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Jovem anti-fascista atacado por militantes de extrema direita pode ser preso por se defender
Portugal 3 min. 21.02.2020

Jovem anti-fascista atacado por militantes de extrema direita pode ser preso por se defender

Jovem anti-fascista atacado por militantes de extrema direita pode ser preso por se defender

Foto: Lusa
Portugal 3 min. 21.02.2020

Jovem anti-fascista atacado por militantes de extrema direita pode ser preso por se defender

Um elemento da Frente Unitária Antifascista (FUA) diz ter sido agredido por um grupo de cerca de nove elementos na estação de comboios de Braga. “Para mim é claramente um ataque político”, afirma.

Um jovem de 30 anos, cuja identidade o Contacto irá preservar e se irá referir como “Jovem A”, afirma que esta é já a quinta vez, desde 2016, que é atacado por membros apoiantes de grupos de extrema-direita. Ontem, o caso resultou em ferimento do alegado atacante. O resultado? O militar anti-fascista que terá sido atacado em primeiro lugar, ficou identificado como arguido. 

Quinta-feira à noite. Regressava a Braga de uma viagem ocasional ao Porto. Estava na Rua Nova da Estação, na freguesia de Maximinos, em Braga, e, para se dirigir a casa, chamou um Uber. O recibo da viagem a que o Contacto teve acesso, registou as 22h15 como a hora a que o motorista chegou ao ponto de recolha. Em comunicado da FUA, lê-se que “ao contrário do que foi dito em alguns jornais, não é uma questão de futebol ou de elementos de claques rivais mas sim, de perseguição política”.

O jovem que pediu para não ser identificado confirma que o comunicado escrito tem todos os elementos descritivos do que alegadamente terá acontecido na passada quinta-feira, onde se lê que o afrontamento terá começado no momento em que este ia a entrar no Uber e um elemento do alegado grupo “deu um pontapé na porta, fechando a mesma”. 

Terá sido neste instante que o Jovem A se virou para trás, apercebendo-se que estava “cercado um grupo de nove indivíduos, cujos rostos não estavam todos descobertos”. Terá tentado abrir novamente a porta do carro, “tendo de imediato oposição por parte de um dos indivíduos deste grupo”. Um destes elementos, que não teria o rosto tapado, ter-se-á então “lançado para cima” dele. Foi aí que conseguiu que o reconhecesse como sendo um elemento filiado a um grupo de extrema-direita, que entretanto no Facebook desmentiu este relato: "Não vamos pedir a ninguém autorização para fazer política, não vamos baixar a cabeça perante a infâmia da violência 'antifa'". No comunicado lançado hoje, o grupo Escudo Identitário escreve: "Numa dessas histórias, o "heróico" Esfaqueador de Braga protege-se do ataque de uma dezena ou mais de Escudistas, tendo "aparentemente" vislumbrado a "aparência" de um deles estar armado. Deixamos ao vosso bom senso o que pensar destas patranhadas".

 Quando questionado sobre o que estava o resto do grupo a fazer, o Jovem A afirma que estavam apenas a olhar “deixaram este “fazer o trabalho”, mas sem dúvida que se ele não acabasse no chão, vinham todos em cima de mim”, descreve. Porém, ter-se-á conseguido soltar, deitando o agressor ao chão, momento em que terá “avistado algo que parecia ser uma lâmina”, descreve o comunicado da FUA. O relato descreve que o facto do “principal agressor” estar caído no chão, permitiu-lhe aproveitar “o momento em que o motorista gritou “anda para o carro” para entrar no veículo que arrancou aceleradamente para fugir desta zona”. 

 O recibo da viagem marca que o militante anti-fascista chegou ao seu destino às 22:23, tendo a viagem demorado “7 minutos” para “3.54km” percorridos e, segundo o Jovem A, a Uber ter-se-á disponibilizado para colaborar no processo. 

Terá sido já em casa que notou que tinha as mãos ensanguentadas, o que o fez “telefonar de imediato à PSP para avisar do que se tinha passado e pedir para poder fazer o seu depoimento”. No registo das chamadas efetuadas do seu telemóvel lê-se  "PSP de Braga 22:37".

Entretanto, segundo comunicado da Polícia de Segurança Pública, a força de segurança registou uma chamada telefónica às 22h25 que denunciava “o esfaqueamento de um cidadão, ocorrido no Largo da Estação, em Braga". 

A resposta da PSP terá sido “imediata com a deslocação de policiais ao local, onde encontraram um cidadão, do sexo masculino, de 22 anos, com uma perfuração na zona do abdómen, já a receber assistência pelo INEM”, lê-se. A força de segurança informou em comunicado que “posteriormente foi possível identificar o agressor” - o Jovem A - "que alegou legítima defesa quando alegadamente foi atacado por um grupo de 9 pessoas”.

Segundo a PSP, os cidadãos intervenientes e testemunhas encontram-se identificados, o cidadão esfaqueado encontra-se livre de perigo e o Ministério Público foi informado da ocorrência.