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Hells Angels: Arguidos queriam aniquilar grupo de Mário Machado e matar os seus membros
Portugal 6 min. 13.07.2019

Hells Angels: Arguidos queriam aniquilar grupo de Mário Machado e matar os seus membros

Hells Angels: Arguidos queriam aniquilar grupo de Mário Machado e matar os seus membros

Foto: AFP
Portugal 6 min. 13.07.2019

Hells Angels: Arguidos queriam aniquilar grupo de Mário Machado e matar os seus membros

Segundo a acusação, a que a agência Lusa teve acesso, os arguidos dirigiram-se em março de 2018 ao restaurante Mesa do Prior, no Prior Velho, em Loures, “munidos de facas, machados, bastões e outros objetos perfurantes” para tentarem ferir com gravidade ou mesmo matar seis outros ‘motards’ do grupo rival "Red& Gold" que pertence à estrutura dos Los Bandidos.

Os 89 arguidos do grupo Hells Angels elaboraram um plano para aniquilar os grupos ‘motards’ rivais através da força física e de várias armas para lhes causar graves ferimentos e, "se necessário até a morte", segundo o Ministério Público.

Oitenta e nove arguidos do denominado processo Hells Angels (HAMC) foram acusados pelo Ministério Público de associação criminosa, tentativa de homicídio qualificado agravado pelo uso de arma, ofensa à integridade física, extorsão, roubo, tráfico de droga e detenção de armas e munições entre outros crimes.

Segundo a acusação, a que a agência Lusa teve acesso, os arguidos dirigiram-se em março de 2018 ao restaurante Mesa do Prior, no Prior Velho, em Loures, “munidos de facas, machados, bastões e outros objetos perfurantes” para tentarem ferir com gravidade ou mesmo matar seis outros ‘motards’ do grupo rival "Red& Gold" que pertence à estrutura dos Los Bandidos.

Os arguidos entraram no restaurante munidos de martelos, tubos e barras/bastões em ferro e de madeira, correntes em ferro, machadas, soqueiras, bastões extensíveis e facas, com intenção de eliminar, ou ferir com gravidade, vários elementos dos “Red& Gold", do qual faz parte o extremista de direita Mário Machado, assistente neste processo.

Os procuradores do Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) concluíram que a atuação dos membros dos “HAMC’ implicados no processo "obedeceu a um planeamento operacional, através do recrutamento de membros e apoiantes, obtenção de armamento, vestuário de ´camuflagem´, meios de transporte, definição de pontos de concentração e de tarefas durante o ataque, bem como planeamento da fuga.

Dos 89 arguidos acusados, 37 encontram-se em prisão preventiva, cinco estão obrigados a permanecer na habitação com vigilância eletrónica e dois encontram-se detidos na Alemanha, a aguardar extradição para Portugal.

 Há um militar da Força Aérea e dois professores entre os arguidos do caso .  Segundo o jornal Público, o militar tem 36 anos e estava a prestar serviço no comando aéreo, em Monsanto, até ser preso preventivamente, o sargento Bruno Lampreia não está entre os que agrediram o bando rival do líder de extrema-direita Mário Machado. Mas foi dos que ficou à porta a vigiar a operação criminosa, não fossem aparecer as autoridades. Nas buscas à sua casa, em Almada, foram-lhe apreendidos um revólver, uma soqueira, um punhal, um bastão extensível e uma navalha. À excepção do revólver, são tudo armas proibidas. 

 Do rol de acusados fazem ainda parte dois professores, um dos quais de Educação Física. Trata-se de um homem já com 70 anos e reformado, e que seria o presumível líder dos Hells Angels a nível nacional. Mestre de artes marciais, foi ele quem fundou há década e meia em Portugal a primeira sede do grupo nos Olivais, em Lisboa.  

 O inquérito tem 56 volumes, 11 apensos “principais”, 92 apensos relativos a buscas domiciliárias e não domiciliárias, 17 apensos de transcrições de escutas telefónicas e nele foram apensos três outros inquéritos.

Uma história antiga

As ligações e choques entre Mário Machado e os Hells Angels têm uma longa história: em 2009, Mário Machado terá baleado na perna “Thor” dos Hells Angels, por causa do motard não autorizar a constituição de um grupo de skinheads na sua zona, Algarve. À procura de um acordo, Machado deslocou-se ao Algarve, na companhia de Bruno Monteiro e Nuno Cerejeira, todos elementos do Portugal Hammerskins. Thor não quis conversar e Machado não hesitou e baleou-o na perna. O ferido recusou fazer qualquer declarações à polícia. Em maio de 2010, Mário Machado é julgado por raptos, tortura e agressão de traficantes de droga a quem, com os seus companheiros, roubavam e ficavam com o dinheiro dos traficantes. Posteriormente, Mário Machado viria a abandonar os Hammerskins, dirigidos então pelo seu ex-amigo Bruno Monteiro, a quem acusou de só serem “criminosos travestidos em nacionalistas”, e veio, mesmo, segundo a imprensa, a ameaçar a namorada deste, dizendo que ou lhe passava 30 mil euros ou sofria as consequências.

Dez anos depois, em março de 2018, num sábado, enquanto representantes europeus dos Los Bandidos almoçavam com os portugueses, resguardados num restaurante do irmão de Mário Machado, no Prior Velho, cerca de 20 elementos dos Hells Angels, encapuçados, invadiram o local e caíram sobre os rivais, atacando-os com facas, paus, barras de ferro e martelos. Entre os sete feridos, três estavam em estado muito grave. Um dos hospitalizados que ficou em pior estado é o líder do capítulo de Los Bandidos na Alemanha.

Mário Machado safou-se por pouco. Atrasado, o líder português chegou ao local e, ao dar conta das motos e carrinhas do grupo rival que bloqueavam as entradas da rua onde se situa o restaurante do irmão, manteve-se afastado. Só quando os outros fugiram, já com a Polícia no terreno, o líder do grupo Nova Ordem Social regressou ao local. Confrontado pelos jornalistas que ali acorreram, Mário Machado respondeu com um gesto – passou com a mão rente ao pescoço, evocando a imagem de uma decapitação – e fez uma promessa: “A festa não acabou, vocês com certeza vão ter muito para falar no futuro!”.

Depois do ataque, segundo garantia na altura o Diário de Notícias, o SIS veio alertar para o elevado risco da habitual concentração de motards em Faro, que decorre entre 19 e 22 de julho, poder-se transformar num banho de sangue. As secretas portuguesas (SIS) consideram provável poder haver uma vingança dos Bandidos ao ataque no Prior Velho. Os espiões tinham relatos de movimentações de elementos dos Bandidos na cidade de Faro - possivelmente estariam a reunir e a esconder antecipadamente armas, para que não fossem detectadas pelas autoridades nas habituais operações stop que antecedem o evento motard. O SIS aventava a possibilidade dos Bandidos entrarem no recinto do encontro motard em carrinhas pick up, que alugariam em Espanha, para atropelar membros dos Hells Angels - um pouco à semelhança de outros ataques terroristas internacionais. Com milhares de pessoas nas ruas apanhadas neste ajuste de contas. Um cenário de terror.

Toda esta operação seria executada por uma unidade especial dos Bandidos, composta essencialmente por elementos alemães, da nacionalidade do chefe ferido, que se deslocariam a Portugal. Conhecidos pela designação irónica de: "Taking Care of Bussiness" (TCB), uma centena deles estaria junto à fronteira espanhola, em prevenção. 

Nada disso veio a suceder. E os Bandidos nunca chegaram a retaliar o ataque dos Hells Angels, que tem agora revelada a acusação do Ministério Público português. 

Com Lusa

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