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Ganhar eleições com o tempo perdido
Opinião Portugal 2 min. 17.01.2022
Legislativas

Ganhar eleições com o tempo perdido

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Ganhar eleições com o tempo perdido

Foto: Shutterstock
Opinião Portugal 2 min. 17.01.2022
Legislativas

Ganhar eleições com o tempo perdido

Sérgio FERREIRA BORGES
Sérgio FERREIRA BORGES
Os líderes não conseguiram inovar, limitando-se a repetir em cada debate o que já tinham dito no anterior e que diriam no seguinte.

O ciclo de debates eleitorais a que Portugal está a assistir constitui mais uma prova da falência intelectual e política da maioria dos líderes partidários. Raramente conseguem passar da gritaria, sobre um qualquer caso recente.

Por tudo isto, nada foi suficientemente esclarecedor, nem ajudou a formar uma sólida convicção, sobre a opção de voto. Há muitos eleitores que sabem em quem vão votar, no dia 30 e, para eles, os debates são naturalmente supérfluos. Há outros que ainda têm hesitações e esses vão mantê-las, até ao momento de irem às urnas, lamentando o tempo perdido com 32 inúteis conversas histriónicas.

De registar também o tom maçadoramente repetitivo. Os líderes não conseguiram inovar, limitando-se a repetir em cada debate o que já tinham dito no anterior e o que diriam no seguinte.

O quadro completa-se com um conjunto de moderadores (…) com uma ignorância absoluta das grandes questões nacionais.

Ficaram por isso as saudades do tempo em que os quatro principais dirigentes partidários exibiam uma oratória de grande categoria, por vezes, de elevado grau estético, tudo isto servido por uma soberba cultura. Recordo, naturalmente, Mário Soares, Sá Carneiro, Álvaro Cunhal e Freitas do Amaral. Hoje, ouvem-se irritantes frases e expressões que estão na moda lexical, mas substantivamente pobres, diria mesmo, inócuas.

O quadro completa-se com um conjunto de moderadores de fraca qualidade técnica, com um reduzido conhecimento daquilo que a espuma dos dias nos vais trazendo e, com uma ignorância absoluta das grandes questões nacionais. Todos se prepararam, com algumas poucas perguntas de algibeira, incapazes de surpreender os debatentes. E nunca os conduziram ao âmago das questões, limitando-se a constantes e impertinentes interrupções, quase sempre acompanhadas de alguma arrogância e insolência.

Estes debates seriam de extrema importância, para reforçar a democracia e ajudar a consolidar opções e opiniões. Mais importantes que quaisquer outros. E porquê?

Porque a pandemia, como já aconteceu em eleições mais recentes, impede o contacto de rua dos candidatos com os eleitores. E impede também a realização de comícios, sessões de esclarecimento e outros meetings que hoje não passam de memórias mais ou menos distantes. Mas pelo que se tem visto, o falhanço é total.

E a paciência dos espectadores é posta à prova, no fim de cada um desses debates, com os comentários infindáveis de gente também mal preparada e que não consegue disfarçar as suas próprias opções político-partidárias. De tal como que, antes de dizerem qualquer coisa, já se consegue antever o que dali vai sair.

(Este autor escreve de acordo com o antigo Acordo Ortográfico.)

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