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José Veiga envolvido em esquema de corrupção no Congo
Portugal 3 min. 06.08.2019

José Veiga envolvido em esquema de corrupção no Congo

José Veiga envolvido em esquema de corrupção no Congo

Foto: Lusa
Portugal 3 min. 06.08.2019

José Veiga envolvido em esquema de corrupção no Congo

Global Witness diz que o ex-agente, antigo imigrante no Luxemburgo, terá sido "testa de ferro" num processo que beneficiou em 50 milhões de euros o filho de um presidente africano

José Veiga está a ser investigado por crimes de corrupção internacional e branqueamento de capitais pelo Ministério Público, em Portugal relacionados com a República do Congo (Congo-Brazzaville). Mais precisamente em negócios alegadamente corruptos onde atuou como “testa de ferro” de dois filhos do presidente deste país africano, Denis Sassou-Nguesso, de 74 anos, segundo investigações da organização não governamental Global Witness, noticiadas pelo Expresso.

O Expresso já tinha noticiado, em outubro de 2017, que José Veiga tinha comprado para Claudia Sassou-Nguesso, a filha do presidente e deputada parlamentar, um luxuoso apartamento na Trump International Tower, em Nova Iorque, avaliado em mais de sete milhões de dólares (6,2 milhões de euros) com dinheiros públicos do país governado pelo pai. No total, Claudia terá conseguido retirar cerca de 20 milhões de dólares (17,88 milhões de euros).

Segundo a Global Witness anunciou este dinheiro era proveniente dos cofres do estado do Congo. Transação feita, em 2014, num esquema de corrupção complexo e muito bem montado, indica o Expresso. O governo do Congo declarou tratarem-se de “fake news”.

Milhões para o poderoso 'Kiki'

Agora, a Global Witness vem denunciar que outro filho do presidente do Congo “roubou” 50 milhões de dólares (cerca de 45 milhões de euros) também de fundos públicos do país, em 2014.

Denis Christel ‘Kiki’ Sassou-Nguesso, de 44 anos, o mais filho mais novo do presidente conseguiu ter acesso ao dinheiro através de uma “estrutura complexa e opaca” de lavagem de dinheiro espalhada por seis países da Europa, nas Ilhas Virgens Britânicas e em Delaware, nos EUA.

E quem coordenou todo este esquema? Terá sido o “testa de ferro” José Veiga, indica a Global Witness, no seu site e notícia o Expresso. Foi Veiga quem canalizou estes milhões para ‘Kiki’ segundo mostram documentos a que a Global Witness teve acesso.

‘Kiki’ é um homem poderoso no Congo, além de ser deputado é ainda diretor da companhia estatal de petróleo do país, a Société nationale des pétroles du Congo (SNPC), segundo o site da Global Witness.

 O centro da rede terá sido uma empresa no Chipre que pertencia a José Veiga e depois de muitas voltas o dinheiro terá sido dado por uma empresa brasileira de obras públicas, a Asperbras, aparentemente como “contrapartida de alguns contratos concedidos pelo governo do Congo”.

Negócios de 1,5 biliões no Congo

Num relatório de 2017, a organização não governamental suíça Public Eye revela, com base em provas que desde 2011 que José Veiga atua como representante desta companhia brasileira no Congo, escreve o Global Witness, no seu site. O português terá aproveitado a sua relação privilegiada com a família Sassou-Nguessos para realizar “contratos hiper-inflacionados com o governo daquele país”, lê-se no referido site. 

No total, a Asperbras conseguiu negócios no Congo no valor de 1,5 biliões de dólares (1,34 biliões de euros). “José Veiga ficaria com três por cento do valor total de cada negócio”, indica a Global Witness.

Em 2017, o jornal Expresso confrontou José Veiga sobre a compra do apartamento em Nova Iorque para a filha do presidente do Gongo. 

“O apartamento em questão é de propriedade de uma empresa da qual eu sou acionista. A aquisição feita por esta empresa foi financiada pelos meus próprios meios, num negócio que nada tem a ver com terceiros, nomeadamente a família do Presidente do Congo”, respondeu o ex-agente de futebol.