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Governo português quer criação de lista de suplentes para vacinação prioritária
Portugal 3 min. 01.02.2021 Do nosso arquivo online

Governo português quer criação de lista de suplentes para vacinação prioritária

Governo português quer criação de lista de suplentes para vacinação prioritária

AFP
Portugal 3 min. 01.02.2021 Do nosso arquivo online

Governo português quer criação de lista de suplentes para vacinação prioritária

Ana TOMÁS
Ana TOMÁS
Polémicas em torno de vacinação a pessoas não prioritárias levaram Ministério da Saúde a exigir às entidades responsáveis pela vacinação "uma lista de outras pessoas prioritárias a quem poderão administrar as vacinas".

O Ministério da Saúde português vai criar uma lista de prioritários suplentes para serem vacinados caso existam imprevistos no número de doses, como terá acontecido no caso da vacinação do INEM do Porto, onde pessoas não prioritárias acabaram por ser inoculadas com o fármaco para, alegadamente, evitar que doses que sobraram acabassem no lixo.

Num comunicado publicado, este domingo, o ministério referiu que ser  "inaceitável qualquer utilização indevida de vacinas que decorra durante o processo de vacinação".

 Apesar de o plano de vacinação prever  "no caso de, por circunstâncias imprevistas, não ser possível administrar todas as doses definidas numa determinada entidade, face às caraterísticas de conservação das vacinas e com o intuito de evitar a sua inutilização, as mesmas possam vir a ser administradas a pessoas não previstas inicialmente", o ministério de Marta Temido, sublinha que "também nestas situações, se deverão observar as prioridades definidas pelo Plano de Vacinação".

Além do caso do INEM, na semana passada foram também noticiadas vacinações de autarcas e de mais de uma centena de pessoas da Segurança Social de Setúbal, o que motivou a demissão da diretora regional da estrutura. 

Assim, e para evitar que sejam vacinadas pessoas fora desse plano, quando muitas que o integram ainda não receberam a primeira dose, o Governo, através da pasta da Saúde, determinou que a task-force, responsável pela vacinação contra a covid-19, "reforce instruções para que as entidades responsáveis pela operacionalização do plano preparem, de antemão, uma lista de outras pessoas prioritárias a quem poderão administrar as vacinas, no caso de impossibilidade superveniente de alguma das pessoas inicialmente definidas". Além disso, essa entidades ficam também obrigadas a reportar essas circunstâncias.

O ministério lembra ainda que, a partir desta semana, a Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS) irá fazer auditorias, de âmbito nacional, e que "a utilização indevida das vacinas contra a covid-19 pode constituir conduta disciplinar e criminalmente punível".

Este fim de semana, foi também publicada a norma da Direção-Geral da Saúde que passa a incluir todos os idosos com 80 anos ou mais, na primeira fase de vacinação. Recorde que, inicialmente, o critério de prioridade nesta fase incluía apenas idosos residentes em lares ou com problemas de saúde associados a patologias consideradas de risco.

Segundo a norma, embora sejam excluídas da prioridade de toma da vacinação  as pessoas que recuperaram da infeção por SARS-CoV-2, nalguns contextos, como por exemplo, nas residências para idosos e rede nacional de cuidados continuados integrados, a "vacinação de todas as pessoas elegíveis, independentemente da história prévia de infeção por SARS-CoV-2, está recomendada para uma melhor gestão do plano logístico e de administração", refere o texto no site do Serviço Nacional de Saúde.  

Portugal atrasado na vacinação

Portugal é um dos países da União Europeia e do espaço Schengen mais atrasados no processo de administração da primeira dose da vacina contra a covid-19, revelam os dados divulgados, esta segunda-feira, pelo Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC) e citados pela agência Lusa.

O país tem das percentagens mais baixas relativamente à administração da primeira dose, ficando-se pelos 1,6%. Mais atrasados que Portugal estão os Países Baixos (1,5%), a Letónia (1,1%), o Chipre (0,9%) e a Eslováquia (0,5%).   

Segundo os dados do ECDC, Portugal já recebeu 338.290 doses de vacinas contra a covid-19, tendo administrado 166.658 para a primeira dosagem. Os dados têm  por base a informação prestada à agência europeia, sendo que os países só obrigados a informar a estrutura a cada 15 dias.  

A liderar a lista de países mais avançados na primeira dose da vacinação contra o SARS-CoV-2 está a Irlanda (11,5%), seguida da Islândia (3,8%), Malta (3,7%), Finlândia (3,1%), Eslovénia (3%) e Polónia (3%).  




  






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