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João Ferreira candidata-se contra a cegueira à boleia da pandemia
Portugal 5 min. 18.09.2020

João Ferreira candidata-se contra a cegueira à boleia da pandemia

João Ferreira candidata-se contra a cegueira à boleia da pandemia

Foto: LUSA
Portugal 5 min. 18.09.2020

João Ferreira candidata-se contra a cegueira à boleia da pandemia

Redação
Redação
Os comunistas apresentaram a sua candidatura na colectividade Voz do Operário, no salão que está encimado pelas velhas palavras do movimento operário: "Trabalhadores Uni-vos", mas com a intenção de combaterem o medo e a perda de direitos sociais que tem acompanhado a covid-19.

O candidato à presidência apoiado pelo PCP, João Ferreira, criticou, na sua apresentação nesta quinta-feira, na Voz do Operário, as opções tomadas em Portugal para fazer face à pandemia da covid-19. “Em Portugal e no mundo, vivemos um tempo invulgar, complexo e exigente. A irrupção da covid-19, além de nos confrontar com questões novas, agravou consideravelmente velhos problemas”, aponta acrescentando que o “medo” tem sido “exacerbado e manipulado para restringir direitos e liberdades” e considera que tal aconteceu em Portugal com a declaração do estado de emergência.

O candidato dos comunistas dedicou algumas palavras antes ainda de passar aos objetivos da candidatura a criticar o “racismo, xenofobia, extrema-direita e fascismo” que, diz, “são normalizados e mesmo abertamente promovidos, a partir de alguns dos principais centros de poder económico e seus prolongamentos políticos e mediáticos”.

O discurso do candidato comunista João Ferreira começou com uma citação do escritor José Saramago — que foi militante do PCP — tirada do seu livro "Ensaio Sobre a Cegueira", João Ferreira diz que a “cegueira também é deixar de olhar para o futuro e deixar de o ver”.

“A candidatura que assumo e que agora aqui apresento, a Presidente da República é e será um espaço de luta comum: da juventude, dos trabalhadores e do povo. É minha e é vossa. É nossa. Assumo-a com honra, com determinação, com a consciência da responsabilidade e do dever”, diz o candidato do PCP acrescentando que se “dirige a todos e a cada um independentemente das escolhas eleitorais que fizeram no passado”.

“Façamos desta candidatura parte da luta pela mudança que desejamos para as nossas vidas, da mudança que Portugal precisa”, sublinha.

O eurodeputado do PCP João Ferreira declarou que a sua candidatura a Presidente da República era nome dos "valores de Abril" como um "espaço de convergência" e recusou fixar metas ou percentagens para as eleições.

"Sou candidato a Presidente da República, não sou candidato a percentagens eleitorais", afirmou o deputado ao Parlamento Europeu que o PCP apresentou e apoia às presidenciais de 2021, questionado pelos jornalistas sobre qual a meta a atingir ou se consideraria uma derrota ficar atrás de André Ventura, o pré-candidato mais à direita.

João Ferreira, que é também vereador da Câmara de Lisboa, eleito pela CDU, afirmou-se como um candidato "da convergência", contra a resignação e o medo.

Novo secretário-geral do PCP?

Questionado sobre se a sua candidatura poderia ser um ensaio para uma corrida a secretário-geral, o eurodeputado deu, por duas vezes, a mesma resposta e sem responder diretamente à questão: “Não vou contribuir para desvalorizar a importância destas eleições em que estou e estarei empenhado.”

Já sobre uma eventual desistência, como já aconteceu no passado com candidatos apoiados pelo PCP no passado, João Ferreira fechou a porta e afirmou que “a força em que esta candidatura se impulsiona demonstrou que esteve à altura das decisões que se impunham tomar para defender a Constituição e o regime democrático”.

Ao longo de 23 minutos e cinco páginas de discurso, no salão da Voz do Operário, cheio mas com medidas de distanciamento social, entrecortado por palmas, o eurodeputado e vereador de Lisboa enumerou as razões da sua candidatura.

É “um projeto”, definiu, da defesa dos direitos dos trabalhadores, contra “discriminações, exclusões e combate as injustiças sociais”, pelo “direito ao trabalho”, ao “emprego com direitos”.

Estas “não podem ser apenas palavras inscritas nas páginas da Constituição, têm de ser realidade concreta na vida dos trabalhadores, acompanhar o desenvolvimento das forças produtivas, do custo de vida”, afirmou.

A apresentação da candidatura comunista aconteceu na Voz do Operário, em Lisboa, perante cerca de duas centenas de simpatizantes, militantes e dirigentes, entre eles dois ex-candidatos presidenciais que chegaram à liderança do partido, Carlos Carvalhas e Jerónimo de Sousa, o atual secretário-geral, além de autarcas como Bernardino Soares, deputados como António Filipe e o líder parlamentar, João Oliveira.

Críticas a Marcelo Rebelo de Sousa

João Ferreira criticou o atual locatário do Palácio de Belém: “É notório que o atual Presidente da República está empenhado numa rearrumação de forças políticas, assente no branqueamento da política de direita e dos seus executores, promovendo a sua reabilitação, na forma da chamada política de “bloco central”, formal ou informalmente assumida, que marcou o país nas últimas décadas”.

E João Ferreira fez questão de sublinhar que o Presidente da República não pode ser um espectador e um mero comentador político da realidade com mais ou menos afectos: “os vastos poderes do Presidente da República podem e devem ser usados para impulsionar soluções para os problemas que o povo e o país enfrentam” e deixar novas críticas a Marcelo: “Exige uma genuína ligação à vida e não uma falsa empatia que se esboroa quando os assuntos são tão sérios como a dificuldade de se viver com os baixos salários, pensões, reformas e prestações sociais”.

A seis meses do fim do mandato do atual Presidente da República, são já oito os pré-candidatos ao lugar de Marcelo Rebelo de Sousa. São elas, por ordem de declaração de intenções de candidatura, o deputado André Ventura (Chega), o advogado e fundador da Iniciativa Liberal Tiago Mayan Gonçalves, o líder do Partido Democrático Republicano (PDR), Bruno Fialho, a eurodeputada e dirigente do BE Marisa Matias, a ex-deputada ao Parlamento Europeu e dirigente do PS Ana Gomes, Vitorino Silva (mais conhecido por Tino de Rans), o ex-militante do CDS Orlando Cruz e, João Ferreira, do PCP.

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