Escolha as suas informações

Jovem francês nega envolvimento em morte de estudante no Porto
Portugal 3 min. 05.09.2022
Justiça

Jovem francês nega envolvimento em morte de estudante no Porto

O julgamento de Anas Kataya teve início esta segunda-feira
Justiça

Jovem francês nega envolvimento em morte de estudante no Porto

O julgamento de Anas Kataya teve início esta segunda-feira
Foto: DR
Portugal 3 min. 05.09.2022
Justiça

Jovem francês nega envolvimento em morte de estudante no Porto

Lusa
Lusa
Anas Kataya, de 22 anos, está acusado de homicídio qualificado e de ofensas à integridade física qualificada.

O jovem francês acusado de matar um estudante, na madrugada de 10 de outubro de 2021, no centro do Porto, assumiu esta segunda-feira em tribunal nada ter a ver com o crime, acrescentando nunca ter visto a vítima.

Na primeira sessão de julgamento, que arrancou esta segunda no Tribunal de São João Novo, no Porto, Anas Kataya, 22 anos, contou que nessa noite se deslocou com amigos para uma discoteca na zona de Passos Manuel, na baixa, afirmando que ele é que foi alvo de uma agressão e de uma tentativa de agressão, envolvendo outras pessoas, e não Paulo Correia, 23 anos, que foi basquetebolista do Guifões Sport Clube, concelho de Matosinhos, distrito do Porto.

“Se não teve intervenção nos factos que aqui estão a ser julgados, porque é que não disse logo, após a detenção, que era inocente, que a detenção era ilegal, injusta, que era um erro da justiça, que tudo de que era acusado é falso e que deviam procurar quem fez? É instintivo, quando alguém é inocente, procurar defender-se”, questionou a juíza presidente Isabel Monteiro.

Arguido afirma ter sido vítima de agressões

Na resposta, o arguido, estudante de medicina dentária e que se encontra em prisão preventiva desde 11 de outubro de 2021, explicou que, tanto a advogada, oficiosa, que o acompanhou à Polícia Judiciária, como uma segunda que contratou para estar com ele no primeiro interrogatório judicial, o aconselharam “a não falar”, pois isso “poderia prejudicá-lo”.

“Como é que acata uma coisa dessas?”, voltou a questionar a presidente do coletivo de juízes.

Segundo a versão do arguido apresentada em julgamento, num primeiro momento, quando ele e outros dois amigos se encaminhavam para a discoteca, junto ao Coliseu do Porto, deparou-se com um grupo “bastante agitado”, com um dos elementos – de cabelo grande e com rabo de cavalo – a gesticular para ele, “com os punhos levantados e em posição de luta”.

De acordo com o arguido, esta pessoa dirigiu-se para ele e disse a palavra “matar” e tentou agredi-lo, com o arguido a responder, sem, no entanto, o atingir.

O segundo episódio de violência relatado por Anas Kataya aconteceu mais tarde, quando um outro jovem, que vestia um pulôver azul, sem o arguido contar e sem perceber as razões, o agrediu com “um soco no olho direito”.

Em resposta, o arguido declarou que também acertou com “um murro” no suposto agressor, e que, posteriormente, cada um seguiu o seu caminho.

MP diz que desentendimento terá causado confronto

Para o Instituto Nacional de Medicina Legal (INML), o jovem de pulôver azul é a vítima mortal, Paulo Correia.

Confrontado com as fotos do INML, o arguido assumiu desconhecer aquela pessoa, sublinhando que não foi com essa com quem se envolveu fisicamente.

O principal arguido, Anas Kataya, está acusado de homicídio qualificado e de ofensas à integridade física qualificada, crime pelo qual está igualmente acusado um segundo arguido, Jean Jelali, também de nacionalidade francesa, mas que está em liberdade.

O despacho de acusação do Ministério Público (MP) conta que, na madrugada de 10 de outubro de 2021, junto a um estabelecimento de diversão noturna, na zona de Passos Manuel, “enquanto aguardavam pela entrada no local, gerou-se uma troca de palavras entre um grupo de cidadãos portugueses, onde se encontravam os três ofendidos, e três mulheres de nacionalidade francesa”.

Segundo o MP, “as três mulheres afastaram-se momentaneamente do local, indo ao encontro dos dois arguidos, também franceses, os quais, sabendo do desentendimento, vieram na direção do grupo [onde estava o estudante Paulo Correia], com o único propósito de agredir os seus elementos”.

“Um dos arguidos [Anas Kataya], ao alcançar um dos ofendidos, desferiu-lhe murros e socos no rosto e na cabeça e, de seguida, foi no encalço da vítima mortal, tendo-lhe desferido, com grande violência, um murro na zona da cabeça”, descreve a acusação, sublinhando que a vítima foi a cambalear até junto de uma viatura ali estacionada, na qual embateu, “caindo ao chão, ali ficando prostrada”.

O outro arguido [Jean Jelali], de acordo com o MP, “foi na direção do terceiro ofendido e desferiu-lhe um murro, fazendo-o cair no chão, após o que ainda o pontapeou no tórax”.

O Contacto tem uma nova aplicação móvel de notícias. Descarregue aqui para Android e iOS. Siga-nos no Facebook, Twitter e receba as nossas newsletters diárias.


Notícias relacionadas

O suspeito, que já tem condenações anteriores pela prática de crimes de atentado ao pudor, abuso sexual de crianças, furto, tráfico de droga e violência doméstica, é definido pelo Ministério Público (MP) como um “predador sexual” que seleciona as suas vítimas, baseado na sua vulnerabilidade.