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Hacker Rui Pinto por detrás dos Luanda Leaks
Portugal 3 min. 27.01.2020 Do nosso arquivo online

Hacker Rui Pinto por detrás dos Luanda Leaks

O whistleblower português está atualmente em prisão preventiva no caso Football Leaks.

Hacker Rui Pinto por detrás dos Luanda Leaks

O whistleblower português está atualmente em prisão preventiva no caso Football Leaks.
Foto: AFP
Portugal 3 min. 27.01.2020 Do nosso arquivo online

Hacker Rui Pinto por detrás dos Luanda Leaks

Catarina OSÓRIO
Catarina OSÓRIO
Investigação liderada pelo Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (ICIJ) revelou recentemente como Isabel dos Santos acumulou uma fortuna de dois milhões de euros. A milionária angolana foi acusada de fraude pelo Ministério Público de Angola.

O hacker português Rui Pinto, que denunciou os Football Leaks, está por detrás dos Luanda Leaks, divulgou esta segunda-feira o Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (ICIJ). A investigação liderada pelo ICIJ sobre como a empresária angolana acumulou uma fortuna de dois milhões de euros tem a participação de 36 órgãos de comunicação social em 20 países, incluindo os portugueses Expresso e SIC. 

Segundo o Expresso, a informação sobre o envolvimento do hacker português, atualmente em prisão preventiva, foi divulgada pelo advogado de Rui Pinto William Bourdon. Bourdon preside atualmente à Plataforma de Proteção de Denunciantes em África (PPLAAF), uma plataforma de proteção de whistlebowlers em África.

Os Luanda Leaks têm origem em mais de 715 mil documentos fornecidos pela  PPLAAF ao Consórcio dos Jornalistas. O caso já levou as autoridades angolanas a abrirem uma investigação judicial a 22 de janeiro, em que Isabel dos Santos foi constituída arguida.

Num comunicado citado pelo Expresso, Bourdon disse: "O PPLAAF está satisfeito por, mais uma vez, um whistleblower revelar ao mundo atos que vão contra o interesse público internacional. Tal como no caso do Football Leaks, estas revelações devem permitir o lançamento de novas investigações judiciais e assim ajudar na luta contra a impunidade dos crimes financeiros em Angola e no mundo". 

Em 2008 Rui Pinto entregou um disco rígido contendo dados relacionados com as recentes revelações sobre a fortuna de Isabel dos Santos à Plataforma de Proteção de Denunciantes na África (PPLAAF).

"Os advogados abaixo assinados declaram que o seu cliente, o Sr. Rui Pinto assume a responsabilidade de ter entregue, no final de 2018, à Plataforma de Proteção de Denunciantes na África (PPLAAF), um disco rígido contendo todos os dados relacionados com as recentes revelações sobre a fortuna de Isabel dos Santos, sua família e todos os indivíduos que podem estar envolvidos nas operações fraudulentas cometidas à custa do Estado angolano e, eventualmente, de outros países estrangeiro", refere uma nota.


(FILES) In this file photo taken on March 5, 2015 Angolan businesswoman Isabel dos Santos arrives to the opening of an art exhibition in Porto, northern Portugal. - An award-winning investigative team published a trove of files on January 19, 2020 allegedly showing how Africa's richest woman syphoned hundreds of millions of dollars of public money into offshore accounts. Its latest series called "Luanda Leaks" zeros in on Isabel dos Santos, the daughter of former Angola president Jose Eduardo dos Santos. (Photo by FERNANDO VELUDO / PUBLICO / AFP)
A fortuna de Isabel dos Santos também se construiu no Luxemburgo
Empresária usou fundos estatais angolanos, um dos países mais pobres do mundo, para adquirir participações na marca de jóias suíça De Grisogono – em parte através de uma empresa de fachada no Luxemburgo. Só nesta jogada, Angola perdeu 120 milhões de dólares (108,2 milhões de euros).

Bourdon disse ainda que Rui Pinto não teve motivações políticas por detrás da entrega dos documentos e reiterou que o português agiu em defesa do interesse público. "A partilha desta fuga de informação com o PPLAAF e, por sua vez, com os parceiros de media do ICIJ representou o fornecimento de provas incontestáveis sobre a miséria desnecessária que foi infligida ao povo de Angola e o papel dos intermediários que se enriqueceram ao facilitarem isso. Os documentos vieram de um cidadão preocupado — alguém que fez o que está certo em nome do público". 

Isabel dos Santos foi indiciada por desvio de fundos públicos durante os 18 meses em que esteve à frente da Sonangol, a companhia petrolífera estatal angolana. Além da empresária há arguidos portugueses no processo: a empresária Paula Oliveira e o gestor Mário Leite da Silva.

Nos documentos divulgados pelo ICIJ, o empresário português Guilherme Taveira Pinto é tido como a figura central de vários negócios levados a cabo por empresas espanholas em Angola. Taveira Pinto foi interrogado no Luxemburgo ainda antes de os Luanda Leaks terem sido tornado públicos.  


Opinião. Dona Disto Tudo
Notícia de última hora: a família dos Santos construiu um regime corrupto em Angola que lhes permitiu apoderarem-se do petróleo do país e tornarem-se das pessoas mais fabulosamente ricas no planeta.

O procurador-geral angolano, Hélder Pitta Grós, afirmou que a justiça quer esgotar todos os procedimentos para notificar a empresária angolana antes de pedir um mandado internacional de captura. Na semana passada, o diretor da private banking do EuroBic e gestor da conta da Sonangol, Nuno Ribeiro da Cunha, foi encontrado morto em casa, em Lisboa.

(Com Lusa)


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Numa semana, Isabel dos Santos, a mulher mais rica de África, passou de princesa a arguida, e a elite mundial dos negócios está a virar-lhe as costas. No meio do escândalo internacional há negócios feitos em Portugal que estão a ser vistos com outros olhos. A filha de Eduardo dos Santos diz-se vítima de perseguição política.