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Jorge Sampaio. “Um pioneiro da educação e dos direitos das mulheres”
Portugal 3 min. 10.09.2021
Jorge Sampaio 1939/2001

Jorge Sampaio. “Um pioneiro da educação e dos direitos das mulheres”

Jorge Sampaio durante a visita que hoje efetuou a Escola EB2/3 de Paranhos, no Porto em 2004.
Jorge Sampaio 1939/2001

Jorge Sampaio. “Um pioneiro da educação e dos direitos das mulheres”

Jorge Sampaio durante a visita que hoje efetuou a Escola EB2/3 de Paranhos, no Porto em 2004.
Foto: LUSA
Portugal 3 min. 10.09.2021
Jorge Sampaio 1939/2001

Jorge Sampaio. “Um pioneiro da educação e dos direitos das mulheres”

Paula SANTOS FERREIRA
Paula SANTOS FERREIRA
O abandono escolar ou a partilha de tarefas familiares foram duas das grandes causas abraçadas pelo antigo presidente da República, "um homem muito humanista", como lembra a sua assessora da Casa Civil, Ana Maria Bettencourt.

O presidente Jorge Sampaio foi toda a vida “um homem de causas”, e despertou o país “para situações dramáticas como o abandono escolar em Portugal que naquela altura eram tidas como normais”, declarou ao Contacto Ana Maria Bettencourt, antiga deputada do PS e que durante os últimos trinta anos trabalhou ao lado do político que faleceu esta manhã, com 81 anos.

 “Ele foi um presidente da Educação, dos direitos das mulheres e do interior do País, um presidente que gostava de ouvir os cidadãos e tomava as suas causas”, vinca Ana Maria Bettencourt, a assessora para a Educação da Casa Civil do Presidente da República durante os dois mandatos e que atualmente faz parte da direção da Plataforma Global para Estudantes Sírios, presidida por Jorge Sampaio.

 A ex-deputada recorda que na década de 80 o Partido Socialista começou a usar a expressão “Educação para todos”, nos programas eleitorais, uma das bandeiras mundiais da atualidade.

Visita a escolas do Luxemburgo

Para Jorge Sampaio era na educação que “estava o futuro dos jovens, das pessoas e o futuro do país”, diz a colaboradora próxima do antigo Presidente da República recordando que “luta pela exclusão educativa”, estava sempre nas suas prioridades nas presidências abertas e nas viagens oficiais às comunidades portuguesas.

 Em 2004, quando o então presidente visitou o Luxemburgo “fez questão de visitar os alunos portugueses nas escolas e falar com eles, na altura o abandono precoce era muito acentuado na comunidade”, recorda Ana Maria Bettencourt, realçando que o mesmo sucedeu nas visitas à Bélgica, França, países com grandes comunidades portuguesas e que se debatiam igualmente com este problema. “Acho que na altura as pessoas ficavam surpreendidas com estas visitas escolares” de Jorge Sampaio.

Também numa das presidências abertas, para os lados da Guarda Jorge Sampaio fez questão de acompanhar às 07h00 os jovens da aldeia no percurso para a escola, no autocarro. 

“Estes jovens viviam muito longe da escola, alguns levantavam-se às 4h00 ou 5h00 da manhã para alimentar os animais e depois ir para a escola, e muitos acabavam por abandonar os estudos, pela vida difícil que levavam”, recorda esta assessora que foi também presidente do Conselho Nacional para a Educação. 


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Jorge Sampaio empenhou-se em encontrar formas, juntamente com as autarquias e ministério da Educação para que estes jovens não decidissem abandonar a escola precocemente. Noutra visita, em Baião, o presidente falou com duas gémeas de 10 anos que tinham deixado a escola e convenceu-as a voltar a estudar.

“Até à sua morte ele defendeu a causa da Educação para o movimento do mundo”, vinca Ana Maria Bettencourt lembrando a fundação e liderança de Jorge Sampaio na Plataforma Global para os Estudantes Sírios. “A nossa plataforma dispõe de meios para trazer estudantes em situação de emergência dos seus países e estamos a projetar trazer estudantes afegãos. Mas neste momento, custa-me muito falar do futuro da Plataforma sem Jorge Sampaio, mas é uma grande causa”.

Desde a criação da plataforma já houve muitos estudantes que se licenciaram, tiraram mestrados e doutoramentos em Portugal.

Direitos das mulheres

 Os direitos das mulheres e a luta pela igualdade sempre tiveram grande importância na agenda político-social de Jorge Sampaio. “Foi um dos pioneiros nesta área, na altura estamos a falar de finais da década de 90, não era muito vulgar os políticos abraçarem causas como essa. Um ano dedicou à igualdade nas profissões, destacando mulheres pioneiras em profissões como magistradas, diplomatas e nas Forças Armadas, houve outro ano que se reuniu com as condutoras da Carris, por exemplo”, recorda.


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 Outro ano foi dedicado às questões da partilha de tarefas da família e da igualdade nesta área. “O objetivo foi alertar para a importância dos direitos das mulheres na esfera privada, familiar, outra preocupação que não era vulgar na altura”, sublinha Ana Maria Bettencourt vincando que nunca mais viu “um presidente celebrar o 8 de março”.

 Jorge Sampaio foi uma personalidade “muito humanista, um homem muito culto e com uma visão sempre positiva, e de abertura de Portugal ao mundo, sempre se preocupou em divulgar as qualidades e excelências do país”.

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