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Imigração ilegal. PJ trava rede criminosa que atuava dentro do Estado
Portugal 3 min. 15.10.2019

Imigração ilegal. PJ trava rede criminosa que atuava dentro do Estado

Imigração ilegal. PJ trava rede criminosa que atuava dentro do Estado

Portugal 3 min. 15.10.2019

Imigração ilegal. PJ trava rede criminosa que atuava dentro do Estado

Pelo menos 20 pessoas foram detidas no âmbito da Operação Rota do Cabo, acusadas de corrupção na legalização de imigrantes. São advogados, funcionários do fisco, segurança social e SEF.

O alegado mentor da rede criminosa é advogado e já tinha sido condenado em 2013 por crimes semelhantes. Sabirili Ali foi, inclusivamente, rosto de um "consultório jurídico" num programa da SIC. O moçambicano com ascendência indiana faz parte da lista dos pelo menos 20 detidos no âmbito de uma megaoperação desencadeada pela Polícia Judiciária esta terça-feira. 

Entre os acusados há mais dois advogados, dois funcionários das Finanças, dois da Segurança Social e uma inspetora do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF). 

Em comunicado, a Unidade Nacional de Contraterrorismo da PJ explica que a "organização criminosa" seria "responsável pela introdução ilegal em Portugal e na Europa, de milhares de imigrantes de diversos países da Ásia Meridional e África". Acrescenta que a rede é "constituída por indivíduos com vastos ascendentes criminais e com ligações a redes internacionais". 

Indiciados pela prática de crimes de associação criminosa, auxílio à imigração ilegal, casamentos por conveniência, falsificação de documentos, abuso de poder, corrupção ativa e passiva, branqueamento de capitais, falsidade informática e acessos indevido têm entre 28 e 64 anos. 

Vão ser presentes a um juiz de instrução criminal entre amanhã e quinta-feira. Só conhecem as medidas de coação depois do interrogatório judicial. Cabe ao tribunal determinar se ficam detidos preventivamente ou se ficam com termo de identidade e residência com apresentações periódicas, a medida mais e menos gravosa do Código de Processo Penal. 

Nome de Código? "Chamuças"

O grupo desmantelado pela PJ atuava nas entranhas dos serviços do Estado Português. O Diário de Notícias conta que rede contava com centenas de angariadores no terreno. Ainda não é certo o número de cidadãos brasileiros, africanos, paquistaneses, indianos, nepaleses e bangladeshianos que caiu na teia e adquiriu documentos com carimbo português por quantias avultadas de dinheiro. 

A rede criminosa criaria empresas fantasma para fazer contratos de trabalho fictícios. A PJ suspeita que inúmeros funcionários públicos receberam dinheiro para acelerar os processos para a emissão dos números de contribuinte e da segurança social, assim como as autorizações de residência. 

"Trazes chamuças hoje?", perguntaria o advogado, acusado de liderar o grupo, a uma empregada da limpeza do Centro Distrital da Segurança Social de Lisboa, suspeita de levar e recolher, quase diariamente, centenas de processos de imigrantes. 

Os investigadores chamam-lhe "toupeira". Nos próximos dias vai ter de explicar o esquema fraudulento, em que outro funcionário seria corrompido para inscrever e atribuir um número de segurança social, sem respeitar a lei da imigração.  

As conversas com o advogado moçambicano também constam da investigação.  Sabirili Ali perguntava pelas "chamuças"quando queria perguntar à "toupeira" se os processos tinham sido despachados  

Governo aplaude  

Chamado a comentar a megaoperação Rota do Cabo, o ministro da Administração Interna relembrou a importância do SEF no combate à imigração ilegal e ao tráfico de seres humanos. 

"Não conheço, naturalmente, os detalhes de algo que é competência das autoridades judiciárias, mas o combate à imigração ilegal e ao tráfico de seres humanos é uma prioridade absoluta das políticas públicas", afirmou Eduardo Cabrita, segundo o qual a funcionária do SEF "já tinha sido detida pelo próprio SEF em 2018, e estava, aliás, suspensa de funções".

De facto, a funcionária do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras foi alvo de um processo disciplinar promovido pelo organismo, "devido aos fortes indícios da prática dos crimes de corrupção passiva, abuso de poder e falsificação de documentos".

 


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