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Jimmy Diallo. "Lisboa é uma cidade incrível para se viver"

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Jimmy Diallo. "Lisboa é uma cidade incrível para se viver"

Jimmy Diallo. "Lisboa é uma cidade incrível para se viver"
Luxemburgueses Felizes

Jimmy Diallo. "Lisboa é uma cidade incrível para se viver"


por Paula SANTOS FERREIRA/ 15.05.2022

Ao terceiro dia em Lisboa, o luxemburguês Jimmy Diallo, 27 anos, apaixonou-se pela cidade onde vive há ano e meio. Foto: Rodrigo Cabrita

Jimmy Diallo conta como se apaixonou por Lisboa e as razões que o levaram a mudar-se do Grão-Ducado para este país à beira-mar. A terceira reportagem sobre os Luxemburgueses Felizes em Portugal.

A espontaneidade da vida portuguesa e o clima conquistaram o jovem luxemburguês que vive há ano e meio na capital portuguesa. Diz a rir que os amigos do Grão-Ducado sentem uma "ponta de inveja" da vida que Lisboa oferece e Jimmy desfruta.

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Sol e surpresas boas
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Rodrigo Cabrita

Jimmy Diallo adora o seu país, o Luxemburgo, onde nasceu e cresceu, mas a “vontade de conhecer mundo e viver noutros países”, cedo tomou conta dele. 

A paixão por pessoas e culturas diferentes ganhou-a no seu pequeno país natal que acolhe tantas nacionalidades distintas, e onde se cresce a “aprender tantos idiomas”, como lembra este luxemburguês, de 27 anos, que há ano e meio vive em Lisboa. “Sempre quis conhecer Portugal, sobretudo Lisboa, mas estou a viver aqui por um acaso”, lembra Jimmy Diallo. 

“Tinha planeado ir passar um ano a viajar e trabalhar na Ásia, mas chegou a pandemia, não dava. Então, vim visitar o meu amigo Samuel Klopp a Lisboa, e conhecer a cidade durante dez dias”, explica num inglês com sotaque britânico, que lhe ficou dos anos na universidade em Essex, Inglaterra. “Ao terceiro dia soube que era nesta cidade incrível que queria viver. Conquistou-me logo, mesmo na pandemia. Olhe para este sol maravilhoso!”, declara o jovem adiantando que no fim de semana a praia não lhe falhava.

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"Faz-se a festa de repente"
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Rodrigo Cabrita

A “espontaneidade” da vida em Portugal é algo que “fascina” Jimmy Diallo, filho de pai senegalês e mãe luxemburguesa nascida no Congo imigrados no Grão-Ducado, onde se conheceram e apaixonaram. “Em Lisboa, tal como em Bogotá onde vivi um ano, encontramos e fazemos a festa de repente, sem nada combinado. No Luxemburgo, é mais raro tal acontecer, as pessoas gostam de programar tudo com antecedência”, lembra este luxemburguês de Weiler-La-Tour que após ter concluído o secundário na École de Commerce et Gestion, na capital luxemburguesa, foi para Inglaterra frequentar o ensino superior. 

Na Universidade de Essex concluiu o bacharelato em Relações Internacionais e um master de dois anos em Cibersegurança. No terceiro ano do curso agarrou a oportunidade de ir estudar um ano para a Universidade de Los Andes, em Bogotá. “Sempre tive fascínio pela América Latina. A Colômbia é um país fantástico, de gente que adora música e pessoas e eu gostei muito de lá viver. Um dia quero voltar, mas a minha base é Lisboa”, conta Jimmy Diallo sentado numa esplanada perto das Amoreiras de frente para o sol.

De Bogotá regressou para Essex onde ficou mais um ano, a concluir os estudos. “Depois voltei para o Luxemburgo com a intenção de partir à descoberta da Ásia, mas acabei aqui em Lisboa. E estou muito feliz”, vinca o jovem confessando que no regresso ao país natal sentiu que “ainda não era altura para ficar lá, queria continuar a conhecer outros países”.

Voltei para o Luxemburgo com a intenção de partir à descoberta da Ásia, mas acabei aqui em Lisboa. E estou muito feliz.

Onde tudo acontece

Na verdade, Jimmy Diallo poderia neste momento estar em qualquer parte do mundo, pois é um trabalhador independente na mais promissora área da cibersegurança. Atualmente, é especialista em “blockchain security”, a segurança de alto nível que exigem as criptomoedas, como a Bitcoin ou a Ethereum. 


Reportagem sobre luxemburgueses que vivem em Portugal. Na imagem, Gerrard Hoss e Catarina Hoss fotografados para o jornal CONTACTO.
@Rodrigo Cabrita
Gerard Hoss. "Em Portugal aproveita-se mais a vida"
Esta é a primeira de três reportagens sobre "Luxemburgueses Felizes em Portugal", uma comunidade com quase 500 residentes e que mais do que duplicou em apenas cinco anos.

“Esta é uma das áreas do futuro que vai crescer muito rapidamente”, vinca o jovem analista de contratos da Ethereum de empresas internacionais. A ambição deste luxemburguês é tornar-se um dos melhores especialistas nesta área, o que “requer muito estudo, trabalho e dedicação”. Levanta-se às 06h00, e trabalha “o dia todo”. Mas fá-lo com “muito prazer”.

No tempo livre, “vive Lisboa”: “Esta cidade é vida, está tudo a acontecer aqui, tem gente de todo o mundo, muitos jovens empreendedores que também escolhem Lisboa para viver e trabalhar, e isso agrada-me muito”. Para Jimmy que é uma pessoa “muito comunicativa” e adora conviver e conhecer gente foi fácil fazer amigos, portugueses e de outras nacionalidades.

Rodrigo Cabrita

A decisão de morar em Portugal surpreendeu os seus amigos portugueses do Grão-Ducado. Sempre que vai à terra natal, perguntam-lhe se já sabe falar português, diz soltando uma gargalhada. Sabe, mas “ainda tenho de aprender mais”, confessa. De qualquer modo, o facto de dominar o espanhol, que aperfeiçoou no ano em que viveu na Colômbia “é uma grande ajuda”.

No fundo, sinto que alguns amigos meus portugueses e não só sentem uma ponta de inveja por eu viver em Portugal.

“No fundo, sinto que alguns amigos meus portugueses e não só sentem uma ponta de inveja por eu viver em Portugal”, conta sorrindo. Aliás, conhece “vários luxemburgueses que querem vir também morar para Lisboa”. 

No entanto, sublinha que para quem reside num país como o Luxemburgo não é fácil emigrar. Tem de se ter um “espírito livre”.

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Coragem para deixar o Luxemburgo
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Rodrigo Cabrita

“O Luxemburgo é um país rico muito desenvolvido, onde os salários são muito elevados, e só poucos têm a coragem de deixar todo esse conforto”, admite o luxemburguês. Como Jimmy Diallo é trabalhador liberal “o que neste momento ganho em Lisboa, ganharia o mesmo no Luxemburgo”. Contudo, “se estivesse a trabalhar numa empresa, o meu salário lá seria muito superior, isso é certo”.

... se estivesse a trabalhar numa empresa (no Luxemburgo) o meu salário lá seria muito superior.

“Eu adoro o Luxemburgo, mas estou satisfeito com o que ganho e sinto-me melhor em Portugal nesta fase da minha vida”, assume o jovem que quando pode parte à descoberta do seu novo país, sejam das terras do norte, ou das praias do Alentejo e Algarve. 


Reportagem sobre luxemburgueses que vivem em Portugal. Na imagem, Samuel fotografado para o jornal CONTACTO.
@Rodrigo Cabrita
Samuel Klopp. Um luxemburguês feliz em Lisboa
O restaurante italiano do luxemburguês Samuel Klopp na capital portuguesa é ponto de encontro dos luxemburgueses residentes em Portugal, e visita obrigatória dos familiares e amigos quando vêm a Lisboa.

“Prefiro viver com este sol que não há igual no Luxemburgo”, realça. E como Portugal e Luxemburgo estão a duas horas e meia de distância de um voo, é fácil para Jimmy Diallo ir matar as “saudades” do seu país, onde foi passar o natal com a família e agora tenciona visitar de novo, “no final do verão”.  

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