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Força Aérea esclarece que nenhum piloto português foi capturado pelo exército líbio

Força Aérea esclarece que nenhum piloto português foi capturado pelo exército líbio

Foto: AFP
Portugal 3 min. 07.05.2019

Força Aérea esclarece que nenhum piloto português foi capturado pelo exército líbio

O Exército Nacional Líbio (ENL) afirmou hoje que um avião militar foi abatido pelo exército líbio e o piloto, alegadamente português, teria sido capturado. Mas a Força Aérea esclareceu que não há militares nem meios portugueses na operação Sophia, de monitorização das rotas de tráfico de migrantes no Mediterrâneo.

A Força Aérea portuguesa esclareceu hoje que, atualmente, Portugal não tem meios nem militares na Operação Sophia, da União Europeia, e que também não tem aeronaves como a que foi abatida na Líbia, após o exército líbio ter afirmado que teria abatido um avião militar e capturado um piloto português que se encontraria ferido. "Não há nenhum militar português ao serviço da Força Aérea na operação Sophia", esclareceu. 

As forças militares portuguesas afirmam também que não têm sequer nenhum meio" nesta operação" bem como não possuem "aquele tipo de avião", disse à agência Lusa um porta-voz daquele ramo das Forças Armadas. Apontando que alguma da informação sobre este caso que tem sido divulgada "não faz sentido", o porta-voz indicou ainda que a Força Aérea apontou também "não tem ninguém" naquela missão. 

Paralelamente, a União Europeia (UE) já veio negar que o avião abatido pelas forças líbias pertença à Operação Sophia. A operação, que substituiu as Forças Navais Europeias no Mediterrâneo - EU NAVFOR Med, tem como missão a identificação, captura e eliminação de navios usados ou suspeitos de serem usados para o tráfico de migrantes na zona sul do Mediterrâneo central. "Nenhum avião da (Operação) Sophia foi abatido (hoje na Líbia)", disse hoje à Lusa Antonello de Renzis Sonnino, porta-voz daquela organização europeia, numa mensagem enviada a partir da sede, em Roma.

"Além disso, de acordo com o mandato que nos foi dado, as forças Sophia apenas operam em águas internacionais, não no território da Líbia", esclareceu o porta-voz, Antonello Sonnino.  

O canal Al Arabiya divulgou hoje uma informação segundo a qual o Exército Nacional Líbio (ENL) tinha afirmado, em comunicado, que teria abatido um avião no sul de Tripoli que pertencia à Operação Sophia, da União Europeia, e garantido que devolveria imediatamente o piloto, que diziam ser de origem portuguesa.  "Preocupamo-nos com a segurança do piloto português e tratamo-lo como convidado e não como prisioneiro. O que aconteceu foi um erro devido ao estado de guerra em que vivemos e vamos entregá-lo à Operação Sophia imediatamente", terá dito o porta-voz do ENL Ahmed Mismari, em comunicado citado pela estação.

De acordo com o ENL, o avião foi abatido 70 quilómetros a sul de Tripoli, em território soberano da Líbia. O ENL divulgou também imagens do piloto, que parece ferido. Num vídeo do suposto piloto, um dos combatentes do ENL pergunta-lhe em inglês se é militar e ele responde: "Não. Sou um civil". Segundo a agência France Presse, na página oficial do Exército Nacional Líbio (ENL), de Haftar, o piloto é apresentado como "um mercenário português".

A Líbia tem sido vítima do caos e da guerra civil desde que, em 2011, a comunidade internacional contribuiu militarmente para a vitória dos diferentes grupos rebeldes sobre a ditadura de Muammar Khadafi (entre 1969 e 2011). Os combates opõem as forças do Governo de Acordo Nacional, reconhecido pela comunidade internacional, ao Exército Nacional Líbio proclamado pelo marechal Haftar, homem forte do leste líbio que ordenou, em 04 de abril, a conquista da capital, Tripoli.

Segundo as Nações Unidas, os confrontos já causaram pelo menos 432 mortos, 2.069 feridos e mais de 55 mil deslocados. Os dois lados acusam-se mutuamente de recorrer a mercenários estrangeiros e de beneficiar do apoio militar de potências estrangeiras.

Lusa


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