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Pandemia, ou revisão constitucional?
Opinião Portugal 2 min. 19.07.2021
Governo português

Pandemia, ou revisão constitucional?

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Pandemia, ou revisão constitucional?

Foto: Lusa
Opinião Portugal 2 min. 19.07.2021
Governo português

Pandemia, ou revisão constitucional?

Sérgio FERREIRA BORGES
Sérgio FERREIRA BORGES
O pior e que mais nos preocupa é a impossibilidade de Portugal responder a todos os impiedosos factores desta desgraça.

António Costa e alguns dos seus companheiros começam a reconhecer que existe algum desgaste, no Governo, circunstância para a qual tenho vindo a avisar. Duarte Cordeiro, o secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares, em entrevista ao Público, reconheceu essa infeliz realidade: "estamos a viver um período exigente, do ponto de vista da governação que se traduz, naturalmente, num desgaste".

Os efeitos colaterais da pandemia são, em si próprios, as causas desse "período exigente" e da sua tradução num evidente "desgaste". Basta pensar numa economia semiparalisada, num sistema escolar marcado pelas graves lesões que lhe foram impostas pelas sucessivas interrupções e num sistema de saúde que precisa de apoios que se pagam apenas com dinheiro. Com muito dinheiro. Bastam estas três razões para justificar um desgaste que se acentua, todos os dias. Mas há outros.

Estes factores são normais e eu diria que inevitáveis, perante a desgraça que Portugal e o mundo inteiro estão a viver. Mas são todos os dias agravados pela incapacidade política de lhes responder. Pode dizer-se que essa incapacidade não existe apenas em Portugal. Há outros exemplos dessa inépcia.

Não sendo o único, António Costa é o maior responsável deste infortúnio, imposto pela pandemia.

Mas como o Povo ensinou, com os males dos outros podemos nós bem. O pior e que mais nos preocupa é a impossibilidade de Portugal responder a todos os impiedosos factores desta desgraça. Não sendo o único, António Costa é o maior responsável deste infortúnio, imposto pela pandemia.

As suas hesitações são constantes. O sector da restauração abre e fecha, sem qualquer explicação plausível para tamanha vacilatória. Mas há outros, como os espectáculos, os ginásios, os bares e discotecas e sabe-se lá mais o quê. Isto acontece porque António Costa não tem força suficiente e capacidade para tomar decisões, indiferente às pressões que lhe vão estorvando o caminho. 

Vai cedendo aqui e ali, para depois se arrepender, sem agravo. A opinião pública apercebe-se disso e a primeira consequência é o desgaste de que fala agora Duarte Cordeiro. Para além de que, a situação pandémica vai piorando, depois de cada momento de relativa bonomia.

A acreditar na imprensa dos últimos dias, António Costa está disponível para acordar com Rui Rio um projecto de revisão constitucional que abra caminho, entre outras coisas, à famigerada regionalização. Com isto, vai dificultar as negociações com o Bloco de Esquerda e com o PCP, para o Orçamento de Estado de 2022. E ninguém compreende que, num momento tão grave, Costa priorize uma revisão constitucional que só interessa à direita.

(Este autor escreve de acordo com o antigo Acordo Ortográfico.)

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