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Já são 11 as mulheres mortas em Portugal desde o início do ano
Portugal 3 min. 19.02.2019

Já são 11 as mulheres mortas em Portugal desde o início do ano

Já são 11 as mulheres mortas em Portugal desde o início do ano

Foto: Guy Wolff
Portugal 3 min. 19.02.2019

Já são 11 as mulheres mortas em Portugal desde o início do ano

Sobe para 11 o número de vítimas mortais de violência doméstica ou de género desde o princípio do ano. Desta vez, aconteceu na Golegã, no distrito de Santarém. Um homem matou a ex-mulher.

O alerta soou oito minutos antes da meia-noite de domingo. Segundo fonte da GNR de Santarém, o crime ocorreu no parque de estacionamento junto da danceteria São Martinho, na Golegã.

A Polícia Judiciária esclarece que o suspeito, o ex-companheiro, de 65 anos, já foi detido. O crime ocorreu "no seguimento de um conjunto de ameaças que vinha fazendo". Já havia, de resto, registo de violência doméstica.

Quando os bombeiros chegaram ao local, a mulher de 54 anos “estava em paragem cardiorrespiratória”, segundo cita o Público. Ainda foram “efectuadas manobras de reanimação”, mas sem qualquer resultado.

Todos os dias Elisabete Brasil, dirigente da UMAR (União das Mulheres Alternativa e Resposta) que tem a seu cargo o Observatório de Mulheres Assassinadas, lê as notícias. A rotina é terrível. Até porque não tem de procurar muito para as encontrar: as mulheres que morreram vítimas de violência doméstica. A pouco mais de um mês e meio do início de 2019, já são onze - entre elas uma criança de dois anos.

Foram espancadas, torturadas, esfaqueadas. Muitas sofreram até ao fim nas mãos de maridos, ex-companheiros, pais, familiares ou conhecidos. Todas foram vítimas de crimes por homens de odiavam mulheres.

Elisabete Brasil não consegue esconder a revolta no Diário de Notícias: "Passaram mais de vinte anos e nada mudou. É como se nada tivesse sido feito. É demais, elas continuam a morrer".

Entre o início de 2004 e o final de 2018, o Observatório das Mulheres Assassinadas, dinamizado pela UMAR recolheu notícias sobre a morte de 503 mulheres em contextos de violência doméstica ou de género.

Os números, porém, variam muito de ano para ano. No ano passado, houve notícia de 28 mulheres mortas.

Mas os números escondem uma violência ainda mais profunda.“Os estudos que fizemos mostram que há muitas mulheres que se suicidam após terem sido sujeitas a longos períodos de violência. Não conseguem aguentar e há um momento em que se suicidam”, explicou em Janeiro ao Público Manuel Lisboa, director do Observatório Nacional de Violência e Género da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.


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