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Futuro aeroporto. Um duelo com dois derrotados
Opinião Portugal 3 min. 04.07.2022
Lisboa

Futuro aeroporto. Um duelo com dois derrotados

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Futuro aeroporto. Um duelo com dois derrotados

Foto: António Cotrim/Lusa
Opinião Portugal 3 min. 04.07.2022
Lisboa

Futuro aeroporto. Um duelo com dois derrotados

Sérgio FERREIRA BORGES
Sérgio FERREIRA BORGES
Um deles tinha de perder, para não perderem os dois. Mas foi o que aconteceu, tiveram de dividir a derrota.

Um erro infantil de um ministro provocou mais uma crise no Governo. António Costa deu um par de açoites em Pedro Nuno Santos, mas o assunto não ficou resolvido.

Um ministro cheio de têmpera, aproveitou uma ausência do chefe do Governo e exarou um despacho, determinando que o futuro aeroporto de Lisboa seria em Alcochete. Montijo mantinha-se, mas como solução transitória.

Pedro Nuno Santos é mais forte que António Costa e pode voltar a enxovalhá-lo.

O país ficou sem fala, estranhando que a solução viesse de um simples despacho de um ministro com concentração sanguínea na guelra. Nem a voz do Primeiro-Ministro, nem a formalidade de um Conselho de Ministros apareceram para dar alguma credibilidade a uma solução estratégica para o país, com custos financeiros avultados. Apenas a palavra do ministro que percorreu todas as televisões, desdobrando-se em explicações que nada traziam de novo.

Na manhã seguinte, quinta-feira, o gabinete do Primeiro-Ministro emitiu um comunicado, dizendo que o despacho da véspera já tinha sido revogado e que tudo voltava ao ponto de partida, isto é, à estaca zero.

Perante isto, tornava-se evidente que estávamos perante um jogo de forças, onde o Primeiro-Ministro e Pedro Nuno Santos teriam de mostrar qual era o mais forte. Um deles tinha de perder, para não perderem os dois. Mas foi o que aconteceu, tiveram de dividir a derrota.

Resumindo: Pedro Nuno Santos desafiou a autoridade de António Costa e, como tal, devia ser demitido, se por acaso lhe faltasse o bom-senso para sair pelo seu próprio pé. Mas não se demitiu, nem o Primeiro-Ministro o demitiu. Isto quer dizer que, apesar da fragilidade com que apareceu nas televisões a retractar-se e a pedir desculpa, Pedro Nuno Santos é mais forte que António Costa e pode voltar a enxovalhá-lo, sempre que isso convier às suas aspirações políticas.

As piores consequências caiem sobre o Governo que já enfrenta diferentes crises, como a ruptura de valências importantes do Serviço Nacional de Saúde, a falência de outros serviços públicos, como o SEF, a inflação e o desemprego, ambos em ascensão galopante, e o agravamento descontrolado do preço dos combustíveis.

É inconcebível que tudo isto aconteça a um Governo sustentado por uma maioria absoluta e com escassos três meses de governação. Afinal, a finada geringonça garantia mais estabilidade governativa, porque conseguiu sempre travar a guerra civil que agora parece emergir, no interior do PS, com a luta de quadros, interessados em garantir os seus futuros pessoais.

Pedro Nuno Santos desculpou-se, perante António Costa, dizendo-lhe que pretendia condicionar o discurso de Luís Montenegro, no Congresso do PSD. Mas as contas saíram-lhe furadas e não fez mais que regar o fogo com gasolina.

Fica uma certeza. A história ainda não foi toda contada e, por isso, há muitos episódios deste folhetim que ainda não conhecemos.

(Autor escreve de acordo com a antiga ortografia.)

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