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Legislativas. Habitantes de Olivença com dupla nacionalidade com direito de voto em Portugal
Portugal 2 min. 03.10.2019

Legislativas. Habitantes de Olivença com dupla nacionalidade com direito de voto em Portugal

Legislativas. Habitantes de Olivença com dupla nacionalidade com direito de voto em Portugal

Foto: Wikipedia
Portugal 2 min. 03.10.2019

Legislativas. Habitantes de Olivença com dupla nacionalidade com direito de voto em Portugal

Portugal não reconhece a soberania espanhola sobre este território. Olivença pertenceu a Portugal entre 1297 (Tratado de Alcanizes) e 1801, até ser invadida pela Espanha durante a chamada Guerra das Laranjas. Hoje, os oliventinos, que assim o solicitaram, podem votar nas eleições portuguesas.

Pela primeira vez na história, 500 habitantes de Olivença com dupla nacionalidade vão exercer o seu direito de voto nas eleições legislativas portuguesas. Entre os motivos que os levam a solicitar a dupla nacionalidade estão os vínculos culturais e afectivos.

Mas entre as gerações mais jovens, o pedido de nacionalidade portuguesa baseia-se em eventuais oportunidades educativas.

"Os oliventinos que hoje possuem a dupla nacionalidade passarão à história, não apenas por serem pioneiros ao levarem na carteira o Cartão de Cidadão português, mas, também, por serem os primeiros a exercer o seu direito de voto numas eleições gerais em Portugal", garante o periódico Rayanos.

Assim cerca de 500 oliventinos serão chamados às urnas portuguesas no próximo domingo, “mais os portugueses que residem em Olivença, que também a possuem”. Talvez dentro de um ano sejam mil e em cinco anos sejam dez mil. O que ninguém questiona é que esta declaração administrativa é mais do que levar um cartão de identificação com a bandeira verde rubra na carteira: “é o reflexo de um sentimento”.

O jornal Rayanos entrevistou Joaquín Fuentes, um activo elemento da Associação Além Guadiana, entretanto extinta, que esclarece que os mais jovens são uma percentagem menor entre os que possuem a dupla nacionalidade e que a componente afectiva é a que mais relevo tem no conjunto das motivações

São muitos os habitantes de Olivença que já receberam no seu domicílio as boas vindas da democracia portuguesa.

“A documentação já chegou. Primeiro uma carta a informar que podem votar e escolher quem querem que seja o próximo primeiro-ministro português.

A dupla nacionalidade foi um dos objectivos da desaparecida associação. A Além Guadiana apostou desde o primeiro minuto em resgatar, promover e valorizar a herança cultural que deixaram os cinco séculos de domínio português. “De alguma maneira havia que contribuir para que muitos aspectos culturais e linguísticos fossem recuperados e creio que nos anos em que a associação existiu colocamos um bom pilar, que criou essa consciência entre as gentes de Olivença”, destaca Fuentes.

“Os nossos habitantes sentem-se plenamente identificados com a cultura portuguesa”, reitera com emoção.

“Há que ter em conta que muitos de nós ouvimos falar português aos nossos pais e avós e apesar de Olivença ser espanhola desde 1801, o português foi a língua principal praticamente até aos anos cinquenta do século XX”, sublinhando que os costumes portugueses são os de Olivença. “Há um vínculo emocional e cultural muito forte que foi o principal detonador para que os oliventinos dessem este passo”.

“Eu gracejo com os meus colegas portugueses que será aqui onde se vai decidir finalmente quem vai governar no seu país”, afirma em tom de gozo. “Nunca se tinha dado esta oportunidade, é algo insólito. E muito significativo para o município rayano. “É uma maneira de fazer parte de uma comunidade”, conclui.

Portugal não reconhece a soberania espanhola sobre este território, baseando-se na sua interpretação das decisões do Congresso de Viena de 1815, e reclama a sua soberania.

Olivença pertenceu a Portugal entre 1297 (Tratado de Alcanizes) e 1801, até ser invadida pela Espanha durante a chamada Guerra das Laranjas.

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