Escolha as suas informações

Inquérito. Cabrita alega que não deu indicação sobre velocidade na A6
Portugal 2 min. 03.12.2021
Acidente

Inquérito. Cabrita alega que não deu indicação sobre velocidade na A6

Acidente

Inquérito. Cabrita alega que não deu indicação sobre velocidade na A6

Foto: PAULO CUNHA /LUSA
Portugal 2 min. 03.12.2021
Acidente

Inquérito. Cabrita alega que não deu indicação sobre velocidade na A6

Lusa
Lusa
Quanto à agenda de trabalho, Cabrita “precisou que não tinha compromissos externos agendados, apenas reuniões internas”. MP aponta velocidade de 163km/hora como "a mais provável".

 O ministro demissionário da Administração Interna, Eduardo Cabrita, disse no inquérito do processo em que o seu motorista está acusado de homicídio por negligência que não deu “qualquer indicação quanto à velocidade a adotar” pela viatura.

Segundo os autos do processo, consultados pela agência Lusa, a viatura que atropelou mortalmente um trabalhador na Autoestrada 6 (A6), a 18 de junho deste ano, era conduzida por Marco Pontes e transportava mais quatro pessoas, uma delas o ministro da Administração Interna.

Eduardo Cabrita, que se demitiu do cargo esta sexta-feira, foi ouvido na fase de inquérito e “salientou que não deu qualquer indicação quanto à velocidade a adotar” pela viatura, “nem de urgência em chegar ao destino”, pode ler-se no processo.


Ministro em contramão
Cabrita saiu pela porta-traseira, onde se afirmou um "mero passageiro", com o seu condutor acusado de homicídio por negligência e ainda duas contraordenações".

Quanto à agenda de trabalho, Cabrita “precisou que não tinha compromissos externos agendados, apenas reuniões internas” no Ministério da Administração Interna (MAI), na tarde desse dia.

A 18 de junho, a viatura em que seguia Eduardo Cabrita atropelou mortalmente Nuno Santos, trabalhador que fazia a manutenção da A6, ao quilómetro 77,600 da via, no sentido Este/Oeste (Caia/Marateca).

O Ministério Público (MP) deduziu esta sexta-feira acusação, requerendo o julgamento por tribunal singular, contra o motorista do veículo, Marco Pontes, imputando-lhe a prática de um crime de homicídio por negligência e de duas contraordenações.

Durante a fase de inquérito, segundo o MP, o condutor indicou que, além de si e do ministro, seguiam no veículo um oficial de ligação da GNR no MAI, um segurança pessoal e um assessor de Cabrita.

Marco Pontes alegou que conduzia a viatura “na faixa mais à esquerda” da A6, seguindo “orientações do Corpo de Segurança Pessoal da PSP” no que respeita ao posicionamento do veículo, e que a viagem “se fazia normalmente, sem horários a cumprir”.

O oficial de ligação da Guarda no MAI, que integrava a comitiva que, à hora do acidente, regressava a Lisboa, vinda da Escola Prática da GNR localizada em Portalegre, afirmou durante o inquérito que Cabrita “não teve qualquer interferência na determinação da velocidade” do automóvel, nem “no posicionamento”.


Portugal. Ministro Eduardo Cabrita demitiu-se
Ministro da Administração Interna pediu a exoneração do cargo ao Primeiro-Ministro, António Costa, no dia em que o motorista do carro em que seguia foi acusado de homicídio por negligência.

Velocidade de 163 km por hora é "a mais provável”

O mesmo foi afirmado pelo assessor pessoal do agora ministro demissionário, que alegou que o governante “não deu qualquer indicação quanto à velocidade a que devia seguir a viatura”.

“Nem nunca foi estipulada qualquer velocidade de deslocação pelo Corpo de Segurança Pessoal” da PSP “ou por qualquer outros elemento da comitiva”, disse o mesmo ocupante do automóvel.

Quanto ao assessor do ministro, igualmente inquirido nesta fase processual, confirmou que “não existiram indicações quanto à velocidade”.

Durante o inquérito, foi também efetuada uma perícia por peritos da Universidade do Minho, “destinada a apurar a velocidade instantânea e a dinâmica do acidente” de viação.

De acordo com o MP, foi possível aferir que a velocidade instantânea da viatura se situou entre os 155 e os 171 quilómetros/hora, “apresentando-se a velocidade de 163km/h como a mais provável”.


Família de homem atropelado por carro de Eduardo Cabrita recebe 246 euros de pensão por mês
A pensão de sobrevivência é de cerca de 160 euros para a viúva e de 43 euros para cada uma das filhas do homem que perdeu a vida no acidente de 18 de junho.

Eduardo Cabrita, demitiu-se esta sexta-feira, na sequência da acusação de homicídio por negligência do MP ao seu motorista.

O primeiro-ministro, António Costa, já disse ter aceitado o pedido de demissão e acrescentou que "nos próximos dias" indicará o nome do sucessor.

Siga-nos no Facebook, Twitter e receba as nossas newsletters diárias.


Notícias relacionadas

Ministro da Administração Interna pediu a exoneração do cargo ao Primeiro-Ministro, António Costa, no dia em que o motorista do carro em que seguia foi acusado de homicídio por negligência.