantanosos, Inês Sousa Real apresentou-se junto à Base Aérea nº 6, no Montijo, carregada de simbolismo, com umas galochas vermelhas, até aos joelhos. A líder do PAN aventurou-se mesmo nas águas da praia fluvial do Samouco, alertando para o facto de, dentro de três décadas, toda aquela área se encontrar inundada. 

"O projecto do novo aeroporto vai meter muita água e nela se vão afundar muitos dinheiros públicos". Ao que parece, houve quem não resistisse a perguntar-lhe se estava a preparar-se para atravessar algum rio. Inês riu.

(Autor escreve de acordo com o antigo Acordo Ortográfico.)

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